Nesta semana do GP da Bélgica de 2015, muito se falou de pneus; o estouro do traseiro direito de Vettel, a dois giros do final da corrida, mais que lhe tirar um provável pódio soltou novamente o Kraken da fúria dos pneus farofa da Pirelli e das responsabilidades de um piloto em relação à sua própria segurança.

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Mas essa história de Ferraris com pneus sem ar e pilotos com muito vento na cabeça não é de hoje. Voltemos à  26 de agosto de 1979, na Holanda.

O clássico e mortal Zandvoort recebeu a 12ª das quinze etapas daquele campeonato. Apesar da Williams vir em excelente forma (tinha vencido as três últimas provas), a briga já estava polarizada entre os dois pilotos do espetacular 312T, o sul africano Jody Scheckter e o canadense Gilles Villeneuve, porém a pole ficou com Renault turbo de René Arnoux. A Ferrari ocupava a terceira fila, porém um entrevero entre Arnoux e Regazzoni bagunçou as posições na primeira volta. Enquanto Scheckter caía para último, Villeneuve passava para terceiro e, na volta 11 ultrapassou a Williams de  Alan Jones, por fora, na Tarzan (a curva, não o homem-macaco), assumindo a liderança.

O canadense maluco genial liderou com certa folga até a volta 47, quando uma rodada o fez cair novamente para segundo. Quatro giros depois, logo na saída de um pit-stop, o pneu traseiro esquerdo da Ferrari nº 12 explodiu, causando novo cosplay de pião no meio da pista.

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Fim de prova para Gilles, certo? Errado, é óbvio. Villeneuve simplesmente engatou a ré, encheu a pista de lama,  encontrou o sentido certo do tráfego e saiu com o pé embaixo nas suas três rodas. Bom, isso por um certo tempo, pois logo estava só com duas rodas no chão (a dianteira direita balançava bonito no ar), 1270099_500760170010425_1065746075_o[1]desenhando uma das voltas mais emblemáticas da história da Fórmula 1. Deixando atrás de si um rastro de borracha derretida e faíscas, fez todas as curvas dos mais de 4 quilômetros do circuito até entrar nos boxes novamente 946580_479247652146822_631988705_npara substituir os pisantes. Enquanto ele pedia desesperadamente para os mecânicos trocarem o pneu furado, estes tentavam fazer o cidadão entender que esse passeio torto não fez muito bem para o carro e que não tinham exatamente aonde colocar o pneu novo.

Alan Jones terminou a corrida em primeiro, e o quarto lugar de Nelson Piquet lhe rendeu seus primeiros três pontos da carreira. Porém o grande beneficiado foi Jody Scheckter, que remou pacientemente por todo o grid para receber a bandeirada em segundo lugar e ficar a apenas 4 pontos do título mundial, o último de um piloto da Ferrari até Schumacher.

Mesmo sendo obrigado a abandonar, fica a dúvida: dar uma volta o mais rápido possível com um carro sem condições é coisa de gênio ou de um louco aloprado? Acho que a resposta vai ser sempre influenciada por quem está atrás do volante.

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“Nossa, quanta gente legal na Holanda! Todos acenando para mim! Vou dar um tchauzinho prá eles.”

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FORA DO AUTÓDROMO

Em 26 de agosto de 1940 nascia em Duluth, Minnesota, Donald Leroy LaFontaine. Não reconhece o nome? Bom ele era mais conhecido como Don…

Nada, ainda? Bom, talvez pelos apelidos de Thunder Throat ou The Voice of God? Não?

Bom, melhor então é fechar os olhos e ouvir este vídeo:


Valesi

Velho o suficiente para reclamar com propriedade, não tenho esperanças de que alguém me leve a sério. Ferrarista e fã de Jack Daniels, não necessariamente nessa ordem. Pago no máximo 40 pratas por uma foto do Button cometendo um crime.

6 comentários

Domingos Lins Jr · 26 de agosto de 2015 às 7:54

Então, no caso de Gilles acho que dá pra dizer que foi coisa de um gênio aloprado

Jordan Bandeira · 26 de agosto de 2015 às 8:50

Gilles era o cara que pilotava pra galera.

Don LaFontaine e Vincent Price são as vozes do cinema americano.

Joshué Fusinato · 26 de agosto de 2015 às 13:56

Dar uma volta em 3 rodas é coisa de guerreiro, de cara que, apesar de não ser brasileiro “não desiste nunca”. Esse espírito de luta é que fez o Gilles ser a lenda que é.

Parabéns Valesi!

Luís Gustavo Rampazo · 26 de agosto de 2015 às 20:05

#colhões

Rubem · 26 de agosto de 2015 às 21:49

Que zorra monumental eram os boxes, não?

Fabiano Forte · 27 de agosto de 2015 às 15:28

Pronto, resolvido! Para devolver a emoção à F1, todos os carros com 3 rodas!

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