Lost in Translation

Muito se falou da decisão polêmica da FIA dessa semana (sim, porque toda semana vem uma nova), ao banir as conversas de rádio entre piloto e equipe, no que concerne à pilotagem do carro.

É realmente complicado de explicar, mas vou tentar: equipe e piloto não podem mais trocar informações entre si que permitam uma melhor pilotagem do carro.

Por exemplo, a equipe não pode mais informar ao seu piloto que, em determinada curva, seu companheiro de equipe está usando uma marcha maior ou menor, o que lhe garante melhor velocidade, e que deveria se tentar o mesmo.

Assim como as últimas imposições de regulamento esportivo da FIA, não fica claro até onde isso se estende. Se a equipe quiser saber as condições dos pneus, talvez pensando em antecipar uma parada, intentando um undercut (todo mundo que me lê sabe o que é undercut, né?!), seria uma influência na pilotagem deste? Tem que ver isso aí…

Na hora em que li a notícia, imediatamente minha cabeça viajou para um tempo onde as coisas eram muito mais fáceis, e mais perigosas… A imagem rotunda de Alfred Neubauer chegou feito um raio.

Não sabe quem é? É esse distinto senhor aí embaixo.

O mito.
O mito.

 

Alfred Neubauer foi o grande comandante da maior equipe de corridas pré-F1, e o homem que fundou um mito. A Mercedes Benz e suas Flechas de Prata devem grande parte de seu sucesso nas pistas na década de 30 à ele (parte também à Hitler e seu investimento pesado na indústria automobilística, com fins de propaganda, mas divago…)

Nascido em 29 de março de 1891, no Império Austro Húngaro, começou no exército de seu país o ofício de mecânico. Trabalhou como piloto de testes após a Primeira Guerra Mundial para a fábrica da Austro-Daimler, onde foi subordinado de ninguém menos que Ferdinand Porsche. Também pilotou em corridas oficiais no começo da década de 20, até que, ao perceber que não era tão “bota” assim, inventou pra si a função de Racing Team Manager.

E sua função se mostrou primordial para o sucesso de muitos até hoje. Entendam, senhores, que no começo do Século XXI, após as largadas os pilotos se encontravam completamente alheios ao que aconteciam à volta deles, chegando ao cúmulo de, não raro, vencerem corridas e nem saberem disso, até o momento que parassem o carro nos boxes.

Sem Neubauer, não teríamos “HOJE NÃO! HOJE NÃO! HOJE SIM… HOJE SIM?”

 

Pensando nisso, Neubauer criou um sistema de placas, bandeiras coloridas e sinais, para informar os pilotos dos acontecimentos na pista, e da mesma forma receber feedback dos Ases da equipe.

Àquela época, o domínio alemão nas pistas era acachapante. Mercedes e Auto Union eram disparadas as melhores equipes nos Grand Prix, e os melhores pilotos estavam em suas fileiras, lendas como Rudolf Caracciola, Bernd Rosemeyer, e Hermann Lang.

W-154 (1939), o chefe e seus comandados, Richard Seaman, Manfred von Baruchitsch, Herman Lang y Rudolf Caracciola

 

Qualquer tipo de desenvolvimento de uma dessas duas escuderias seria o diferencial para vencer ou perder. A Auto Union desenvolveu seus bólidos de motor central V16, enquanto a Mercedes Benz apostava no conjunto leve, de motor dianteiro V8 com Supercharger, e o sistema de comunicação implantado por Neubauer, para vencer.

Mercedes e Neubauer também criaram uma lenda nas pistas… A lenda das Flechas de Prata.

Caracciola à esquerda do Auto Union de Bernd Rosenmeyer, um dos maiores pilotos da história, na largada do GP da Suíca de 1937

 

Lenda essa que qualquer cabeça de gasolina deve saber, mas ainda assim, vou contar: A Mercedes chegou para sua primeira corrida, com seus carros pintados com o branco alemão (sim, as cores da Alemanha nas pistas eram BRANCAS), porém o carro ultrapassou o limito máximo de peso permitido, de 750kg, por apenas 1kg. Neubauer, espertíssimo, ordenou que os mecânicos raspassem a pintura do carro, o que fez com que a cor do alumínio da carroceria aparecesse, criando assim um mito… bonito não? Pena que é uma grande falácia do nosso personagem principal.

Neubauer inventou essa história não sei com que motivo, uma vez que a primeira corrida da Mercedes Benz foi disputada na categoria Formula Libre, e como o nome faz sugerir, não havia limite de peso… além do mais, existem registros históricos do carro pintado de branco. Falador esse gordinho!

Com a eclosão da segunda guerra, Neubauer voltou à sua posição de mecânico do exército, ressuscitando a equipe Mercedes em 1954, contando como pilotos Juan Manuel Fangio e Stirling Moss.

Fangio, Neubauer e Moss, 1954. Que Dream Team!
Fangio, Neubauer e Moss, 1954. Que Dream Team!

 

O domínio das Flechas de Prata foi absurdo, com seis vitórias em nove etapas e o título do campeonato de pilotos para Fangio, na temporada que viu o nascimento de mais uma lenda das pistas: a primeira vitória da Scuderia Ferrari (Aê Valesi!), com José Froilán Gonzáles (3 acentos em 3 nomes!) no GP da Inglaterra.

No ano seguinte, a hegemonia permanecia, até que no dia 11 de junho de 1955, na volta 34 das 24 horas de Le Mans, o pior desastre da história do esporte a motor interrompeu de forma abrupta a carreira da Mercedes, quando o carro pilotado por Pierre Levegh voou sobre a plateia em plena reta dos boxes, a 300Km/h, explodindo em seguida. 78 pessoas faleceram naquele dia.

O princípio do fim
O princípio do fim

 

Com a tragédia, Neubauer abandona o esporte, e a Mercedes só voltaria e ter uma equipe de corridas na F1 em 2010.

Como o post começou sobre a nova ordem da FIA, e lembrou o engenhoso esquema de Neubauer de comunicação com seus pilotos, fica ao leitor a pergunta: O que fazer para contornar o problema das comunicações entre piloto e equipe, após essa restrição? Seria o sistema de bandeiras de Neubauer uma alternativa?

A minha é essa, ó:

Stop! Hammer Time!
Stop! Hammer Time! (Clique para ampliar)

 

P.S.: O título foi retirado do filme homônimo, estrelado pelo gênio Bill Murray e pela maravilhosa Scarlett Johansson, dirigido por Sophia Copolla. Assistam! E Se só minha recomendação não é o suficiente, deixo vocês com a imagem dos primeiros 10 segundos de filme.

Sem palavras...
Sem palavras…
Lewis Hamilton recebe o carinho dos fãs em Monza.

VOTE! Escolha os Melhores e Piores do GP da Itália

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Felipe Massa volta ao pódio!
Felipe Massa volta ao pódio!
Clique em quem você achou que foi o melhor e pior deste GP da Itália:

GP da Itália: Qual foi o Pior Piloto ou Acontecimento (ASNO VOLANTE)?

  • SCUDERIA FERRARI: Dizer o quê?! (42%, 71 Votes)
  • NICO ROSBERG: Jogando a vitória fora ao errar duas vezes. Karma Police? (22%, 37 Votes)
  • VALTTERI BOTTAS: É dada a largada e cadê o Bottas?! De 3º para 10º em uma curva. (14%, 24 Votes)
  • ESTEBAN GUTIERREZ: Conseguiu se auto-obliterar e quase levar o Groselha junto. (14%, 23 Votes)
  • KEVIN MAGNUSSEN: Se empolgou e jogou a corrida fora na disputa com Bottas. (5%, 9 Votes)
  • LEWIS HAMILTON: Enviando estudo de caso para o Instituto Internacional da Síndrome de Webber/Barrichello. (3%, 5 Votes)

Total Voters: 169

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GP da Itália: Qual foi o Melhor Piloto (ou Acontecimento)?

  • FELIPE MASSA: Habemus Podium! (53%, 90 Votes)
  • DANIEL RICCIARDO: There can be only ONE! (15%, 26 Votes)
  • VALTTERI BOTTAS: se recuperou bravamente! Bottas versão Austrália. (14%, 23 Votes)
  • SERGIO PEREZ/JENSON BUTTON: disputa tirânica lembrando as Malvinas, no caso coroa vs país latino-americano. (12%, 21 Votes)
  • KEVIN MAGNUSSEN: Menino lembrou do Harry Potter e aparatou no 2º lugar no começo da corrida. (5%, 8 Votes)
  • NICO ROSBERG: senhora largada! (1%, 2 Votes)

Total Voters: 170

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Lewis Hamilton recebe o carinho dos fãs em Monza.

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Como Vencer em Monza

Monza consegue ser fácil e difícil ao mesmo tempo. O glorioso Autodromo Nazionale não é considerado tão seletivo quanto Spa, por ter poucas curvas e pelo fato dos pilotos passarem 75% do tempo com o pé afundado em aceleração máxima. Por outro lado, os carros ficam muito mais nervosos quando em solo italiano. Não pelo tradicional sangue quente do povo, mas sim pela baixa downforce. Os carros usam tão pouca asa que Fernando Alonso comparou: “é como dirigir nas outras pistas quando estão molhadas”.

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Imagino que todo mundo está se preparando para o GP da Itália, ouvindo nosso programa Especial com as Crônicas de Monza. Além disso, como de costume, o tio James fez um post bacana sobre o assunto, e a anfitriã Scuderia Ferrari também publicou uma entrevista com Alonso, com informações sobre o templo italiano da velocidade. Ambos os textos serão usados como pilares aqui.

ASAS ESPECIAIS

Não adianta querer pegar uma asa tradicional e regulá-la com pouco ângulo para Monza. Se o time quiser jogar pra valer, vai ter que construir uma asa “tipo Monza”. Eu sei que alguém vai fazer alguma piada com o Chevrolet Monza nesta hora, e garanto que as equipes até gostariam de buscar alguma peça no desmanche, porque seria bem mais barato.

Uma asa dianteira custa 50 mil dólares para ser fabricada. Cada equipe tem que levar cinco ou seis asas dianteiras para a corrida. Só nessa brincadeira de “asa dianteira tipo Monza”, já se foram quase 300 mil Obamas. Mas ainda tem a asa traseira, ou seja, pode colocar a conta como meio milhão de dólares em “asas tipo Monza”. Não dá mesmo para ir no desmanche?

Monza Oval Antigo Banking Inclinado

Equipes muito pernetas já correram em Monza com a mesma asa do ano inteiro. Um exemplo clássico é a Hispania-HRT, que no ano de Bruno Senna usou a mesma asa para sessões de fotos, lançamentos, corridas em Mônaco, Monza e assim por diante. Aliás, a equipe era tão mendicante que provavelmente não era apenas o mesmo modelo de asa, e sim o mesmo exemplar de asa durante o ano todo.

Equipes médias como Williams ou Force India até poderiam pensar em pedalar Monza, tentando simplesmente não gastar uma grana federal para ganhar pontos em uma corrida “peculiar”. É muito mais racional enfiar seus recursos no desenvolvimento de mais e mais downforce, que será de extrema utilidade em 90% das corridas. Com certeza algumas equipes vão arriscar em Monza, investindo pouco e concentrando todas suas forças no já tradicional “pacote Cingapura”, o último pacotão de upgrades do ano.

ALONSO: CARRO NERVOSO

Tiro meu chapéu para a Ferrari. Parecia que estavam querendo me agradar. A primeira pergunta na entrevista oficial com Fernando Alonso foi totalmente “na lata”: qual é o ponto de frenagem para a primeira chicane? O espanhol respondeu que se freia aos 130 metros nos treinos, e aos 150 na corrida, devido aos tanques mais cheios. Ele acrescentou que é mais difícil de acertar as freadas, também devido às altas velocidades: ano passado o pessoal chegava para a primeira freada a 340 km/h, e depois novamente estavam a 330 km/h para a freada da Variante della Roggia. O velho James acha que vai ter gente beirando os 360 km/h este ano, então é melhor os rapazes estarem com os pés esquerdos e os olhos bem afiados.

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Alonso comparou Monza e Spa, dizendo que no circuito italiano a pilotagem faz menos diferença, já que são poucas curvas, sem contar as chicanes. Segundo ele, “uma volta perfeita em Spa pode render até um segundo no cronômetro, já em Monza, você pode fazer uma volta mágica, mas vai conseguir um décimo ou dois”.

Para o bicampeão asturiano, “Monza são apenas cinco curvas: primeira chicane, segunda chicane, Lesmo 1, Lesmo 2 e a Parabolica, porque a Ascari, exceto pela primeira perna à esquerda, é totalmente flat”. Tendo em vista minhas repetidas excursões pela grama da Variante Ascari, com certeza vou pedir ao Alonso para explicar esse detalhe para o meu F1 2010. Nitidamente o meu PC não concorda com essa avaliação do Fernando Alonso.

PROMESSAS

Como diria o mestre Clapton, “como poderíamos saber que as promessas acabam?” Em Spa, houve gente que prometeu e não cumpriu. Sendo justo, na verdade nós inventamos as promessas, e eles não cumpriram as promessas que nós criamos. De quem estou falando? Williams, Massa, Ferrari, Alonso.

Tanto Spa como Monza são circuitos de motor. Sendo assim, todo mundo achava que a Williams ia fazer e acontecer em Spa, devido ao seu motor Mercedão Malvadão, e à notória velocidade de reta que os carros do tio Frank sempre mostram. No fim das contas, aconteceu com a Williams aquilo que eles mais temiam: um treino classificatório com chuva. Desde o início do ano, os carros de Woking têm dificuldades para aquecer os pneus quando está frio e chuvoso. As posições no grid não mostraram o que a Williams poderia fazer em Spa. Como a corrida da Bélgica foi disputada no seco, ainda dava para se recuperar, como Bottas mostrou e como Massa não pôde mostrar. O brasileiro levou detritos do pneu de Lewis Hamilton para passear com ele durante a corrida, e a equipe falhou em não retirá-los na primeira parada. Para desespero dos torcedores de Massa, Bottas e Williams, há chances de chuva no final de semana do GP da Itália. Se ficar tudo seco, há chances de um bom desempenho dos carros com pintura Martini.

Já a Ferrari e Alonso nem tinham prometido nada para Spa, mas foram tão bem nos treinos de sexta-feira que todo mundo ficou achando que o pacote de baixa pressão aerodinâmica da Ferrari era pura magia. O carro devia estar bom mesmo, já que Kimi foi bem, mas no caso de Alonso, a trapalhada da Ferrari no grid custou qualquer chance de boa posição para a corrida. Sem trapalhadas, a Ferrari poderia lutar pelo pódio, o que seria bacana na terra dos tifosi. O engenheiro James Allison disse esta semana que o gap para a Mercedes tem ficado estável durante o ano. Estável e grande, no caso perto de um segundo por volta. Para vencer, só se houver alguma trapalhada prateada, o que não tem sido nada impossível ultimamente.

A Red Bull operou milagres em Spa, com sua asa traseira minúscula (aleta?). A equipe de Milton Keynes conseguiu sua segunda vitória seguida em Spa, apostando num ingrediente básico mas perigoso: velocidade final. Poderia conseguir algo digno em Monza? Difícil saber, por conta do treino chuvoso que bagunçou as coisas em Spa. Com tempo seco, a chaleira de Viry-Châtillon (também conhecida como motor Renault) deve ficar devendo tanto, que nem a “Aleta de Fórmula 3″ deve conseguir compensar. Veremos.

Fim de semana sem corrida, o que fazer?!?!

Não tem corrida? Então eu vou ficar aqui até quando tiver! Jan, traz a Vodka!

 

Neste final de semana não teremos F1, e muitos (ou só eu, sei lá…) podem experimentar os sintomas de abstinência de gasolina na TV. Mãos suadas, febre, tremores, boca seca, e uma não usual sensação de disposição por não ter que acordar cedo no domingo podem denotar o mal.

Para os que sofrem da mesma condição que eu, segue uma pequena lista de dicas que podem fazer com que os sintomas sejam aliviados até o final de semana da corrida.

Aviso que essa condição não possui cura, não existem pesquisas sobre, e não tem ninguém realmente se importando com isso (estou olhando pra você Bernie Ecclestone! Deixa os videozinhos no Youtube aí!), tampouco tem pessoas dispostas a jogar um balde um balde de gelo ou qualquer outra coisa na cabeça para gerar “awereness”.

Às dicas, pois:

 

Dormir: Já está lá no primeiro parágrafo. Dormir é uma das atividades que cabeças de gasolina mais sentem falta nos finais de semana de corrida. Os mais “hardcore”, eu incluso, acordam pra ver os treinos livres de sexta e sábado, em horários proibitivos para nós brasileiros, principalmente nas primeiras corridas, para poder avaliar melhor o equilíbrio das forças no campeonato que começa.

Aproveite pra esticar o sono até mais próximo da hora do almoço, vai fazer bem!

ZZZzzzZZZzzzZZZzzz
ZZZzzzZZZzzzZZZzzz

 

Não dormir: Como assim? Explico. Como acordar cedo no domingo de manhã pode ser cruel, dormir cedo no sábado a noite é imprescindível pra qualquer cabeça de gasolina estar afiado para apreciar completamente uma corrida.

Mas em finais de semana de recesso automobilístico, logo sem obrigações, esticar a noite de sábado até mais tarde pode ser uma opção. Um agrado na patroa/patrão será bem vindo: cinema, jantar fora, um espetáculo teatral, musical, balada, filmes embaixo das cobertas, ou qualquer coisa que o valha, pode fazer a noite terminar com um HOJE TEM!

The Stig is good with the ladies...
The Stig is good with the ladies…

 

Pros solteiros, pegar geral, sair com os amigos pra um barzinho, comer besteiras na frente da TV, chorar sozinho no canto do chuveiro, de roupas, ao som de All By Myself também pode ser uma opção. Eu, pessoalmente, aproveito os finais de semana sem corridas pra jantar com amigos e me aventurar em algum jogo de tabuleiro ou RPG.

Senhor dos Anéis - A Batalha do Anel, o jogo de tabuleiro. Uma ótima dica pra passar um sábado à noite brigando com seus amigos!
Senhor dos Anéis – A Batalha do Anel, o jogo de tabuleiro. Uma ótima dica pra passar um sábado à noite brigando com seus amigos!

 

Lembrar que existe vida lá fora: se o dia estiver bonito, sair pra caminhar em um parque, praticar alguma atividade ao ar livre, levar o cachorro pra passear, tomar sol, ir à praia antes da hora que o sol pode matar à longo prazo… Enfim, tomar vitamina D e descarregar endorfina! não dá pra viver numa caverna o tempo todo, pô!

Assistir um futebolzinho no estádio... OH WAIT!
Assistir um futebolzinho no estádio… OH WAIT!

 

Corridas! Corridas!: Não é só de F1 que é feito o automobilismo, amigo! Acho que todos os canais de esportes têm alguma competição automobilística na sua grade. F3, NASCAR, Formula Truck, Stock Car… Novos horizontes! Vai que alguma dessas categorias te agrada?

Red Bull Soapbox Racing. Se é bom pra ele, por que não seria pra ti?
Red Bull Soapbox Racing. Se é bom pra ele, por que não seria pra ti?

 

E se não tiver TV a cabo, ou, se depois de pesquisar, você perceber que o Campeonato Russo de F-Lada, que ouvisse falar que é muito legal, não passa em nenhuma rede por aqui, existem os meios de streaming espalhados pelas internets. Se vire com o Google.

Video Game: Recentemente me apropriei de um volante para o Xbox 360… em menos de 2 horas jogando, minha melhor marca em Spa no F1 2012 caiu quase 3 segundos! Convide os amigos para “jogar de dois” em casa, ou dispute corridas online, ou faça sua carreira até poder limpar a sola de suas sapatilhas de corrida na cara do Michael Schumacher… No mundo virtual o céu é o limite!

Meus finais de semana têm sido assim...
Meus finais de semana têm sido assim…

 

E jogos não faltam. Para os “caixistas”, Forza Motorsport, para os “Sonistas”, Gran Turismo, e em ambas plataformas, F1, GRID, DiRT, Need for Sissies Speed, etc.. Escolha aquele jogo que te apeteça mais, e batalhe pra ser o melhor, com o menor número de driver aids possível!

Dica Bônus – Seja piloto: Seria muito bom deixar de ser só espectador e passar pro banco do motorista de uma daquelas maravilhas da engenharia que a gente vê na TV mais ou menos a cada três semanas, não? Como cabeça de gasolina nível hard que todos somos, sabemos que todos aqueles malucos que arriscam o pescoço num foguete sobre rodas começaram no Kart.

E quase todas as cidades grandes tem pelo menos uma pista de Kart Indoor. Já pensou se tu levas jeito?

Para os mais endinheirados, e que moram em cidades que tem autódromos, por que não experimentar um Track Day? Ou até mesmo se arriscar em alguma competição de Marcas? Aqui em Santa Catarina, onde moro, existe um campeonato de automobilismo na terra que é fantástico, e não é tão caro assim para participar (sempre, claro, considerando os valores que categorias Top cobram de seus pilotos).

"Terrão"
“Terrão”

 

E vamos continuar na luta para aplacar essa doença, até pelo menos dia 07 de setembro!

P.S.: Acessem  e se inscrevam no canal Boteco F1 no Youtube! É um santo remédio para abstinência: https://www.youtube.com/channel/UCXHm4g2vzvFYgZUL8PETqKw

 

 

Pódio com Rosberg, Ricciardo e Bottas.

Classificação Atualizada do Mundial de Pilotos: Comentários

Enquanto esperamos o podcast de hoje entrar no ar, vamos ver como anda a tabela. Após o GP da Bélgica em Spa-Francorchamps, ficou assim:

Classificação do Mundial de Pilotos

Nico Rosberg220
Lewis Hamilton191
Daniel Ricciardo156
Fernando Alonso121
Valtteri Bottas110
Sebastian Vettel98
Nico Hülkenberg70
Jenson Button68
Felipe Massa40
Kimi Räikkönen39
Kevin Magnussen37
Sergio Pérez33
Jean-Éric Vergne11
Romain Grosjean8
Daniil Kvyat8
Jules Bianchi2
Adrian Sutil0
Marcus Ericsson0
P. Maldonado0
Esteban Gutiérrez0
Max Chilton0
Kamui Kobayashi0
Atualizada após o GP da Bélgica

Itens para se observar:

Nico Rosberg 29 pontos à frente de Hamilton. “Sorry. HUE. 29 points. HUE.”

Felipe Massa e Kimi Räikkonen quase empatados, bem  atrás de uma Force India. Ano para esquecer para os dois. A tendência é que tenham outra chance em 2015, mas se não desempenharem, podem ganhar a conta

Vettel longe de Ricciardo (tudo bem, teve mais falhas mecânicas, mas em Spa errou claramente duas vezes, a primeira na freada da Les Combes na largada, e a outra na Pouhon quando Ricciardo passou).

Bottas a 11 pontos de Alonso

Kvyat a 3 pontos de Vergne. Fiquei até com uma sede agora.

Ricciardo a 64 pontos de Rosberg. Mercedes vastamente mais rápida. Não vai rolar.

E você? Qual sua leitura do campeonato até agora?

F1 Grand Prix of Belgium - Qualifying

Vote! Melhores e Piores do GP da Bélgica!

Está na hora de você dar sua opinião! Vote e espalhe o pleito para seus amigos cabeças de gasolina.

As duas Mercedes se enroscaram logo no começo da prova, o que parece ter comprometido a corrida dos dois pilotos da flecha de prata.
As duas Mercedes se enroscaram logo no começo da prova, o que parece ter comprometido a corrida dos dois pilotos da flecha de prata.
Clique em quem você achou que foi o melhor e pior deste GP da Hungria:

GP da Bélgica: Qual foi o Pior Piloto ou Acontecimento (ASNO VOLANTE)?

  • Nico Rosberg ao errar o cálculo e tocar em Lewis Hamilton, provocando o furo no pneu do britânico. (24%, 41 Votes)
  • Felipe Massa e mais uma corrida para esquecer. (23%, 39 Votes)
  • Rede Globo que ainda não sabe usar dois quadros numa mesma tela. (20%, 34 Votes)
  • Scuderia Ferrari se atrapalhando ainda antes da volta de apresentação. (17%, 28 Votes)
  • Mercedes e Lewis Hamilton discutindo o abandono do piloto e deixando para fazê-lo apenas no final da prova. (11%, 19 Votes)
  • Marussia e sua estranha situação entre Alexander Rossi e Max Chilton. (5%, 7 Votes)

Total Voters: 168

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Toque entre Nico Rosberg e Lewis Hamilton pode azedar ainda mais o clima na equipe.
Toque entre Nico Rosberg e Lewis Hamilton pode azedar ainda mais o clima na equipe.

GP da Bélgica: Qual foi o Melhor Piloto (ou Acontecimento)?

  • Excelente disputa entre Kevin Magnussen, Sebastian Vettel, Fernando Alonso e Jenson Button no final da prova. (36%, 61 Votes)
  • Daniel Ricciardo mostrando grandeza e consistência a cada corrida. (31%, 52 Votes)
  • Kimi Räikkónen e talvez sua melhor corrida no ano. (11%, 19 Votes)
  • Valtteri Bottas cada vez mais forte e provando ser um piloto de ponta. (11%, 18 Votes)
  • Red Bull Racing surpreendendo a todos com sua velocidade em retas. (8%, 13 Votes)
  • Jules Bianchi levando a fraca Marussia para o Q2. (3%, 5 Votes)

Total Voters: 168

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Festa na Red Bull com mais uma vitória.
Festa na Red Bull com mais uma vitória.

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Resumão da Sexta-Feira em Spa: Ferrari, Bozo, Maldonado, Lotterer, Massa

Treinos livres completos em Spa, com as Mercedes previsivelmente dominando as duas sessões da sexta-feira, mas com muitos acontecimentos interessantes.

BOZO

Não vou mencionar o nome daquela equipe vermelha do final do grid. Nem no polaquinho que paga para pilotar seus carros. Colocariam um estadunidense para disputar o GP da Bélgica, o que seria uma efeméride razoável, mas roeram a corda. Mijaram para trás. A história já começou esquisita, com misteriosas “questões contratuais” causando a perda da vaga. Depois, um press release ainda mais estapafúrdio, com o polaquinho alegando que “cedeu a vaga” ao ianque para ajudar a equipe vermelha do final do grid. Ao acordar hoje, dei de cara com o aviso “Yankee Going Home”, acrescentando que as tais questões contratuais foram resolvidas. Volta o polaquinho, porque o cheque compensou.

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Provavelmente tinham deixado para depositar depois do horário bancário encerrado. Quem nunca, né? O que é digno do Bozo é o fato que centenas de pessoas ao redor do mundo perderam seus tempos relatando a matérias, escrevendo, gastando minutos de suas vidas com uma história que talvez nunca tenha existido. Consigo mentalizar facilmente uma cena de House of Cards: “o pessoal do polaquinho nem imagina o que vai acontecer”, diz Frank Underwood para a câmera, roendo suas costelas com molho. Corta para a cena do quartel-general do polaquinho, com várias pessoas engasgando e tossindo ao ver o anúncio do ianque. Passa-se o resto do episódio resolvendo a pendenga. Que tal?

FERRARI

Só porque cometi a imprudência de ser otimista com Felipe Massa no texto de ontem, quem acabou surpreendendo foi a Ferrari. Quem mandou eu tirar sarro do Marmorini? A equipe trouxe um pacotão de baixa downforce para Spa, e parece que funcionou. Alonso foi terceiro nas duas sessões, claramente a maior força após as Mercedes. Mais interessante ainda, parece não ter ficado tão longe dos prateados, o que seria garantia de boa diversão no domingo. Será que tudo isso é fruto do novo comando de Marco Mattiaci? Será que um 2015 mais iluminado espera a Scuderia?

MASSA

Apesar da Williams terem ficado no fundo do pelotão na parte da manhã, as coisas voltaram ao normal à tarde. Massa parece se manter na luta pelo pódio, tendo ficado com o quarto melhor tempo, atrás das duas Mercedes e do ex-companheiro Alonso. E ainda ficou à frente de Bottas, o que sempre ajuda na auto-estima.

MALDONADO

Na descida para o curva Pouhon, Maldonado coloca uma roda na grama, perde o controle do carro e se espatifa no muro.  Até agora, nenhuma novidade. Próxima notícia.

LOTTERER

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Realmente o alemão André Lotterer parece ter sido um talento que não teve a oportunidade que merecia na F1. No difícil e seletivo Spa, Lotterer não cometeu grandes erros, chegou a ficar à frente do companheiro Marcus Ericsson no treino da manhã, e na parte da tarde ficou bem perto, apenas 0.043 atrás do sueco. Vai ser interessante acompanhar o desempenho do quatrargólico na classificação e na corrida. Aliás, o quatrargólico usou macacão da Caterham e botas da Audi (veja na foto acima). Que venha o sábado.

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Como Ganhar em Spa

Eu sei, o título é meio pretensioso. Para todos os Grandes Prêmios, tanto as equipes como a Pirelli elaboram cuidadosos textos com dados e citações sobre a corrida que vai acontecer. Geralmente a gente só lê e não se dá ao trabalho de escrever nada. Mas no caso da mítica Spa-Francorchamps, bem que a gente poderia se dar ao trabalho, né? Ainda mais porque o tio James já escreveu um bom começo.

EAU ROUGE

Umas das questões interessantes para 2014 é justamente a curva mais famosa do circuito. Até o ano passado, a Eau Rouge era uma curva flat, ou seja, era contornada com o pé no fundo, com a tradicional coragem necessária. Isso acontece apenas na F1: para outras categorias, a curva é igualmente desafiadora, mas não é flat, nem para os sofisticados protótipos do WEC, e muito menos para os nossos queridos banheirões da classe GT.

No caso da Fórmula 1, é claro que nem sempre foi assim. Nos velhos tempos da BAR-Honda em 1999, ocorreu a célebre aposta entre Jacques Villeneuve e seu companheiro de equipe Ricardo Zonta, para ver quem tinha coragem de fazer a Eau Rouge com o pé cravado. O resultado foi, digamos, catastrófico: Villeneuve se espatifou, e logo que a pista foi limpa, Zonta foi lá e cumpriu o combinado: tentou, não conseguiu e destruiu mais um chassis. Tem vídeo? Sim, tem vídeo:

Naquela época, o carros tinham motor demais e downforce de menos, pelo menos na comparação com os V8 de 2006-2013, que sempre foram justamente o contrário. A novidade para este 2014 é justamente que os carros voltaram a ter motor demais e downforce de menos: com a remoção da asa inferior traseira, do difusor soprado e com o estreitamento da asa dianteira, a perda de pressão aerodinâmica foi significativa e ainda não foi compensada.

Com isso, é possível que os pilotos tenham que tirar um pouco o pé na Eau Rouge, quem sabe até diminuir uma marcha. Ano passado, com o asfalto molhado, foi o que Lewis Hamilton fez na sua magnífica volta com a qual conquistou a pole position. Este ano, a expectativa é isso ocorra até mesmo no seco.

TEMPLO

Além das curvas desafiadoras, não se pode esquecer que Spa é um circuito de motor. Os pilotos passam 70% da volta com o pé afundado no acelerador. Da curva 1 (La Source) até a freada no final da reta Kemmel, são nada menos que 23 segundos de aceleração plena, talvez com aquela respiradinha mínima na entrada da Eau Rouge. Isso é com certeza boa notícia para quem usa motor Mercedes, não só a própria equipe prateada, mas também para Williams, McLaren e Force India. O brasileiro Felipe Massa poderia aparecer bem nesse cenário, com boa possibilidade de estar entre os quatro primeiros.

DESDE 1950

Quem ouviu nosso Programa Especial com as Crônicas de Spa já aprendeu que o espetacular circuito já estava presente na primeira temporada da Fórmula 1 em 1950, embora em seu antigo formato triangular de 15 quilômetros. Quem ouviu o programa também vai associar para sempre o triângulo a um monte de alguma coisa que não vou citar. Agradeço aos envolvidos Sérgio e Valesi.

Entre os pilotos correntes, o maior vencedor é nosso pitoresco Kimi Räikkonen, com quatro vitórias (2004, 2005, 2007, 2009). O alemão Sebastian Vettel vem em segundo, com duas vitórias (2011 e 2013). No programa comentamos que o GP da Bélgica de 2010 foi o ponto mais baixo da carreira do alemão. Com uma vitória em Spa, temos Jenson Button, Lewis Hamilton e Felipe Massa, este último com sua controversa vitória de 2008, que pode ter sido polêmica, mas justa à fria luz da lei.

Curiosamente, o mega-fodón Fernando Alonso nunca venceu em Spa pela Fórmula 1. Por outro lado, o asturiano tem em seu currículo uma vitória épica no circuito das Ardenas pela Fórmula 3000, então com 19 anos. Dificilmente Alonso perderá sua virgindade em vitórias em Spa neste 2014, principalmente com seu motor Ferrari-Marmorini empurrando muito menos que os Mercedões.

PNEUS OUSADOS 

Ao contrário dos outros anos, quando trouxe pneus médios e duros, a Pirelli resolveu inventar moda para 2014: trouxe os macios e médios, abrindo ainda mais essa janela de estratégia a ser desvendada pelas equipes e pilotos. Pode ser que a empresa italiana tenha optado por arriscar para evitar que a corrida tenha apenas um pit stop para cada carro. Por mais que o circuito seja agressivo com os pneus, a combinação médio/duro dos outros anos fez com que muita gente fizesse apenas uma parada e seguisse até o final com os pneus duros.

SAFETY CAR

Mesmo não sendo um circuito de rua com guard rails estreitos, a chance de haver safety car em Spa é alta: 80%. Pancadas em alta velocidade, chuva, pneus gastos… Parece que temos bons ingredientes para mais esse GP no templo de Spa.

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Yankees Are Back: Alexander Rossi na Marussia em Spa

O norte-americano Alexander Rossi vai correr o GP da Bélgica pela Marussia, no lugar de Max Chilton. Ué, mas o Alexander Rossi não era piloto reserva da Caterham? Sim, inclusive ele participou do treino livre de sexta-feira para o GP do Canadá de 2014. Além desse, ele tinha participado também dos treinos livres do GP do Canadá de 2013 e do treino de Jovens Pilotos em Silverstone, também no ano passado. Rossi também havia disputado os treinos do GP da Espanha de 2012, pondo fim a cinco anos sem nenhum piloto dos EUA participando de um final de semana de Fórmula 1 (desde Scott Speed em 2007 nenhum ianque guiava um F1 numa sessão oficial). Na época, ele ocupou a Caterham de Heikki Kovalainen no treino de sexta-feira.

Acontece que Alexander Rossi saiu da Caterham logo após o chefe Tony Fernandes vender a equipe para um consórcio obscuro, e havia recentemente se tornado piloto reserva da Marussia, justamente a outra nanica que está lhe dando a oportunidade de pilotar um F1 “pra valer”.

Diz-se que Chilton foi retirado do carro devido a “questões contratuais”. Em se tratando de uma nanica, não é difícil imaginar que algum cheque tenha voltado. A Marussia acrescentou que Chilton deve voltar ao cockpit assim que as tais “questões” forem sanadas.

Campeão de F-BMW Americas em 2008, Alexander Rossi tem como maior feito o terceiro lugar no campeonato de F-Renault WSR 3.5 em 2011, ano que foi disputado ponto a ponto pelo futuro ex-rubro-taurino Jean-Éric Vergne (aquele das cervejas) e pelo canadense Robert Wickens. O canandense acabou campeão, mas o mais importante no que se refere a Rossi é que ele foi um distante terceiro, ou seja, não se pode esperar exatamente um novo Mario Andretti, mas por outro lado ele parece ser um piloto lá com sua dignidade, tecnicamente falando.

Ele pega um pedreira, ao enfrentar o valoroso Jules Bianchi, estreando para valer justamente na desafiadora Spa-Francorchamps. Será uma disputa interessante de se acompanhar.

Verstappen e Lotterer. Estreantes distantes.

Semelhanças só nos noticiários
Semelhanças só nos noticiários

A F1 foi pega de surpresa essa semana com duas notícias que, na aparência podem ser parecidas, mas se olharmos a fundo são diametralmente opostas.

Primeiro, a Red Bull confirmou a dupla de pilotos da sua equipe satélite, a Toro Rosso, para o ano que vem, jogando Jean-Éric Vergne pra escanteio, e promovendo o mais novo (mesmo!) piloto de seu programa de desenvolvimento, Max Verstappen, atualmente com 16 anos (não disse?).

Hoje pela manhã, André Lotterer, tricampeão das 24 horas de Le Mans com a Audi, e que também defende a marca Lexus no Super GT e na Super Formula japonesas, foi anunciado como piloto da Caterham para este final de semana, em Spa.

Dois anúncios de estreias de pilotos em um único final de semana, e estas estreias não podem ser mais diferentes entre si do que as descrições acima dão a entender.

O "guri de tudo" abusadinho

O “guri de tudo” abusadinho

Max Verstappen não pode tomar champanhe no pódio, se isso acontecer (no Bahrein ele nem poderia mesmo, lá eles celebram o pódio com suco de maçã). Também não pode chegar ao autódromo por seus próprios meios, já que não possui carteira de motorista.

Mas ele é um fenômeno. Começou a correr de kart aos 7 anos, na Holanda, de onde é natural. O primeiro título veio em 2006, na categoria 125cc Rotax Max, e em nenhum dos anos até sua saída do kart, ficou sem algum título, tendo com destaques os WKS World Series em 2010 e 2011, o WSK Master Series em 2012, e no ano passado os títulos das categorias KZ e KF Europeus e KZ mundial.

E o guri continua fazendo chover na F3 Europeia. No primeiro teste com o bólido, em dezembro de 2013, se destacou positivamente pela velocidade. No mesmo mês, fez testes com carros da Formula Reanult, caminho natural para um piloto recém saído das fraldas do kart, onde colocou tempo em participantes regulares do campeonato, como Steijn Schothorst e Matt Parry. A escolha pela F3, pulando etapas, se mostrou acertada.

O filho de Jos “The Boss” Verstappen está fazendo chover esse ano. Faltando 6 corridas, res rodadas duplas, em Imola e Hockenheim, o pivete está em uma briga cabeça a cabeça contra Steban Ocon, francês líder do campeonato, ambos vencendo oito provas. A vantagem de Ocon está nos pódios: 19 a 13 para o conterrâneo do Jean Alesi.

youtube http://www.youtube.com/watch?v=p_qX3jf1kSk&w=560&h=315

Ele com 17 anos vai estar lá… E você aí…

E no momento em que Max Verstappen sentava a bunda num Kart competitivamente pela primeira vez, André Lotterer havia desistido de uma carreira convencional. Bem sucedido nas categorias de base, com destaque para os desempenhos nas F3 alemã e britânica, apesar de não ter conquistado títulos, foi contratado em 2002 pela Jaguar (lembram dela?) como piloto de testes.

Direto do túnel do tempo

Direto do túnel do tempo

Por muito pouco não virou piloto titular no ano seguinte, com a aposentadoria de Eddie Irvine e a mudança pra McLaren de Pedro de Lara la Rosa, mas a bagunça da gerência da Jaguar não só o deixou sem assento titular, como se viu na rua da amargura.

Ainda no final de 2002, tentou a sorte na última etapa da Champ Car, aquela categoria onde os pilotos iam morrer no começo dos anos 2000. Fez bonito no Autódromo Hermanos Rodríguez, qualificando em antepenúltimo e chegando em 12º, marcando um pontinho numa prova de paciência e recuperação.

Em 2003 André mudou-se de mala e cuia pro Japão, competindo desde então nas duas categorias mais importantes do país, a Super Formula e o Super GT, conseguindo excelentes resultados em ambos, com destaque para o vice em 2004 no Super Formula (ano em que Verstappen ESTREOU NO KART!), o campeonato da mesma categoria em 2011, e os títulos do Super GT em 2006 e 2009.

Essas corridas (também) deveriam ser transmitidas no Brasil!

Essas corridas (também) deveriam ser transmitidas no Brasil!

Esse desempenho destacado nas corridas de turismo japonesas levou ao convite de Colin Kolles (sim, o atual manda-chuva da Caterham na F1) para pilotar um Audi R10 privado na edição de 2009 das 24 Horas de Le Mans, minha corrida preferida do ano.

Acompanhado de Charles Zwolsman e Narain Karthikeyan, sendo que este último deslocou o ombro e não correu, fez uma corrida sólida, terminando em 7º, o que levou ao convite para ser piloto de fábrica.

Lotterer, um piloto muito completo (e na minha opinião o melhor dos atuais pilotos da Audi, à exceção de Mr. Le Mans Tom Kristensen) viveu o sonho por 3 vezes, em 2011, 2012 e este ano, sempre em companhia de Marcel Fässler e Benoît Tréluyer, também sendo vitorioso no FIA World Endurance Championship em 2012.

Isso é que o cara é capaz de fazer…

A notícia da estreia do bebê Max Verstappen pegou todos de surpresa. Um piloto tão novo, pulando etapas de formação, tanto de caráter quanto de piloto, pode dar muito errado. Mas a experiência demonstra que pode dar certo, afinal, o único campeão da GP2 que venceu um título da F1 foi Lewis Hamilton, enquanto pilotos como Raikkonen e Button têm taças de campeão pra colocar na estante de casa, pulando muitas etapas da base também.

O problema, na minha opinião, foi a porta pela qual o menino Verstappen decidiu entrar na F1: a Red Bull e seu moedor de carne em forma de cockpit.

Bons pilotos já passaram pela equipe dos energéticos: Buemi, Alguersuari, Liuzzi e Bourdais podem não encher os olhos de nenhum cabeça de gasolina, mas são caras competentes e que poderiam alcançar melhores assentos na F1, não fossem os contratos amarrados com Dietrich Mateschitz e seus asseclas. Sou só eu ou o Buemi não seria um bom segundo piloto pra uma Ferrari da vida, por exemplo?

Esse experimento deu relativamente certo com Daniil Kvyat, o soviético que estreou esse ano pela Toro Rosso. Com credencial de campeão da GP3 do ano passado, vem fazendo uma temporada correta com o equipamento que tem, deixando o companheiro de equipe Jean-Éric Vergne tão à sombra, a ponto de causar sua demissão.

Será que dura?

Será que dura?

Mas isso não quer dizer que o raio caia duas (ou quatro, se contarmos Vettel e Riccardo, já consolidados, e que as promessas Kvyat e Verstappen vinguem) no mesmo lugar.

A contratação de Lotterer pela Caterham para apenas a corrida de Spa é estranha também. Normalmente essa história de colocar pilotos pra sentar e pilotar, sem ter participado do desenvolvimento do carro, só gera problemas e maus resultados. Quem aí se lembra de Badoer e Fisichella na Ferrari em 2009, depois do acidente do Felipe Massa?

As happy as pig in sh*t!
As happy as pig in sh*t!

Por que Lotterer, um cara reconhecidamente como um dos melhores pilotos da sua geração, com carreira consolidada, tanto nos monopostos japoneses quanto no Endurance, se sujeitaria a sentar na cadeira elétrica da Caterham, por um único final de semana? Só pra “matar o tesão”, como Emerson Fittipaldi fez com a Spirit-Hart nos testes de pneus de 1984?

Além do mais, a equipe sai perdendo ao ceder o carro do Mito Kamui Kobayashi para Lotterer. Afinal de contas, ninguém espera que Marcus Ericsson seja a solução da equipe para alcançar o décimo lugar do Campeonato de Construtores, certo? Dessa forma, tiram o piloto mais competente da equipe, para uma aventura de um final de semana… Tem que ver isso aí.

Pra terminar, deixou vocês com um pensamento que me ocorreu: Max Verstappen, que nem barba tem, é anunciado como piloto de F1 na mesma semana que outro piloto, de cabelos brancos, vai fazer sua estreia na categoria.

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Fórmula 1 em alto e bom som