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Host, Boss, Timoneiro, Contínuo, Editor-Chefe e Asno Volante: Carlos Del Valle

A Scuderia Ferrari usou carros Alfa Romeo durante muito tempo. Este Alfa 8C foi o primeiro a usar a lendária insígnia do  Cavallino Rampante, nas 24h de Spa em 1932.

A Scuderia Ferrari usou carros Alfa Romeo durante muito tempo. Este Alfa 8C foi o primeiro a usar a lendária insígnia do Cavallino Rampante, em 1932.

Convidados deste programa:

Sérgio Siverly, do Boteco F1

Valesi, do Melhor Blog sobre Nada

Joshué Fusinato, autor de vários artigos no Podcast F1 Brasil

Fernando Campos, que pilota o Instagram do PF1BR

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Enzo Anselmo Ferrari: nascido em 18 de fevereiro de 1898 em Modena, na Itália, filho de carpinteiro. Aos 10 anos assistiu a uma corrida de carros, chamada “Circuito de Bologna”, um circuito de 52km, em 1908, vencida por Felice Nazarro.

Quando Enzo tinha 16 anos, estourou a Primeira Guerra Mundial, em 1914. Enzo foi enviado para dar banho nas mulas e depois para uma divisão de artilharia. Dino foi mandado para ser motorista de ambulância. Seu pai e seu irmão morreram de infecção durante a Guerra, em 1916. O próprio Enzo pegou a gripe em 1918 e foi dispensado do Exército.

Enzo conseguiu uma carta de recomendação do general de seu batalhão e partiu para Turim, o centro automobílistico da Itália, em busca de trabalho. Já se mostrando um cabeça de gasolina, foi tentar uma vaga numa empresa chamada FIAT, mas não conseguiu.

Enzo acabou arrumando emprego na CMN (Construzioni Meccaniche Nazionali), em Milão, como piloto de testes da empresa. Foi depois promovido a piloto de corridas (a bordo de um modelo CMN 15/20, que tinha um motor quatro cilindros de 2,3 litros), e estreou como piloto em 1919 (aos 21 anos), numa corrida de subida de montanha entre Parma e Poggio di Berceto, terminando em quarto na categoria abaixo de três litros. Ainda no mesmo ano de 1919 ele fez parte da lendária prova Targa Florio, mas abandonou com problemas no carro da CMN (vazamento no tanque de combustível).

Targa Florio: o traçado tinha 108km de extensão, com largada e chegada na cidade de Cerda, passando diversas cidades da Sicília, em uma pista cheia de curvas, e variação de elevação de 600m de altitude, até o nível do mar. A Targa Florio, nessa época, era considerada a corrida mais importante do calendário de Grand Prix, tendo em vista que nem as 24 Horas de Le Mans ainda haviam sido criadas.

No ano seguinte, em 1920, Enzo deixou a CMN para correr para a Alfa Romeo; sua única condição foi a de que contratassem Ugo Sivocci como piloto também – essa foi a forma de lhe retribuir o favor de lhe ter arranjado o emprego na CMN. Foi nessa época que iniciou a história do mítico Cavallino Rampante, o emblema da Ferrari. Enzo recebeu da mãe de Francesco Baracca (a condessa Paulina) o emblema do Cavallino Rampante, que ficava inscrito na lateral do avião deste. Enzo e Francesco eram amigos no exército. Baracca tinha sido um ás de destaque durante a guerra, e o emblema do Cavalinho foi tirado dos destroços de seu avião, quando ele morreu em 1918. Enzo não usou o Cavalinho enquanto era piloto da Alfa Romeo, passando a usar o emblema somente a partir de 1932, quando fundou sua própria Scuderia; o fundo amarelo no símbolo da Ferrari representa a cor oficial da cidade de Modena.

Documentário:

Em 1923, Enzo vence o primeiro Circuito del Sávio. Entre 1920 e 1929, Enzo venceu 13 das 47 corridas de que participou – mais do que uma em quatro.

Uma curiosidade é que Ferrari convenceu a Alfa Romeo a começar a vender carros para outros times tendo o próprio como vendedor e entregador. Numa dessas entregas, conheceu uma menina chamada Domenica, uma jovem de 21 anos que frequentava um café no qual os pilotos iam. Casaram em 1923.

De volta ao trabalho, a Alfa Romeo queria fazer um novo carro batizado de P1. Ferrari convenceu Luigi Bozzi, o Adrian Newey de sua época, a largar a FIAT pra lá e vir trabalhar com ele no projeto do P1 da Alfa. Sivocci, Ferrari e Bozzi, mais os pilotos chegaram apenas um dia antes do GP em Monza. No treino, Sivocci perdeu o controle do carro e morreu na hora. Imagina o coração de Ferrari ao ver a morte do cara que o ajudou a construir tudo.

Bozzi convenceu Ferrari a chamar outro funcionário da FIAT, o gênial Vittorio Ignano. Juntos, começaram a trabalhar no carro novamente e chamaram o Alfa Romeo de P2, pilotado por Ascari que bateu o recorde de velocidade da história, 181m/h e ganhou a corrida em Cremona.

Em 1924 ganhou a primeira Copa Acerbo em Pescara, um sucesso que encorajou a Alfa Romeo a oferecer uma chance para o garoto correr em competições mais reconhecidas. Ainda chocado com a morte do Antonio Ascari em 1925, Ferrari não aceitou a oportunidade oferecida pela Alfa para focar no desenvolvimento dos carros da Alfa Romeo direto na fábrica, criando uma equipe entre 40 pilotos, incluindo Giuseppe Campari e Tazio Nuvolari. Ferrari continuou correndo até 1932, antes de abandonar a Alfa Romeo para criar a Scuderia Ferrari.

Ainda em 24, Enzo se torna Cavaliere, primeira sua primeira condecoração pelo Estado italiano. Em 1927, se torna Commendatore pelo Estado italiano, em reconhecimento a suas contribuições no automobilismo. Também em 1927, Enzo vence o primeiro Circuito di Modena.

Em 1929 funda a Scuderia Ferrari, em Modena. O objetivo desta era permitir que os proprietários-pilotos pudessem correr. Sua fundação marca o início de uma explosão de atividade esportiva frenética que levará à criação de uma equipe oficial. A Scuderia tinha tanto carros (principalmente Alfas) quanto motos.

Em 1931, completa sua última corrida como piloto. Essa decisão foi influenciada pela chegada de seu primeiro filho, Alfredo, mais conhecido como Dino.

A Alfa Romeo concordou em patrocinar Ferrari até 1933, quando uma crise financeira obrigou a empresa a cancelar o apoio, mas uma intervenção da Pirelli salvou a escuderia. Apesar da qualidade dos pilotos, a equipe sofreu para competir com a Auto Union e Mercedes. Mesmo com o domínio do time alemão, a Ferrari conseguiu uma vitória notável em 1935 quando Tazio Nuvolari derrotou Bernd Rosemeyer e Rudolf Caracciola, justamente no Grande Prêmio da Alemanha.

No entanto, a Alfa Romeo decidiu encampar a Scuderia Ferrari, tornando-a parte de sua nova organização de competição, chamada Alfa Corse. A ideia original era de Enzo Ferrari ser o Chefe da Equipe Alfa Corse, mas a relação durou pouco e terminou amargamente. No dia 6 de setembro de 1939, Enzo Ferrari deixa Alfa Romeo sob a condição de que ele não usaria o nome Ferrari em associação com equipes ou carros de corrida por pelo menos quatro anos. Daquele momento em diante, superar a Alfa Romeo em um de seus próprios carros torna-se uma de suas metas.

Em 13 de setembro Enzo abre a “Auto Avio Costruzioni” na Viale Trento Trieste, em Modena. A antiga sede da Scuderia Ferrari. Enzo não conseguiu começar a produzir seus carros, pois a WWII estava começando, e ele foi obrigado a produzir equipamentos militares.

O primeiro carro construído por Enzo Ferrari, ainda com o nome de Auto Avio Construzioni 815, devido à proibição de usar o nome Ferrari.

O primeiro carro construído por Enzo Ferrari, ainda com o nome de Auto Avio Construzioni 815, devido à proibição de usar o nome Ferrari.

No auge da Guerra em 1943, a Auto Avio Costruzioni sai de Modena e vai para Maranello, onde a primeira parte do que se tornaria mais tarde a fábrica da Ferrari é construída. Em 1944, a fábrica foi bombardeada pela primeira vez, e seria novamente atingida em Fevereiro de 45, mas foi rapidamente reconstruída.

A Ferrari começa a trabalhar no projeto de seu primeiro carro no final de 1945. Seu plano ambicioso era de equipá-lo com um motor V12. Essa arquitetura em particular se tornaria frequente ao longo da história da companhia. A razão para ter escolhido um V12 foi sua versatilidade: era tão adequado para uso em protótipos esportivos como monopostos e até mesmo em Grand Tourers.

O primeiro carro construído com o nome Ferrari: a 125 S de 1947

O primeiro carro construído com o nome Ferrari: a 125 S de 1947

A Ferrari 125 S, equipada com motor V12 de 1,5 litro foi o primeiro carro a trazer o emblema da Ferrari como o conhecemos; o motor entregava 118 cv e a caixa de câmbio tinha cinco marchas, sendo que potência máxima era entregue a 6.800 rpm, com supercharger.

A Ferrari venceu sua primeira Mille Miglia em 1948 e as 24 horas de Le Mans em 1949. Venceu ainda a Targa Florio de 1949.

Chico Landi foi o primeiro brasileiro a vencer um Grande Prêmio, no caso o Grande Prêmio de Bari em 1948, guiando uma Ferrari 166. Foi o primeiro brasileiro a guiar uma Ferrari, contratado pelo próprio Comendador. Na época, havia uma perseguição ao comunismo no Brasil, e os italianos eram vistos como traidores em potencial. Pilotar um carro vermelho seria visto como algo suspeito. Chico tentou convencer Enzo a lhe entregar um carro de outra cor, chegando a justificar:
“Comendador, eles vão me matar!”

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Carlos Del Valle

Podcaster. Imerso em Fórmula 1. Nada mais lógico do que um podcast sobre Fórmula 1.

15 comentários

Sra. Flowers (@DehFlowers) · 20 de julho de 2015 às 1:08

Girl Power²! Mais rápida que a Mercedes!

Paulo · 20 de julho de 2015 às 1:09

Oi

Rafael Amico · 20 de julho de 2015 às 1:13

Seria eu a Willians do JumpStart?

Alex Fieni Pedroni · 20 de julho de 2015 às 4:34

Aparentemente, quem pega o jeito do Jump Start, não larga mais. rs

Mas, mais uma excelente série iniciada. Baixando…

Jordan Bandeira · 20 de julho de 2015 às 9:04

Opa. Mais um especial. Quero ouvir Del Valle falando sobre sua equipe favorita, rs.

Valesi · 20 de julho de 2015 às 9:13

#ForzaFerrari

Diego Ricarte · 20 de julho de 2015 às 21:20

Muito bom. Já estou ansioso para o período da Ferrari na F1.

Fabiano Forte · 20 de julho de 2015 às 21:35

Muito bom! Um dos melhores! Já ansioso pela parte 2!

rubens.exe (@rubensGPnetto) · 21 de julho de 2015 às 13:45

Parabéns amigos, excelente programa!
Fiquei feliz em saber que este especial é fruto do Patreon, na torcida para que mais ouvintes fiquem animados a participar do Patreon e assim novas metas sejam alcançadas, novos programas, o novo site… enfim, parabéns a todos!
Um efusivo abraço!
P.s.: Ficou tão bão, mais tão bão demais da conta, que estou ouvindo pela segunda vez!

Tiago Oliveira · 22 de julho de 2015 às 8:22

Excelente programa.

Mas pelo que eu saiba, o Baracca nunca conheceu o Enzo, e era algo mais de admiracao (e o espirito nacionalista crescente na Italia e Europa na década de 20) do que uma amizade entre um nobre cavaleiro heróico e um industrial self-made prodígio.

Parabéns e #CiaoJules!

    Valesi · 30 de julho de 2015 às 22:15

    Tiago, sabe que esta informação é realmente controvertida; em algumas fontes, li que ambos foram amigos durante a guerra, mas em outras está escrito que realmente nunca se conheceram, e que o cavalo rampante é fruto apenas da admiração de Enzo pelo ás italiano.

    De certo, só que a idéia foi da condessa Paulina Baracca.

Vitor Parise · 23 de julho de 2015 às 11:09

Turim é no norte da Itália, não “descendo! Pra descer até Turim vc tem que estar quase na fronteira norte!

    Valesi · 30 de julho de 2015 às 22:17

    Vitor, seu comentário está geograficamente preciso. Turim fica a oeste e 01 grau mais ao norte que Modena, portanto Enzo não desceu, e sim subiu.

    Canelada minha, obrigado pela correção!

João Vítor Dieter Hafemann · 27 de julho de 2015 às 0:35

Comentando esse post de um futuro próximo

Bruno Escarim (KartBuzz Podcast) · 30 de julho de 2015 às 19:14

Sensacional. Que baita história bacana vocês nos contaram! O lance do logo da Ferrari então….muito show!

Parabéns pessoal!

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