Hoje não é dia de Terça Metal, mas como tivemos representantes do PF1BR no show de ontem, vamos fazer um review da nossa Terça Metal da “vida real”.

ORGANIZAÇÃO

O trânsito estava bem zicado nas imediações da Pedreira Paulo Leminski, ainda mais com uma manifestação de professores que está bloqueando uma avenida na mesma região da cidade. Eu e meus comparsas de banda nos reunimos na casa do outro guitarrista, e a esposa dele nos levou até onde os carros podem chegar. Dali pra frente, seguimos a pé.  Motörhead -2

Nosso amigo que foi de carro teve que pagar 20 reais (adiantado) para o guardador de carro. Quem puder ir de transporte público ou carona até as imediações, vá em frente, é melhor.

Havia uma quantidade grande de banheiros químicos, sempre importantes num show com tanta cerveja circulando. Mas eles ficavam dispostos em círculo, causando uma confusão para se chegar a eles. Um panorama do inferno. Se fossem lado a lado, isso poderia ser evitado.

A Nova Schin estava 10 reais na tia do isopor no meio da plateia. Ouvi dizer que era 8 pratas no bar. Preço de Interlagos, quem diria.

Mas chega de prolegômenos inócuos. Vamos aos shows.

MOTÖRHEAD

Chegamos durante a primeira música, que como quase sempre, foi “Damage Case”. Não é segredo que o Lemmy está na capa da gaita, prestes a completar 70 anos de idade. Mas no show ele ainda mandou bem. Dá pra notar que ele faz um esforço danado para cantar, e fica totalmente imóvel, mas mesmo assim o som do Motörhead está praticamente intacto, o timbre de voz mudou pouco e o resto da banda se garante.

Motörhead 1

Após “Damage Case”, veio outro clássico: “Metropolis”. E na sequência, outras castanhadas legais dos velhos tempos: “Just ‘Coz You Got the Power”, “Rock It” e “Over the Top”.

Eu me lembro de apenas duas músicas mais recentes, do disco Aftershock: a balada “Lost Woman Blues” e outra que me pareceu “Suicide”.

A sequência final foi espetacular. Como não poderia faltar, tocaram “Going to Brazil”, super animada como sempre, e fecharam com aquilo que o povo gosta: “Ace of Spades” e “Overkill”. A galera curtiu pacas.

Mesmo em discos de estúdio, o som do Motörhead é meio embolado, sujo, difícil de distinguir entre os instrumentos. Claro que ao vivo a coisa não é diferente, inclusive até piora um pouco. Em vários momentos dava para ver o Lemmy tentando umas sequências diferentes no baixo, mas não dava para perceber nada no som, mesmo com um certo esforço. O guitarrista e o batera mandam bem, sendo que a guitarra é toda feita em pentatônicas simples. Achei o guitarrista um pouco mais mascarado do que precisava, ainda mais com as linhas simples que fazia.

No final, Lemmy apresentou os outros dois membros da banda e elogiou o Brasil, dizendo que era o único país em que ele conseguiu transar no banco de trás de um táxi. E ainda se despediu com as frases que ele sempre fala no início de cada show:

– “Boa noite. Nós somos o Motörhead. Nós tocamos rock’n’roll”.

JUDAS PRIEST

Estudei bastante a obra do Judas para este show, e valeu a pena. Foi um show de heavy metal puro e extremamente bem tocado. Os vocais de Rob Halford são tão inacreditáveis que dava para notar que a plateia ficava meio pasmada em alguns momentos.

Judas Priest 1

O Judas foi a única banda da noite com duas guitarras, e ambas recebem minha sonora nota 10. Não se sente a menor falta do guitarrista fundador KK Downing, que deixou a banda em 2011. Seu substituto, Richie Faulkner, chega a ser uma das atrações da banda. Guri de tudo, aos 35 anos, Faulkner esbanja energia, com mil poses, solos pirotécnicos, corridas, pulos e headbanging. O sessentão fundador Glenn Tipping fica mais quietão, mas se garante muito bem.

Ao contrário do molecão Faulkner, o lendário vocalista Rob Halford, 63 anos, se mostrou meio fechadão. Cantou a maior parte do tempo olhando para o chão ou para os amplificadores do palco. Às vezes fazia um “positivo” para a galera, e falou pouco entre as músicas. Claro que tudo isso é compensado, como já falei, pela qualidade dos vocais. Foi um privilégio comparecer a esse show.

Como habitual, a banda começou os trabalhos com “Dragonaut”, do seu disco mais recente. É uma música bacana para se começar um show, ainda mais para prestigiar o bom disco que eles lançaram ano passado, chamado Redeemer of Souls. Eu pessoalmente acharia mais legal abrir com outra música do disco novo: poderia ser “Battle Cry”, que nem foi tocada neste show, ou mesmo a própria faixa-título “Redeemer of Souls”, que é espetacular.

A segunda música já chegou abalando: o clássico “Metal Gods”, para arrepiar o pelego. Para continuar fervendo, continuaram com “Breaking the Law” e “Turbo Lover”. Arrasador. Para mim, o melhor ainda estava por vir, porque tocaram a fantástica “Devil’s Child”, um petardo da melhor fase do Judas.

Olha só que showzaço: nesse momento, você só escuta um barulho ensurdecedor, de zunir os ouvidos. É Rob Halford chegando com sua Harley Davidson em pleno palco, anunciando que era hora do povão pirar com “Hell Bent for Leather”. E ainda veio “Jawbreaker”, do clássico álbum Defenders of the Faith, e mais uma do disco novo, no caso “Halls of Valhalla”.

O Judas tem a política de quase não tocar canções da fase pré-Killing Machine, e desta vez a única concessão foi “Victim of the Changes”, de 1976. Das velhas, eu teria talvez preferido “Beoynd the Realms of Death”, que ficou de fora, mas é compreensível, por ser mais longa e épica.

Tenho que dizer que esse show passou num instante. Não vi passar. Que espetáculo. Quando vi, o baterista já estava perguntando o que a galera queria para o bis. Claro que o povão todo berrou “Painkiller”, que foi executada de maneira primorosa, e na sequência a banda já emendou com a música de festa “Living After Midnight”, que muita gente cantou junto, e acabou.

Sim, acabou. Para meu protesto. Eu não me conformei com o fato de não encerrarem o show com “You Got Another Thing Comin'”, que sempre fecha as apresentações do Judas Priest. Possivelmente estavam cansados devido ao show estendido que fizeram em São Paulo, não sei. De qualquer forma, como se diria na Sapucaí, “nota dez”.

OZZY

Nosso maluco-beleza preferido não decepcionou. Abriu, como era previsto, com “Bark at the Moon”, e seguiu com “Mr. Crowley”, para delírio generalizado. O cara é uma lenda tão lendária que ele só olha para o público e todo mundo sai ovacionando. Ele muda muito pouco a expressão facial, e aos 66 anos, fica quase o tempo todo parado na frente do microfone, sem muita ginástica. O momento máximo é quando ele pega uma mangueira de bombeiro e dispara sem dó na plateia, sem mover um músculo do rosto. No máximo uma leve levantada na sobrancelha. Um momento surreal e inesquecível. Eu pessoalmente estava fora do alcance da mangueira. Entre uma música e outra, ficava a expectativa se ele ia tocar água no povão de novo, o que ele acabou fazendo várias vezes.

Ozzy Osbourne

Tinha muita música boa para tocar. A terceira foi a fantástica “Suicide Solution”, e uma música do Sabbath que eu não consegui lembrar o nome na hora. Neste show, Ozzy cantou duas canções do disco No More Tears, “I Don’t Know” e “I Don’t Want to Change the World”. São legais, mas eu teria preferido os hits “Mama I’m Coming Home” e a faixa-título “No More Tears”, que ficaram ausentes.

A banda de apoio usou “Rat Salad”, do Sabbath, para encaixar com os solos de guitarra e de bateria, sempre uma curtição para a galera. Do Sabazão, senti falta de “N.I.B.”, pena que não teve. Mas quem arrasou foi “War Pigs”. Interessante como uma música longa, com pausas extensas, pode agitar tanto o coreto. Foi um privilégio, ainda mais bacana que “Iron Man”, que por sinal também foi cantada em uníssono pelo público, não só os vocais como os riffs.

Esse foi outro show que foi mais curto do que a gente esperava. Parecia que mal tinha começado e já veio a sequência final com “Crazy Train” e “Paranoid”, que serviram bem para acabar com o resto de voz e resto de pescoço que eu ainda tinha.

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A saída foi tranquila, o trânsito pesado à meia-noite e meia, mas no geral valeu cada centavo e cada minuto investido no Monsters Tour. Pode ser que a galera note algum escorregão meu neste texto, porque estou escrevendo de cabeça. E fica a dica para o amigo petrolhead ou headbanger: estude para os shows. Prepare-se. A experiência é ainda mais inacreditavelmente bacana. Até a próxima!

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Categorias: Artigos

Carlos Del Valle

Podcaster. Imerso em Fórmula 1. Nada mais lógico do que um podcast sobre Fórmula 1.

1 comentário

Notícias da Semana do Rock!!! | O Rock And Roll · 3 de maio de 2015 às 13:29

[…] fazendo reverências, e também várias caretas, fato que percebi e por isso discordo da resenha do blog “Podcast F1 Brasil”, no seguinte […]

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