155 Especial 1986 parte 10: a Grande Final em Adelaide, com Piquet, Mansell, Prost e o famoso Sobrenatural de Almeida

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Host, Boss, Timoneiro, Contínuo, Editor-Chefe, Asno Volante e Office-Boy:  Carlos Del Valle

Convidados deste programa:

Sérgio Siverly, do Boteco F1

Fernando Campos, que pilota o Instagram do PF1BR

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15. GP DO MÉXICO

O circo da F1 voltava ao México após 16 anos, num Autódromo Hermanos Rodríguez que havia sido encurtado e recapeado, uma situação semelhante à que foi vista em 2015. A última corrida antes daquela de 1986 tinha sido o GP do México de 1970, em que a torcida de 200 mil pessoas se mostrou na prática incontrolável, se apinhando à frente dos guard rails e por vezes até atravessando a pista durante os treinos e provas. O vencedor em 1970 foi Jacky Ickx, com sua Ferrari 312B, à frente do outro piloto da Scuderia, que havia feito a pole: Clay Regazzoni.

Nos treinos, mais uma pole do nosso suspeito usual: Ayrton Senna, desta vez porém sem Mansell seu lado, e sim Piquet, configurando uma dobradinha brasileira no grid de largada. Em terceiro vinha Mansell e a seu lado na segunda fila estava o jovem austríaco Gerhard Berger, com sua Benetton-BMW com pneus Pirelli (prestem bem atenção: Berger, Benetton, Pirelli). O outro candidato ao título, Alain Prost, tipicamente largou em sexto.

Como havíamos falado no último programa sobre 1986, Nigel Mansell chegou a esta penúltima corrida com a faca e o queijo na mão para ser campeão já no México. Mansell estava 10 pontos à frente de Nelson Piquet, e 11 à frente de Prost. Como a vitória valia nove pontos, bastaria a Mansell chegar à frente de seus rivais para levar o título. Havia porém dois complicadores para Mansell: o primeiro era que o inglês estava com problemas gastrointestinais, o famoso “Mal de Montezuma”. Além disso, em pleno sábado, saiu no Times de Londres um texto de ninguém menos que James Hunt, dando uma bela espinafrada em Mansell. No texto, James Hunt, que na época era o último britânico campeão mundial, dizia que Mansell era popular com a torcida, mas bastante impopular no paddock. Duas frases pesadas do texto eram, primeiro: “a torcida gosta da ingenuidade de Mansell, mas dentro do esporte essa atitude é encarada mais como tolice do que outra coisa”, e também “dentro do ambiente da Fórmula 1, praticamente ninguém torce pela vitória de Mansell”.

Na largada, as chances de título do britânico sofreram um duro golpe. Num caso clássico da síndrome de Webber-Barrichello, Mansell fez uma largada rídícula, indo parar no final do pelotão, em décimo-nono lugar, junto com a turma da Osella, Minardi e Zackspeed.

Na frente, a dupla brasileira Piquet-Senna liderou por um bom tempo, com o sempre perigoso Prost passado Berger e assumindo a terceira posição. Até mesmo Mansell remou loucamente pelo pelotão, indo parar logo atrás dos líderes, mas o intenso calor da Cidade do México cobrou seu preço no pneus Goodyear do inglês, que teve que fazer um pit stop para colocar um novo jogo de pneus. Depois disso, os outros concorrentes que usavam Goodyear, que eram Piquet, Senna e Prost também tiveram que parar nos boxes para colocar pneus novos.

Já Gerhard Berger, cuja Benetton estava calçada de Pirelli, percebeu que conseguiria chegar ao final sem fazer nenhum pit stop, já que seus pneus estavam bons e seu ritmo estava aceitável. Mesmo com pneus novos, os quatro cavaleiros do apocalipse Piquet-Senna-Prost-Mansell não conseguiam ganhar terreno contra Gerhard Berger, porque os Goodyear superaqueciam e formavam bolhas quando eles forçavam o ritmo. Com isso, Berger venceu sua primeira corrida na Fórmula 1, com sua estratégia de “zero paradas”, sendo também a primeira vitória da Benetton. O time de Enstone seria campeão mundial oito anos depois, em 1994, com Michael Schumacher, ainda foi campeão com Alonso quando tinha passado a se chamar Renault, se chamou Lotus por um tempo, e para 2016 vai voltar a se chamar Renault.

Na confusão de pit stops e gerenciamento de pneus, Alain Prost acabou superando os brasileiros e conseguiu um importante segundo lugar, à frente de Piquet, Senna e Mansell. No campeonato, Mansell ainda estava bem na fotografia, bastando um terceiro lugar na última corrida para conquistar o título, independentemente dos resultados dos rivais.

1. Nigel Mansell 70 (72)
2. Alain Prost 64 (65)
3. Nelson Piquet 63
4. Ayrton Senna 55

16. GP DA AUSTRÁLIA, o “Gran Finale”

Depois de muitas batalhas, chegamos à ultima etapa do campeonato, com Mansell precisando de apenas um terceiro lugar para ser campeão. Já Piquet e Prost precisariam vencer e torcer para Mansell chegar no máximo em quarto lugar. Esta era a segunda vez que F1 corria no circuito de rua de Adelaide, uma pista que sempre agradou a todos desde o primeiro momento. Uma das características de pista era ter algumas curvas de alta, e também um retão de quase um quilômetro, a famosa reta Brabham, onde os carros atingiam até 330 km/h.

Para completar seu favoritismo, Mansell ainda por cima fez a pole. A seu lado estava seu companheiro de equipe Nelson Piquet, com Senna em terceiro e Alain Prost em quarto, tipicamente a mais de um segundo do tempo da pole. Keke Rosberg largou em sétimo.

Na largada, Keke Rosberg, que estava se despedindo em definitivo da Fórmula 1, fez uma largada de míssil e pulou para terceiro. Além disso, Senna e Piquet pularam à frente de Mansell, que foi assim parar da pole para quarto lugar. Como de costume, o ritmo de corrida de Senna era pior, e ele foi ultrapassado por Piquet e Rosberg. O finlandês bigodudo em seguida passou Piquet, ainda na volta 7, assumindo a ponta, e começou a abrir uma enorme vantagem para o segundo colocado.

Atrás de Rosberg, vários acontecimentos importantes. Piquet rodou sozinho e perdeu algumas posições. Mais importante ainda, Prost teve um pneu furado e teve que fazer um pit stop não-programado. Guarde bem essa informação sobre o pit stop de Prost.

Curiosamente, tanto Piquet como Prost vieram remando no pelotão e acabaram inclusive ultrapassando Mansell, ficando portanto a ordem Rosberg, Piquet, Prost, Mansell. Logo depois, Keke Rosberg teve que abandonar em plena liderança, por causa de um pneu que explodiu. Com isso, os três postulantes ao título mundial ocupavam as três primeiras posições: Piquet, Prost, Mansell. Com esse resultado, Nigel Mansell seria campeão.

Foi então que ocorreu uma das cenas mais famosas da história da Fórmula 1. Na volta 64 de oitenta e duas previstas, o pneu traseiro de Mansell explodiu de maneira espetacular, no momento em que ele ultrapassava um retardatário, a aproximadamente 280 km/h. Felizmente Mansell conseguiu controlar o carro e não chegou a bater forte, mas sua Williams ficou com dano terminal na suspensão traseira.

Com isso, quem vencesse a corrida, entre Piquet e Prost, seria o campeão. Devido às explosões de pneus de Rosberg e Mansell, a Williams concluiu que seria arriscado demais manter Piquet na pista, com risco de mais uma explosão. Numa decisão difícil, trouxe Piquet para os boxes para uma troca preventiva de pneus, entregando a liderança para Alain Prost. Temos que lembrar que Prost já havia trocado os pneus por causa daquele furo entre as voltas 25 e 30.

Faltando duas voltas para o final, Piquet estava a 10 segundos de Prost. O brasileiro conseguiu tirar quatro segundos por volta, cruzando a linha a apenas dois segundos do francês. Mas não deu: Prost foi campeão, dois pontos à frente de Mansell e três à frente de Piquet.

Uma corrida épica e muito famosa, coroando uma temporada também épica e famosa. Como estas duas corridas foram muito especiais, vamos deixar para o próximo programa um balanço final da temporada, naquele será o último capítulo da famosa saga do quatro cavaleiros do apocalipse no longínquo ano de 1986.

Final:

1. Alain Prost 72 (74)
2. Nigel Mansell 70 (72)
3. Nelson Piquet 69
4. Ayrton Senna 55

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8 ideias sobre “155 Especial 1986 parte 10: a Grande Final em Adelaide, com Piquet, Mansell, Prost e o famoso Sobrenatural de Almeida”

  1. Ufa! Esperei sair toda a série pra ouvir numa mini-maratona. Muito legal relembrar uma temporada q eu era infante demais pra lembrar de coisas além das cores do carro do Senna e do Piquet, será q nao rola um vídeo com reviews de temporadas antigas com o Boteco F1? Será q o tio Bernie deixa?

    Um pedido de um germanizado fanatico por organizacao; Voce podem adotar um padrao sequencial pra nomear os arquivos mp3 dos podcasts? Cada arquivo fica com um nome distinto e é meio ruim de encontrar edicoes antigas ou organizar a playlist no PC.

    Parabéns!

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