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Host, Editor-Chefe, Contínuo, Boss e Office-Boy: Carlos Del Valle

Convidados deste programa:

Sérgio Dias, do Boteco F1

Valesi, do Melhor Blog sobre Nada

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O primeiro episódio desta série foi o Programa 89 – Especial Bernie parte 1: Origens, Motivos e Segredos

A principal fonte de informações sobre a história de Bernie Ecclestone neste programa é o livro “Não Sou um Anjo – Revelações Inéditas de Bernie Ecclestone”, lido e resenhado pelo Valesi.

bernie dedo medio middle finger

RESUMÃO DO EPISÓDIO ANTERIOR:

Bernie na escola fazia escambos com comida, trabalhava como entregador de jornais, e comprava comida para revender no pátio da escola com lucro. Chegou a contratar outras crianças maiores como guarda-costas para evitar roubos e calores.

Bernie sempre teve talento para o comércio. Desde a adolescência, mexeu com compra e venda de motos e carros usados, multiplicando o valor dos estoques que arrematava. Chegou a tentar correr de moto e de carro, até na Fórmula 1, mas não era exatamente muito talentoso.

No final dos anos 50 e começo dos 60, Bernie foi se envolvendo cada vez mais com o automobilismo e a Fórmula 1. Chegou a ser empresário do jovem piloto Stuat Lewis-Evans, que acabou falecendo num acidente, depois foi muito amigo do Jochen Rindt, que também acabou falecendo.

No início da década de 70, a lendária equipe Brabham estava sem rumo. O fundador e tricampeão Jack Brabham tinha voltado embora para a Austrália e deixado a equipe com Ron Tauranac, mas muita gente tinha abandonado o barco, inclusive um talentoso mecânico chamado Ron Dennis. No fim, o Bernie comprou a equipe Brabham por uma bagatela e ficou felicíssimo, segundo ele o melhor negócio que poderia ter feito na vida.

Então Bernie passou a ser um construtor, um dono de equipe, e passou a lutar pelos direitos das equipes, negociando melhores acordos com autódromos, promotores de corridas e com a televisão. Por causa de Bernie, a FOCA (Associação dos Construtores da Fórmula 1) passou a ser uma entidade cada vez mais poderosa, e as equipes achavam isso ótimo, porque tinham um negociador talentoso que levava sua parte mas garantia bons acordos com promotores e com a TV.

A associação dos construtores deu tão certo que começou a rivalizar com o órgão esportivo que é a FIA. Houve grandes pendengas entre a FOCA e a FIA nos anos 80, com greves, boicotes e muitas quedas de braço entre Bernie e o chefão da FIA, Jean-Marie Ballestre. No meio de tanta confusão e com os négócios como promotor indo de vento em popa, Bernie tomou a decisão de não mais se envolver diretamente com a Brabham e vendeu a equipe.

NESTE EPISÓDIO (PARTE 2):

No final de 85, para conseguir sair da Brabham, Piquet disse que a McLaren o queria. Bernie correu até Ron Dennis e o convenceu a não pagar mais do que ele tinha oferecido. Após se achar seguro, deu carta branca para o brasileiro trocar de equipe. Piquet então confirmou a ida para a Williams, que já estava acertada.

Bernie tentou contratar Lauda, porém o relacionamento dois dois era de desconfiança mútua. Acabou fechando com Elio de Angelis, que estava na Lotus.

Ecclestone mudou o projeto do carro sem a aprovação de Gordon Murray. Durante os testes em Marselha, uma das asas soltou-se do carro e De Angelis bateu a 290 km/h, morrendo instantaneamente. Além de perder o piloto, o patrocínio da BMW também tinha ido embora. Murray acabou saindo da equipe e indo para a McLaren. Em 87, a Brabham ficou em penúltimo lugar. Sem bons pilotos, patrocinadores ou amigos no grid, Ecclestone acabou vendendo a equipe para a Alfa Romeo.

bernie max mosley ballestre

O ESTADO SOU EU 

Bernie então aliou-se novamente a Max Mosley com o intuito de tomar definitivamente a F1 das mãos das equipes e de Balestre. Entre 88 e 90, Ecclestone sedimentou os contratos com os circuitos, muitas vezes colocando seu próprio dinheiro em melhorias (em troca de um acordo financeiro muito vantajoso) e com as emissoras de TV, oferecendo duas horas de transmissão em horário nobre aos patrocinadores. A BBC foi a primeira a aderir ao esquema de transmissão do “grid walk”, fornecendo 30 minutos extras de exposição.

Max Mosley não teve o apoio de Ecclestone para concorrer com Balestre ao cargo de presidente da FIA, em 91. Isso não afetou a amizade entre os dois:

– “Bernie está nessa por dinheiro, não por poder.”

1993 foi o ano do início da queda de braço entre Ecclestone e as equipes; enquanto o inglês defendia uma F1 “pura”, McLaren e Williams forçavam a entrada de alta tecnologia nos carros. Na tentativa de alterar o balanço de poder, Bernie sugeriu a Luca di Montezemolo a contratação de Jean Todt.

Bernie também sugeriu a obrigatoriedade do reabastecimento – no início as equipes foram contra, pelos custos. -“Deixem que eu forneço o equipamento”, ele disse. Depois mandou a conta: -“Eu disse que forneceria, não que pagaria”.

Na luta contra as três equipes inglesas (McLaren, Williams e Tyrrell), acabou surgindo mais um aliado: Flavio Briatore. A amizade começou quando Bernie sugeriu e intermediou a transferência de Schumacher entre a Jordan e a Benetton.

No fim de 96, o Pacto da Concórdia entre a FIA e as equipes iria expirar. Um ano antes, para conseguir uma vantagem na negociação de um novo pacto, Max Mosley começou a cortejar Bernie. Depois de meses de reuniões, conseguiu o apoio dele, porém a um custo: a FIA vendeu todos os direitos sobre a F1 a Ecclestone por 9 milhões de dólares por 15 anos.

Após isso, com a descoberta de problemas cardíacos e a possibilidade de deixar sua esposa e filhas sem herança, Bernie acabou criando várias subsidiárias em paraísos fiscais e iniciou o processo de abertura de capital da F1. Em 29 de maio de 1999, um dia após conseguir um aporte de capital de 1,4 bilhões de dólares e de criar a FOM (a abertura de capital nunca aconteceu, basicamente pelas táticas administrativas de Ecclestone), Bernie foi submetido a uma revascularização miocárdica (3 pontes).

A GUERRA DOS 100 ANOS

Em 28 de junho de 2000, Bernie pagou 360 milhões de dólares à FIA pela cessão dos direitos da F1 por um prazo de 100 anos. Isso permitiu que a FOM continuasse tocando o negócio, e garantiu a Max Mosley que a FIA continuaria sendo dona da Fórmula 1.

Porém, após pagar 60 milhões, Ecclestone ameaçou não pagar o restante. Com uma relação que já estava se deteriorando e medo de perder a queda de braço, Mosley foi procurar ajuda. Se encontrou com Paolo Cantarella, então diretor da Fiat, e o encorajou a criar uma categoria à parte, levando a Ferrari para lá. Renault, BMW, Mercedes e Jaguar apoiaram a ideia. Bernie pagou – a FIA exigiu juros de 13,6 milhões pelo atraso – e os contratos definitivos foram assinados em 21 de abril de 2001.

Em Indianápolis 2005, Bernie tentou porém não conseguiu convencer Max Mosley e Jean Todt a instalar uma chicane na curva 13. Os carros com pneus Michelin não correram. Mosley carregou toda a culpa pela decisão equivocada.

Em 2006, a F1 foi vendida ao grupo inglês CVC, e Bernie mantido como CEO com um salário anual de 2,5 milhões de libras (com direito a bônus extra de 1 milhão de libras e ressarcimento de despesas, incluindo o combustível de seu jato Falcon). As equipes, que recusaram a oferta para comprar as ações anteriormente, entraram em guerra com o novo dono: queriam 75% da renda anual, e não os 50% oferecidos.

Em 2007 Ron Dennis estava disposto a vencer o campeonato. Tirou Alonso da Renault para brigar diretamente com a Ferrari. Em junho, Todt ficou sabendo através de um telefonema do gerente de uma copiadora que a esposa de Mike Coughlan havia levado as 780 páginas do manual da Ferrari 2007 para serem gravados em CD. Na investigação que se seguiu, descobriram que a fonte de vazamento havia sido o diretor técnico da Ferrari, Nigel Stepney. Em Silverstone, Todt contou tudo a Max Mosley. Em 12 de julho, Mosley indiciou a McLaren por quebra do código de conduta da F1. Alonso, sentindo-se preterido na disputa interna contra Hamilton, entregou a Briatore emails que mostravam que quatro diretores da McLaren tinham visto os documentos. Passando por Ecclestone, estes emails chegaram a Mosley, que convocou o Conselho Mundial da FIA em setembro.

Bernie aconselhou Ron Dennis a comparecer sozinho ao julgamento e declarar culpa. Ao invés disto, o dirigente da McLaren chegou com vários advogados e, ao invés de defender-se, atacou a Ferrari. Isso fez com que a equipe inglesa fosse declarada culpada, e Mosley a suspendeu por dois anos da F1. Ecclestone foi frontalmente contra, sugerindo uma multa de 100 milhões de dólares. Mosley acabou cedendo:

– “5 milhões pela contravenção, e 95 por Ron ser um panaca.”

Em março de 2008, após o News of the World publicar as fotos de Max Mosley numa orgia com prostitutas fantasiadas de nazistas, Bernie ficou em uma situação muito complicada. Pressionado por todos os lados para exigir a renúncia do presidente da FIA, ainda sentia que devia lealdade ao velho amigo. No início, manteve seu apoio, mas pediu que Mosley não comparecesse às corridas.

Vídeo:
http://www.liveleak.com/view?i=4d3_1207044480

Porém, três corridas depois, chegou a vez de Mônaco. Mosley não poderia (nem queria) faltar à prova socialmente mais importante do campeonato. Os executivos da CVC (um deles judeu), aumentaram a pressão sobre Ecclestone. Bernie sugeriu irem até o box da Ferrari. Lá, Jean Todt disse ser contra a renúncia do presidente. Bernie agradeceu o apoio e deu uma entrevista à BBC dizendo que Max era bem vindo ao paddock. Até o final da noite do domingo da corrida, a pressão ficou insuportável. No dia seguinte, Ecclestone telefonou a Mosley sugerindo que ele renunciasse. Max negou a ideia, e achou que Bernie o estava traindo. Em junho, após sair vitorioso da sessão do Conselho Mundial que o manteve no cargo, resolveu contra-atacar e baixou as regras para redução de custos e auditoria financeira nas equipes. Prostitutas e nazis elas tolerariam, mas isso era demais. Começou a guerra. As equipes queriam tomar o poder da FIA (e e Bernie) para dividi-lo com a CVC. Isso fez com que Mosley e Ecclestone se tornassem novamente aliados, visando proteção mútua. Do outro lado, após finalmente resolverem jogar juntos, McLaren e Ferrari conseguiram convencer as outras equipes a criar a FOTA.

No final de setembro, na primeira corrida noturna da história, em Cingapura, a batida de Nelsinho Piquet deu a vitória a Alonso. Bernie parabenizou Briatore e voltou para casa. Em Interlagos, Bernie encontrou Piquet pai, mas conversaram apenas sobre os velhos tempos. Nelsão chamou Charlie Whiting e contou da armação de Briatore. Whiting repassou a informação à Max Mosley, que decidiu não fazer nada até ter provas.

bernie ecclestone flavio briatore

Paralelamente, Bernie estava passando por problemas pessoais. Slavica, então com 50 anos, saiu de casa e pediu o divórcio. Ela não suportava mais estar casada com um homem de 78 anos que recusava-se a pedir a aposentadoria e aproveitar seus bilhões.

O sucesso da Brawn em 2009, com seu difusor duplo que foi considerado por Mosley como regular, deixou as equipes mais furiosas ainda. Ron Dennis, Luca di Montezemolo e Flavio Briatore estavam certos que a FIA vinha favorecendo as equipes menores para provar o ponto da redução de custos. Ao mesmo tempo, Briatore imaginava que Ecclestone estava enfraquecido, e queria que a CVC o nomeasse sucessor do inglês. Em junho, a FOTA anunciou a criação de um campeonato paralelo.

Isso fez com que Ecclestone e a CVC se virassem contra Mosley, exigindo sua renúncia. A FOTA admitiu assinar um novo Pacto da Concórdia se o presidente da FIA renunciasse. Mosley se reuniu com Ecclestone e Montezemolo e finamente admitiu sair do cargo, desde que fizesse seu sucessor, que estava sendo preparado secretamente há quatro anos: Jean Todt, francês e judeu.

Em agosto, Bernie decidiu espairecer e convidou alguns amigos para velejar. Entre eles estava Tamas Rohony, organizador do GP do Brasil. Ele trouxe como convidada Fabiana Flosi, de 33 anos, que era advogada da Fórmula 1 em São Paulo. Ela marcou a transição de duas eras para Bernie Ecclestone.

Piquet havia finalmente contado a Bernie sobre a trapaça de Cingapura. Ecclestone o aconselhou a falar com Mosley, o que o tricampeão fez em Nurburgring. Max disse que Nelsinho precisava dar um depoimento para um advogado. Na prova seguinte, na Hungria, Briatore ameaçou demitir Piquet Jr. Nelsão ficou fulo, e Bernie o aconselhou a botar a boca no trombone.

Enquanto isso, o novo Pacto da Concórdia foi assinado, com uma vitória das equipes nos termos. Durante a corrida em Spa, enquanto Mosley presidia uma investigação com todos os funcionários da Renault (Pat Symonds incluso), Reginaldo Leme soltava a bomba no ar. No dia seguinte, o mundo inteiro comentava sobre a corrupção de um esporte controlado por dois bilionários. Briatore foi afastado, e depois banido. “Todo mundo trapaceia na Fórmula 1; ele foi apanhado”, disse Bernie na época. Ao ser visto com Briatore, anos depois, declarou: “o passado de Flávio nunca foi problema para mim; não dá para acreditar em pessoas que se dizem honestas.”

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Carlos Del Valle

Podcaster. Imerso em Fórmula 1. Nada mais lógico do que um podcast sobre Fórmula 1.

13 comentários

thoma shenrique · 19 de janeiro de 2015 às 0:13

primeirooooo

thoma shenrique · 19 de janeiro de 2015 às 0:15

quero agradecer aos meus pai, familia e ao meu cachorro…ah mandar um abraço a todos lá da rua kkkkkkk

raul b.f · 19 de janeiro de 2015 às 0:28

vocês são os melhores parabens

    Carlos Del Valle · 22 de janeiro de 2015 às 17:54

    Obrigado Raul, apareça sempre 🙂

Willian Schlichting · 19 de janeiro de 2015 às 10:12

pow, os caras postando a parada meia noite, me F#@!%

kkkk.

bora ouvir :).

Rodrigo "Digão" · 19 de janeiro de 2015 às 10:14

Um substituo para esse episódio poderia ser “Bernie contra o mundo!”

Lucas · 19 de janeiro de 2015 às 15:23

Amigos, parabéns pelo podcast. Bem divertido e informativo.

Só uma pequena correção: no fim de 1987, o Ecclestone não vendeu a Brabham (MRD) pra Alfa Romeo, e sim pro Walter Brun, o suíço que era dono de equipe de protótipos – e da famigerada EuroBrun também.

Um abraço!

    Valesi · 19 de janeiro de 2015 às 17:51

    Ops! Canelada nossa, então.

    Valeu pela correção, Lucas!

Sr. Deniro · 20 de janeiro de 2015 às 13:23

Tava aguardando a parte 2

Joshué Fusinato · 22 de janeiro de 2015 às 16:39

Ninguém apontou a canelada do nosso amigo Host, quando falando sobre Indianápolis, disse que as equipes que não corriam com Michelin usavam pneus Goodyear, quando na verdade os pneus eram Bridgestone…

    Carlos Del Valle · 22 de janeiro de 2015 às 17:01

    Agora alguém apontou!

Jurandir Soares Da Cruz Oliveira · 27 de janeiro de 2015 às 18:47

É preciso respeitar o Tio Bernie. Ninguém tem só acertos na vida, e ele fez muito por esse esporte.

    Carlos Del Valle · 28 de janeiro de 2015 às 14:45

    Oi Jurandir, minha visão é similar, acho que a megalomania financeira dele tem alguns lados positivos, a categoria hoje passa longe de ser mambembe muito graças a ele

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