221 Dossiê Nanicas 2017: o Capítulo Final de Manor, Marussia, Caterham, Hispania e muito mais

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Processo de Entrada das Novas Equipes para 2010

Eram 3 vagas para novas equipes, que usariam motores Cosworth, e algumas peças e passagem de tecnologia por algumas equipes. Não seriam permitidos chassis comprados de outro construtor.

As três equipes seriam:

  • Campos-Meta (Hispania)
  • Manor
  • USF1 (de Peter Windsor e Ken Anderson)

A USF1 não chegou a lançar carro nem disputar corrida. Anunciou seu colapso já durante o mês de fevereiro de 2010. A ideia era basear a equipe em Charlotte, nos EUA, e ter pilotos norte-americanos. Os resquícios da crise financeira e a administração duvidosa selaram o fim precoce da equipe.

Porém haveria uma terceira nanica, a Lotus Racing, que foi aceita para o lugar da BMW, que abandonou a Fórmula 1 de maneira súbita no final de 2009. Então as três nanicas seriam:

  • Hispania
  • Manor/Virgin (Richard Branson comprou os direitos de nomear a equipe)
  • Lotus Racing (“Lotus verde”), depois Caterham

HRT / Hispania

Originalmente Campos Meta, uma equipe com acionistas como José Ramon Carabante e até mesmo Pau Gasol.

Só fez 3 temporadas: 2010, 2011, 2012.

2010 Karun Chandok / Bruno Senna, na segunda metade Sakon Yamamoto no lugar do indiano

2011 Vittantonio Liuzzi e Narain Karthikeyan, na segunda metade Daniel Ricciardo no lugar do indiano.

2012 Pedro de la Rosa e Narain Karthikeyan.

Nunca marcou pontos. Sempre foi a pior entre as nanicas.

Lotus verde / Caterham

Talvez a mais pretensiosa das três nanicas, tendo um dono que tinha dinheiro e tinha vontade de se firmar na Fórmula 1: esse era Tony Fernandes, empreendedor bem-sucedido na área de mídia e de empresas de aviação.
Usou motor Cosworth apenas no primeiro ano, em 2010. De 2011 para frente, Tony Fernandes optou por botar a mão no bolso e usar motor Renault, mais caro porém melhor que o Cosworth.
Iniciou como Lotus Racing, através de acordo com a Proton, que possui os direitos dos carros de ruas da Lotus. Essa confusão ocorreu porque Colin Chapman tinha a Lotus separada em duas empresas: a Team Lotus, de Fórmula 1, e a Lotus Cars, que fazia carros de rua, e que foram parar em mãos diferentes com o falecimento de Colin Chapman e com o passar das décadas.
A #treta foi assim: o pessoal dos “carros de rua Lotus”, que tinha o acordo com a Lotus verde de Tony Fernandes, se encrencou com ele e proibiu o uso da marca Lotus. Tony Fernandes não se fez de rogado: foi atrás de quem tinha os direitos da equipe Lotus de F1, que tinha encerrado as atividades em 1994. Esse alguém era David Hunt, simplesmente o irmão de James Hunt. Foi um golpe de mestre de Tony Fernandes, porque deve ter pago uma ninharia a David Hunt, já que os direitos da marca Team Lotus não eram nada extremamente valioso. Para fúria e desespero do pessoal da Lotus Cars, Tony Fernandes passou a usar alegremente o nome da equipe original de Colin Chapman, Team Lotus, ao invés do nome Lotus Racing.

A #treta não acabou por aí. O pessoal da Lotus Cars, resolveu se aliar com a antiga Renault, que passou a ser a Lotus preta e dourada, ainda que não tendo nenhuma relação de pedigree com a equipe original de Colin Chapman. Com isso, houve época em que houve a Lotus verde, de Tony Fernandes, e a Lotus preta e dourada, de Enstone, descendente da Toleman, Benetton e Renault. Essa equipe hoje em dia é a Renault amarela. Como a briga pelo nome Lotus foi parar nas cortes, Tony Fernandes resolveu comprar a Caterham, marca de carros esportivos, e passou a usar o nome Caterham de 2012 em diante.

A Lotus verde / Caterham nunca marcou nenhum ponto em seus cinco anos de Fórmula 1, sendo dois como Lotus e três como Caterham, e sendo um ano com motor Cosworth e quatro com motor Renault.

Para a temporada de 2014, com a chegada da era turbo, Tony Fernandes deu um ultimato. Ou a equipe deslanchava, ou ele cortaria o cordão umbilical. Para azar dele, o motor Renault de 2014 era um completa jabiraca, que chegou a fazer a tetracampeã Red Bull passar vergonhas ridículas. Com isso, a equipe fechou as portas ao final de 2014.

2010 e 2011 Jarno Trulli e Heikki Kovalainen
2012 Kovalainen e Vitaly Petrov
2013 Charles Pic e Giedo van der Garde
2014 Marcus Ericsson e Kamui Kobayashi (com uma paricipação de André Lotterer na Bélgica e Will Stevens na última corrida, ao lado de Kamui, numa ousada tentativa de cowdfunding).

Virgin/Marussia/Manor: a mais Longeva e a mais Comovente

O nome Manor já era conhecido no meio das categorias de base do automobilismo, tendo a fama de competente e organizada, sob direção da dupla John Booth e Graeme Lowdon. Assim, conseguiram vaga para novas equipes em 2010, mas eles operariam como Virgin em vez de Manor, já que o magnata Richard Branson pagou para a equipe usar o nome Virgin, adquirindo 20% da equipe.

Já no final de 2010, a empresa Marussia comprou o controle acionário da equipe, e já pra 2011 a equipe passou a se chamar Marussia-Virgin, ainda com direção executiva de John Booth e Graeme Lowdon. Esse nome ficou até o final de 2014, quando a equipe mudou de dono e passou a se chamar Manor-Marussia para 2015, e somente Manor para 2016 mas com um detalhe: justamente quando a equipe passou a se chamar Manor, o novo dono, Stephen Fitzpatrick, dispensou os fundadores Booth e Lowdon, que foram formar a Manor no Mundial de Endurance, sem nenhuma relação com a Manor de Fórmula 1.

A Virgin / Marussia / Manor foi a mais longeva das nanicas. A HRT durou três anos, a Lotus verde / Caterham durou cinco, e a Manor fechou após sete anos de existência.

A Manor foi a única nanica dessa geração a marcar pontos, com os dois pontos conquistados por Jules Bianchi pelo nono lugar no GP de Mônaco de 2014. Foi um resultado celebrado como uma vitória não só pela Manor Marussia, mas por toda a Fórmula 1 e toda a comunidade dos cabeças de gasolina. Jules Bianchi era muito promissor, tinha conquistado esse resultado histórico após bater roda com roda com a Caterham de Kamui Kobayashi, e parecia ter um futuro dourado pela frente. Mas quiseram os deuses do esporte a motor que Jules Bianchi fosse lembrado pela maior conquista e pela maior tragédia da história dessa geração de nanicas.

No GP do Japão de 2014, sob forte chuva, Jules Bianchi aquaplanou e atingiu um trator que estava na área de escape removendo um carro que havia rodado no mesmo lugar na volta anterior. Inexplicavelmente, como acontecia até então, o trator estava na área de escape sem e corrida estar neutralizada por um safety car, com o único cuidado sendo o uso de bandeiras amarelas no local do acidente, de modo a fazer com os pilotos diminuíssem a velocidade. A colisão da Marussia-Manor contra o trator causou uma desaceleração gravíssima, com Jules Bianchi sofrendo traumatismo craniano grave, vindo a falecer ao redor de um ano depois, sem nunca ter saído do coma. Como legado para a segurança do esporte, sempre que há um trator na pista, a corrida é neutralizada com safety car ou safety car virtual. É extremamente lamentável que tenha ocorrido uma perda como essa para só então esse cuidado ser tomado.

A Manor infelizmente foi protagonista de outra grande tragédia da Fórmula, o acidente de María de Villota. Ocorrido em julho de 2012, quando a equipe estava operando como Marussia, durante um teste em Duxford, um aeroporto no Reino Unido. Villota era filha de um antigo piloto de rali e Fórmula 1, Emilio de Villota. Maria perdeu um olho no acidente. Faleceu pouco mais de um ano depois, de causas atribuídas às sequelas do acidente.

A Manor (e suas derivadas Virgin e Marussia), além de ter sido a nanica mais longeva, também foi a que usou mais fornecedores diferentes de motores. Enquanto a HRT nasceu e morreu no Cosworth, e a Lotus verde / Caterham nasceu Cosworth e morreu Renault, a Manor teve três motores. O Cosworth foi usado nos três primeiros anos, quando então a Marussia assumiu e passou a usar motores Ferrari. Inclusive foi com Ferrari que a Marussia entrou na era V6 turbo híbrido, e foi com uma Marussia-Ferrari que Jules Bianchi conquistou o famoso nono lugar em Mônaco 2014. Para o último ano de sua existência, já se chamando Manor e sob o comando de Steven Fitzpatrick, a Manor mudou a parceria para Mercedes, inclusive usando como piloto o alemão Pascal Wehrlein, também ligado à Mercedes. E foi justamente Wehrlein que marcou pontos com uma equipe dessa geração de nanicas, com um décimo lugar no GP da Áustria de 2016 pela Manor, juntando-se assim a Jules Bianchi e mantendo a família Manor/Marussia como a única equipe nanica pós-2010 a ter marcado pontos e ter algo para se orgulhar e contar para os netos.

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