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Um diabo necessário

Há três dias Lewis Hamilton, a bordo de um carro com motor Mercedes, em primeiro lugar no campeonato – o segundo colocado é seu companheiro de equipe – largou na pole do GP do Canadá e subiu ao lugar mais alto do pódio.

Há oito anos, também.

Em 10 de junho de 2007 Hamilton conseguiu sua primeira vitória na Fórmula 1, terminando a corrida na liderança do campeonato, com seu companheiro Fernando Alonso em segundo lugar na classificação geral. Mas esta corrida foi bem mais movimentada do que a de 2015.

No grid, tínhamos dobradinha da McLaren (e, para aqueles que sentirem vontade de lembrar-se dos “bons e velhos tempos”, registro que o campeão foi da Ferrari ao final do ano), com Hamilton – sua primeira pole na categoria – e Alonso. A segunda fila, Heidfeld na Sauber e Raikkonen na Ferrari. Depois Massa (Ferrari) e Webber (Red Bull).

Hamilton defendeu-se bem do espanhol na largada; Alonso acabou forçando e “embarrigou” a primeira curva, indo passear na área de escape. Isso permitiu a ultrapassagem de Heidfeld. De maneira impressionante, Webber largou mal e perdeu três posições. Outra novidade foi Button, a bordo de um Honda, que ficou parado no grid. E ainda dizem que o mundo evolui…

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Don Fernando de lo Pasto

Alonso tinha trocado de cantil com Kimi, e acabou pisando na grama mais duas vezes nas primeiras voltas, danificando o carro e acabando com suas chances de lutar pela vitória, o que deixou o caminho aberto para Hamilton, que tirava cerca de meio segundo por volta. Logo após a primeira janela de pit stops, Sutil encontrou uma barreira na volta 22, abrindo o portão para a primeira entrada do safety car na corrida – o mercedão ainda iria aparecer outras três vezes – o que embaralhou as estratégias de todo mundo.

2007-Candaian-GP-7Na volta 27, o incidente que todo mundo se lembra: Kubica bate forte logo antes do hairpin, atravessando a pista e colidindo também com o muro do outro lado. A cena, com o bico do cockpit longe do carro e as sapatilhas do polonês à mostra estão na memória de todo cabeça de gasolina. Por sorte, o piloto narigudo não sofreu lesões graves._45346475_crash416

Após alguns outros entreveros, bochinchos e confusões (que incluíram a desclassificação de Massa e Fisichella por sair dos boxes com o sinal vermelho durante um dos períodos do safety car), Heidfeld terminou em segundo, com a Williams de Wurz (droga, não consegui colocar mais um “W” na frase) em terceiro. Mas o dia era de Lewis Hamilton, que em sua sexta corrida na Fórmula 1 conseguia sua primeira vitória. Pouco menos de oito anos depois, no mesmo circuito, com dois títulos mundiais no bolso e um terceiro bem encaminhado, o britânico colheria a de número 37.

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FORA DO AUTÓDROMO

Composição de Lennon e McCartney. Produção de George Martin. Gravação nos estúdios da EMI em Londres e lançamento pela Parlophone. Não é surpresa nenhuma que Paperback Writer, o 11º single dos Beatles lançado na Inglaterra em 10 de junho de 1966 fosse parar no topo das paradas.

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Tudo começou com um desafio de uma tia de Paul, que queria saber se ele conseguiria escrever alguma canção que não falasse de amor. Com isso na cabeça, entrou no estúdio e viu Ringo lendo um romance de bolso, decidindo que iria escrever algo sobre algum livro. Pouco tempo depois, na casa de John, enquanto lia o Daily Mail, acabou tendo a ideia da letra, que fala de um escritor que trabalha para o jornal mas quer ter um livro de bolso publicado, e pede desesperadamente para algum editor lhe dar uma chance.

A música tem, pela primeira vez, uma característica dos Beatles, que é o baixo pronunciado, marcado, aparente. Essa era uma ideia que vinha perseguindo John há algum tempo, e que foi obtida graças à engenhosidade de colocar um microfone diretamente à frente à caixa de som do baixo de McCartney, que resolveu trocar de instrumento e gravou com um Rickenbacker. As harmonias e backing vocals foram muito inspiradas nos Beach Boys e seu Pet Sounds. Curiosidade interessante foi a maneira que George Harrison encontrou para manter a nota e o tempo na terceira estrofe. Percebam que, com cerca de um minuto de música, quando Paul começa a cantar “It’s a thousand pages…”, George surge com a clássica cantiga de ninar francesa Frère Jacques ao fundo.


Valesi

Velho o suficiente para reclamar com propriedade, não tenho esperanças de que alguém me leve a sério. Ferrarista e fã de Jack Daniels, não necessariamente nessa ordem. Pago no máximo 40 pratas por uma foto do Button cometendo um crime.

6 comentários

Gabriel Narukami · 10 de junho de 2015 às 0:49

Nem lembrava que Hamilton venceu esse GP, mas me lembro muito bem do acidente do Kubica naquela curva.

Fabiano Forte · 10 de junho de 2015 às 9:44

Nem fala, aquele acidente foi assustador!
Quanto à outra efeméride, “é sempre muito bom ouvir Beatles”, como diria um ex-locutor da KISS (sim, eu esqueci o nome dele!).

Joshué Nunes Fusinato · 10 de junho de 2015 às 10:08

Lembro nitidamente de estar deitado em um colchão na sala, curtindo a corrida, quando o Kubica bateu. Minha reação foi ficar em pé na sala e gritar: “MORREU”.

Foi o acidente mais forte que vi na F1 depois do sofrido pelo Schumi, em que ele quebrou as pernas, e o do Burti em Spa, com o agravante de não ter pneus pra absorver o impacto… Kubica faz falta na F1…

Fica a dica, já que meu aniversário é daqui 2 semanas. Meu sonho de consumo é um baixo Rickenbacker!

Jordan Bandeira · 11 de junho de 2015 às 9:38

Boa lembrança, Valesi. Lembro também de ter ficado puto da vida com o Massa que foi desclassificado junto com Fisichella por ter furado a luz vermelha do pit lane. Se não estou enganado, Sato pilotando uma Super Aguri, (sim, SUPER AGURI) ficou na frente do Alonso.

Essa temporada de 2007 merece um especial. Bem parecida com a de 86.

Sobre os Beatles: Paperback Writer foi uma das músicas que embalaram minha infância, junto com Day Tripper.

    Valesi · 11 de junho de 2015 às 16:09

    Isso mesmo, Jordan. Sato levantou a galera nesse dia!
    E, se for por eleição, depois de 86 meu voto vai prá 2007.

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