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Host, Editor-Chefe, Contínuo, Boss e Office-Boy: Carlos Del Valle

Convidados deste programa:

Sérgio Dias, do Boteco F1

Valesi, do Melhor Blog sobre Nada

Bernie Ecclestone F1

A principal fonte de informações sobre a história de Bernie Ecclestone neste programa é o livro “Não Sou um Anjo – Revelações Inéditas de Bernie Ecclestone”, lido e resenhado pelo Valesi.

 “Eu promovo uma Copa do Mundo a cada duas semanas” – Bernie Ecclestone

 Bernard Charles Ecclestone nasceu em 28/10/1930 em St. Peters, Suffolk, Inglaterra. Vindo de família de classe média/baixa (seu pai, Sidney, era pescador), foi diagnosticado quase cego do olho direito aos dois anos de idade. Sua mãe era bastante rígida em relação às finanças e à moral. Seu pai lhe deu o seguinte conselho: “ nunca desperdice dinheiro, mas sempre compre o melhor que seu dinheiro conseguir”.

Em 1939, morando em Dartford, no condado de Kent, vivia sob a rota dos bombardeiros alemães da Luftwaffe. Sua mãe se recusou a abandonar a casa e montou um abrigo Anderson no quintal  

 Os Spitfire ingleses decolavam de Biggin Hill, próximo à sua casa. Bernie gostava de ver os aviões partindo. Posteriormente, comprou o aeroporto, que hoje é somente para seu uso.

Começou a fazer negócios na escola, como escambo de leite, biscoitos e brinquedos. Geralmente se dava bem. As mães de outras crianças aconselhavam seus filhos a não fazer negócios com Ecclestone.

Aos 11 anos fazia duas rotas como entregador de jornais antes da escola. Antes de ir para a aula, comprava pães e doces para revender com lucro no recreio. Por sempre ter sido baixinho, após perder todo seu “estoque” duas vezes para valentões, começou a “pagar” com produtos alunos maiores para servirem de guarda-costas.

Passava as tardes desmontando e remontando motores e máquinas no quintal de casa. Seu pai, sempre que podia, participava da atividade. Uma tia o levou a uma loja de brinquedos de Londres e disse: pegue o que quiser. Ele escolheu um carro de corrida. Vermelho.

Aos 15 anos, reprovou em todos os exames (exceto matemática). Ainda assim, conseguiu ser admitido nos cursos de física e química. Um amigo de curso começou a levá-lo para competições de motocicleta em Brands Hatch. “Mostre-me um bom perdedor, que lhe mostrarei um sujeito que, apesar de tudo, ainda é um perdedor.”

Aos 16 largou a escola e foi trabalhar numa companhia de gás – embora ficasse o tempo inteiro nos classificados procurando motos ou peças para comprar e revender.

Bernie Ecclestone Niki Lauda

Em 1950 perdeu uma corrida de moto para John Surtees (campeão mundial de F1 em 64). Após isso, acabou migrando para a venda e as corridas de carros. Em 51, patrocinado pela própria revenda de automóveis e com um motor de 500 cilindradas montado numa carroceria azul pela Coopers, começou a correr em Silverstone, onde fez amizade com Stirling Moss e Fangio. Em 53, após alguns pequenos acidentes, se envolveu e grave mais sério, quando seu carro foi parar no meio da arquibancada. Cego de um olho e sem a perícia que via em outros pilotos, decidiu parar de correr.

Em 57 ofereceu-se para cuidar da carreira na F1 de Stuart Lewis-Evans, que tinha a sua idade e era filho de um colega vendedor de carros. Conseguiu para ele uma vaga na Vanwall, ao lado de Moss. Ao saber da falência da equipe Connaught, comprou seus dois carros e os inscreveu no GP de Mônaco de 58; chegando lá, ficou maravilhado com o evento, dispensou um piloto e resolveu ele mesmo correr. Não se classificou para a largada. Neste mesmo ano viajou com Lewis-Evans para o GP de Marrocos, em Casablanca. O amigo, ainda na Vanwall, sofreu um acidente grave e teve sérias queimaduras, falecendo depois. Bernie decidiu vender sua equipe e abandonar as corridas.

O sucesso nos negócios foi lhe devolvendo a autoconfiança (compra e venda de empresas, apostas altas em cassinos, companhia de famosos). Em 67 começa o relacionamento com Tuana Tan. Nascida em Cingapura, com 25 anos e casada com um americano. Divorciou-se da esposa um ano depois. Com Tuana, aumentou sua frequência aos cassinos, muitas vezes acompanhado de seu amigo, o piloto alemão Jochen Rindt, que foi quem o apelidou de Bernie.

Rindt corria ao lado de Surtees pela Cooper-Climax, de propriedade de outro amigo de Bernie, John Cooper. O carro do alemão costumeiramente quebrava durante as corridas. Bernie decidiu ser seu empresário e sugeriu a mudança para a Brabham. Junto levaram um jovem mecânico chamado Ron Dennis. O grande rival de Rindt (e desafeto declarado de Bernie) era Jackie Stewart. Para tentar vencê-lo, Bernie e o engenheiro da Brabham, Herbie Blash, tentaram todos os truques do regulamento (e muitas trapaças por fora, como torcer os aerofólios e ajustar o peso do carro). Mas o motor da Brabham era muito problemático.

Em 69 Rindt foi convidado para correr pela Lotus de Colin Chapman, ao lado de Graham Hill, no lugar do recente falecido Jim Clark (Stewart foi convidado primeiro, porém declinou de um salário maior para correr pela Tyrrell, que tinha um carro mais seguro). Com Chapman, Bernie descobriu o modelo de negócio pautado em patrocínio e publicidade que adotaria depois. Em 70, Rindt chegou a Monza com 5 vitórias em 9 corridas. Teria dito a Bernie que se aposentadoria após ser campeão. Morreu em um acidente na Parabólica. Após sofrer ataques de ansiedade e pânico, Bernie decidiu nunca mais ficar amigo de pilotos.

Bernie Ecclestone Tamara Fabiana

Após o título de 66, a Brabham havia entrado em declínio. No final de 1970, Jack Branham voltou para a  Austrália e deixou o projetista Ron Tauranac como dono da empresa proprietária do time. Ron Dennis, que era o mecânico chefe, saiu para montar sua equipe, a Goodyear. Com tudo isso, Bernie comprou a Brabham por um preço bem abaixo do que valia. “Comprar a Brabham era como comemorar todos os meus aniversários ao mesmo tempo”. Até o final de 72 ele tinha conseguido expulsar Tauranac do time e promoveu o sul-africano Gordon Murray.

A Associação dos Construtores da F1 (FOCA) contava com os donos das dez escuderias (entre eles Max Mosley, então com 31 anos e vindo da March) e estava rachada. Todos dependiam da negociação direta com cada organizador de um dos 11 circuitos – uns ganhavam mais que os outros – e dos prêmios conquistados nas vitórias. Muitas estavam quebradas. Bernie sugeriu que um representante único negociasse as taxas de participação de todas equipes com os organizadores, e buscasse um transporte conjunto mais barato. Quando ninguém se manifestou, disse: “ok, eu faço isto, mas quero uma comissão”. Mosley, outro participante recente da confraria também acreditava em um maior poder de negociação unido, e ambos se tornaram aliados naturais.

Em 72 as equipes já trabalhavam com uma parcela maior de lucro, melhores condições logísticas e maior segurança financeira. Já no início do ano Bernie convocou uma reunião para apresentar suas propostas que diminuíam significativamente o custo do transporte e garantiam uma renda em cada GP para todas as equipes. Em troca, queria um contrato onde todos o elegeriam como negociador oficial, recebendo uma comissão de 4%. Todos concordaram. Bernie não disse que também ganharia um extra nos custos do transporte ou uma comissão de cada organizador para levar a corrida para lá. Os pilotos da Brabham naquele ano foram Graham Hill e Carlos Reutemann. Quatro semanas depois, Bernie convenceu todos a participar de uma corrida em São Paulo, patrocinada pela Rede Globo. O GP não seria chancelado pela FIA, e a renda dependeria da venda de ingressos. Ecclestone deu sua palavra de que todos receberiam o combinado, mesmo que ele precisasse pagar do próprio bolso. O evento foi um sucesso, e todos receberam em cash.

Em 1973, Emerson Fittipaldi declarou que “Bernard é alguém com tino administrativo e disposto a enfrentar os donos de circuitos em favor das equipes”. Em 74, na terceira corrida da temporada, em Kyalami, Carlos Reutemann levou a Brabham à sua primeira vitória.

 Enquanto cobrava cada vez mais dos organizadores das corridas (ele deixou o GP do Canadá fora da temporada de 75 por não concordar com o preço), Bernie começou a incluir nos contratos uma cláusula que dava os direitos de transmissão televisiva à FOCA. Os proprietários acabaram reclamando à FIA, que ameaçou deixar as equipes britânicas fora do campeonato de 76. Bernie reverteu a ameaça: nós não correremos, e vocês não terão F1.

 Em 76 a Brabham, com o patrocínio da Martini, trocou Reutemann por Pace e os motores Cosworth pelos Alfa Romeo. Foi o interesse mundial na decisão entre Lauda e Hunt, em Fuji, que convenceu Ecclestone a buscar ter todos os direitos de transmissão da F1. Para a temporada de 77, Bernie conseguiu trazer Lauda, insatisfeito com a Ferrari, para a Brabham. Com o piloto, veio o patrocínio da Parmalat. A negociação para renovação de Lauda foi dura, e o piloto foi um dos poucos a conseguir ganhar de Ecclestone.

Em 79 a Brabham tinha como pilotos Lauda e Piquet. Max Mosley se torna o braço direito de Bernie, e Frank Williams um grande aliado.

Em 1980, começa a guerra com Balestre. A batalha FISA x FOCA renderia muito pano pra manga.

Em 1981, Bernie resolveu Kyalami 81: corrida “pirata”, com pneus Avon do depósito de Bernie (a Goodyear se recusou a fornecer), sem Ferrari, Renault e Alfa e com pouquíssimo público. Posicionando espertamente as câmeras de TV, Bernie faz a Europa pensar que foi um sucesso, convenceu Enzo Ferrari e fez Balestre capitular: a FIA não poderia mais autorizar um GP fora dos termos de Ecclestone. Foi assinado o primeiro Pacto da Concórdia.

1981: título mundial da Brabham em Las Vegas, com Piquet.

Em 1982, greve dos pilotos por causa da “lei do passe” de Ecclestone. Lauda líder, Piquet aderindo, Pironi mediador. Os pilotos venceram. Inclusive com a famosa cena “kiss my ass”, por Piquet.

Em Monza nesse mesmo ano, Bernie conheceu Slavica Malic, modelo croata de 23 anos. Esse relacionamento, conturbadíssimo, duraria 26 anos.

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Carlos Del Valle

Podcaster. Imerso em Fórmula 1. Nada mais lógico do que um podcast sobre Fórmula 1.

11 comentários

raphaelwilker · 20 de outubro de 2014 às 11:00

Porque eu fui esquecer os meus fones de ouvido em casa =/
Agora vou ter que esperar pra ouvir =/

Valesi · 20 de outubro de 2014 às 11:03

F1 de raiz.

Willian Schlichting · 20 de outubro de 2014 às 11:21

Então nunca vou participar do Pod, não tenho carlos nenhum envolvido na minha vida, a não ser vocês, kkk

Cristiano Seixas · 20 de outubro de 2014 às 23:42

Ja que colocaram um drops do GP Brasil de 1972, segue o link com a prova quase inteira :

    raphaelwilker · 21 de outubro de 2014 às 10:38

    Legal Cristiano ! XD
    É bom poder ver a pista antiga de Interlagos.
    Inclusive foi muito bacana conhecer um pouco da vida do tio Bernie.

Tiago Oliveira · 21 de outubro de 2014 às 16:14

Bah, muito bom tema, e a foto da capa resume o cara que é o Silvio Santos da Formula 1. Parabéns pelo Podcast e estou ja esperando a segunda parte.

Rodox (y) · 27 de outubro de 2014 às 14:40

Vai lá Piquet e “faça alguma COISA” 😮
Piquet: épico (y)
Nelson Piquet … sobe no Piano … e : (não foi pra cantar uma do Sinatra em homenagem às “lindas e digníssimas” esposa e filha do Bernie) mas sim pra) DETONAR =
KISS my ass!!!
Por essa e por outras que o cara “não tinha a Mídia do lado dele” mas foi heroico piloto BRASILEIRO (Y) yesss! 😀

Guilherme Spínola Barbosa · 27 de outubro de 2014 às 22:25

Gostei muito do tema. Comecei a me interessar pelo automobilismo bem recentemente, motivado por um podcast do assunto que ouvi no site jovemnerd. Desde então tenho procurado saber cada vez mais sobre F1 (foi por isso que descobri esse site), ver corridas lendárias, etc..
Agora mais especificamente sobre o tema, ouvi num outro podcast (esportefino da carta capital) uma crítica bem ponderada sobre o Bernie Eclestone a respeito de como tem sido veiculado o esporte nos últimos anos. Uma vez que hoje a televisão aberta está em constante decadência e o estilo “on-demand” na Internet impera para a veiculação de qualquer tipo de notícia, a Formula 1 parece ir na contra-mão dessa tendência, e parece que nosso “querido” Bernie exerce grande influência nisso. Isso faz com que o fã do esporte fique cada vez mais frustrado, pois não consegue acessar com facilidade qualquer tipo de vídeo sobre o assunto (e quando consegue, tem a certeza de que não tarde o link será tirado do ar).
Se for possível, gostaria de ouvir vocês comentando a respeito disso na próxima parte.
Parabéns pelo trabalho!

    Valesi · 28 de outubro de 2014 às 9:56

    Grande Guilherme, seja bem vindo ao mundo cabeça de gasolina! Você tem sorte, pois existe todo um universo de F1 à sua frente. Ficamos felizes por tê-lo aqui conosco.

    O Bernie foi um visionário à sua época, pois foi ele quem popularizou o esporte, muito graças à TV, onde montou seu feudo. Todo o resto do poder ele conseguiu e manteve para poder explorar as transmissões.
    Porém concordo contigo, o velho Ecclestone parou no tempo e não se adequou ao mundo da internet. Hoje a FOM é retrógrada.

    Mas você exerceu seus poderes psíquicos, e realmente devemos comentar mais sobre isto no segundo episódio do especial. Até lá, continue conosco comentando sobre F1 e, já que disse estar vendo os clássicos, uma boa dica são os episódios Grandes Corridas no canal do Boteco F1 no YouTube.

    Um grande abraço, apareça sempre!

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