No início dos anos 70, por iniciativa dos pilotos (encabeçados por Jackie Stewart), a questão da segurança estava em primeiro lugar na lista de exigências dos organizadores de grandes prêmios que não quisessem sofrer um boicote.

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Os guardrails saíram até no poster oficial

Em 1969 vimos pela primeira vez guardrails em Monaco; até aquele ano, a única preparação para a corrida era pedir para os proprietários de veículos estacionados rente à calçada retirarem seus carros antes da largada (hoje a montagem do circuito começa seis semanas antes, e ele só é completamente desmontado três semanas depois da corrida); ou seja, em caso de acidente, os pilotos batiam no que estivesse mais próximo: paredes de hotel, árvores, postes e, em dois casos, as águas do Mediterrâneo.

As mudanças continuaram, e em 1972 toda a extensão do circuito estava protegida, além de ser o ano em que os boxes ficaram entre a chicane e a Tabac, defronte ao mar.

Mas, para o 31º Grande Prêmio de Mônaco, em 03 de junho deCircuit_de_Monaco_1973 1973, o circuito mudou novamente;  a área reservada aos pits no ano anterior agora sediava o Estádio Náutico Rainer III, que contava com uma piscina olímpica de água salgada ali (nascendo então a Curva da Piscina), o que fez com que os boxes voltassem ao local anterior, agora alargado, onde permanecem até hoje.

A corrida foi bastante movimentada; na classificação Stewart deu a 10ª pole position da história à Tyrrell, tendo ao seu lado a Lotus de Ronnie Peterson. A segunda fila tinha Denny Hulme (McLaren) e Francois Cevert (Tyrrell). A Lotus de Emmo largou em quinto, e Niki Lauda em sexto com sua BRM.

Não me perguntem como mas Cevert conseguiu pular de quarto para primeiro largando por dentro; contudo, um pneu furado na segunda volta lhe roubou as chances de vitória. Com isso Peterson se viu de nariz ao vento, com Clay Regazzoni – que havia largado em oitavo! – na segunda posição. Mas a BRM de Clay estava uma jabiraca e começou a segurar um trenzinho com Stewart, Fittipaldi, Lauda, Ickx e o resto enquanto a Lotus do líder ganhava terreno. Na sexta volta Regazzoni escapou na chicane, permitindo que o escocês e o brasileiro o ultrapassassem. Quando Peterson teve um problema na bomba de combustível e andou lento algumas voltas, Stewart ganhou a liderança para não mais perdê-la, vendo a quadriculada antes de todo mundo pela 25ª vez, o que o igualava ao recorde de vitórias de Jim Clark. O Rato terminou em segundo, com Peterson conseguindo ainda manter um terceiro lugar. Cevert terminou em quarto fechando um domínio Tyrrell-Lotus-Lotus-Tyrrell, com as duas McLarens também pontuando com Peter Revson e Denny Hulme.

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Mas, além da estreia da piscina e dos novos boxes, este Grande Prêmio teve duas outras que são muito caras a este cronista de araque.

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Hunt, como de hábito, “chegou chegando”

Uma delas foi a do ídolo James Hunt, que em sua primeira participação na Fórmula 1, a bordo de um March 731 com motor Ford Cosworth comprados por Lorde Hesketh largou em 18 e estava tranquilo na sexta colocação, pontuando em sua corrida inaugural quando a apenas 5 voltas do fim teve que abandonar por falha no motor.

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A foto é de 75, mas o restaurante é o mesmo.

A outra estreia talvez tenha sido mais importante, pois criou um ícone que permanece até hoje. Com a alteração do circuito, a antecipação da chicane e a nova entrada dos boxes, há 42 anos surgia uma das curvas mais icônicas da Fórmula 1. Quem ouviu o episódio 67 do Podcast F1 Brasil, Crônicas de Monte Carlo, sabe que esta é minha parte preferida da pista. Diria até que é uma das minhas curvas preferidas de todos os tempos. Um dia ainda vou ver um GP de Monaco ali naquele restaurante. Há pouco mais de quatro décadas, nascia La Rascasse.

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FORA DO AUTÓDROMO

 Susan Kay Quatro (o nome original da família italiana que emigrou para os Estados Unidos era Quatrocchi), a Suzi Quatro, nasceu em Detroit em 03 de junho de 1950, mas foi na Inglaterra da década de 70 onde despontou como uma das primeiras mulheres consideradas como estrelas do rock.

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Apesar de ter feito aulas de piano clássico, era autodidata na guitarra e, principalmente, no seu amado baixo Fender Precision 1957 (às vezes traído com um Gibson Les Paul). O ritmo marcado e frenético do instrumento são sua característica mais marcante.

Suzi se interessou pela música ouvindo Elvis e Billie Holiday, embora sempre tenha dito que sua maior influência tenha sido Chrissie Hynde, dos Pretenders. Em 64, após ter visto uma apresentação dos Beatles na TV, sua irmã Pattie resolveu montar uma banda na garagem, e o destino de Suzie estava definido.

Você pode até dizer que não conhece Suzi Quatro, mas dê uma checada em If You Can’t Give Me Love ou Can The Can que eu te provo que está errado. Quatro é ainda a responsável por um dos melhores covers de Born To Run, do Springsteen.

Suzi Quatro continua na ativa, fazendo shows pelo mundo.


Valesi

Velho o suficiente para reclamar com propriedade, não tenho esperanças de que alguém me leve a sério. Ferrarista e fã de Jack Daniels, não necessariamente nessa ordem. Pago no máximo 40 pratas por uma foto do Button cometendo um crime.

2 comentários

Joshué Fusinato · 3 de junho de 2015 às 10:26

A Rascasse é realmente linda… Quando for, não esquece de convidar os amigos!

Mateus Ferreira · 4 de junho de 2015 às 11:09

Adoro a Rascasce, mas aquele trecho depois daquela curva fechadona em descida, até pegar à direita, passar pelo viaduto até a freada do túnel são meus trechos favoritos. Apesar de adorar músicas antigas, e principalmente rock and roll, não conhecia Susan. Curiosamente ela não tem música nas coletâneas da Billboard da década de 70

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