Se o Scheckter não tivesse se enfiado no meio eu teria a imagem perfeita para o artigo.

Se o Scheckter não tivesse se enfiado no meio eu teria a imagem perfeita para o artigo.

Seguir os passos dos pais é algo muito comum. Você já cresce naquele meio, acostumado com os jargões, os horários, até com os problemas. Por isso muitas vezes associamos um sobrenome a uma profissão.

Assim, quando se fala em Jatene, pensamos nos bons cirurgiões; os Ford foram fabricantes de carros; os Manning, jogadores de futebol americano; os Baldwin, péssimos atores; e os Sarney… bom… deixa prá lá, podem ter crianças por aqui neste horário.

Luke! Eu tenho uma vaga no dark side. Me dê seu currículo!

Luke! Eu tenho uma vaga no dark side. Me dê seu currículo!

Não seria diferente no nosso esporte predileto. Quando você cresce dentro de um box, com cheiro de gasolina por toda parte e graxa debaixo das unhas, você vai querer estar atrás do volante antes mesmo de ter vontade de estar debaixo das saias das grid girls (leiam o texto do Fusinato, ficou ótimo). Tanto é que os nomes Senna, Piquet e Fittipaldi não alinharam no grid apenas na companhia de nossos campeões. Nesta página da Wikipedia você encontra uma lista considerável de parentes cabeças de gasolina. Até mesmo um tal de Rami Raikkonen, irmão mais velho do Iceman.

O Räikkönen sorridente

O Räikkönen sorridente

Mas ter um sobrenome famoso não garante talento a ninguém. E foram poucas as combinações de hino e sobrenome com pilotos diferentes no alto do pódio após uma etapa do campeonato de Fórmula 1.

Os Rosbergs 

nico_kekeNosso atual vice-campeão mundial, Britney, é filho de Keijo, um dos bigodes mais ousados das pistas. Nesse caso, nem o hino tocado nas vitórias dos dois é o mesmo. Keke é finlandês, mas Nico nasceu na Alemanha e corre sob esta bandeira, apesar de ter dupla personalidade nacionalidade. E a confusão de países nesta história não pára por aí. Keke venceu sua primeira prova em Dijon-Prenois, na França. Esse foi o Grande Prêmio da Suíça do ano de 1982 (!?).

Não. Simplesmente não.

Não. Simplesmente não.

Apesar de Keke ter encerrado a carreira com cinco vitórias, enquanto Nico já tem 8 – e com certeza deve aumentar o número – o pai é campeão do mundo – justamente em 82, no ano da primeira vitória, que foi também a única dele naquele campeonato.

Os Rosbergs então estão com 13 pontos, mas com chances de aumentar o escore e passar os próximos colocados, que são

Os Villeneuves

villeneuvesJoseph Gilles Henri Vlleneuve e seu filho Jacques Joseph Charles Villeneuve (o Del Valle me paga por letra digitada, então não reclamem) formam outra dupla de pai e filho com vitórias nas carreiras. Dessa vez, pelo menos, era sempre o hino canadense que ouvíamos.

E se aqui o filho tem ampla vantagem sobre o pai (11 vitórias contragilles-villeneuve-ferrari-312-t4 6, e um título mundial de lambuja), Gilles é sempre lembrado como uma lenda do automobilismo por seu arrojo, suas performances e, é claro, por ter corrido pela Ferrari. Se você não caiu aqui por acidente, é fisicamente impossível ler Villeneuve-Arnoux e não ter vontade de assistir esse vídeo pela enésima vez. Gilles faleceu precocemente aos 32 anos em uma colisão em Zolder, na Bélgica, no mesmo 1982 que viu a primeira vitória e o título de Keke Rosberg.

Ele tentou ensinar ao filho as coisas boas da vida.

Ele tentou ensinar ao filho as coisas boas da vida.

Já o filho, campeão em 1997 (pela Williams – eca – e ainda por cima sobre a Ferrari de Schumacher) anda sendo lembrado ultimamente pelas marcas indeléveis deixadas nos carros dos adversários.

Juntos, os Villeneuves conquistaram 17 vitórias. Menos da metade de nossa próxima dupla,

Os Hills

by Lewis Morley,photograph,1963Graham “Nice Moustache” e Damon “White Head” Hill, pai e filho respectivamente, conquistaram juntos 36 vitórias e três títulos mundiais. Formam a única família a ter duas gerações de campeões mundiais de F1.

graham-hill-portraitGraham (não o chamem de “Sir”; injustamente o único ser humano a vencer em Mônaco, Indianápolis 500 e Le Mans tem apenas o título de Officer of the British Empire, não sendo um Cavaleiro) foi o melhor do mundo em 62 (pela BRM) e 68 (pela Lotus), ganhando 14 provas.

gdhill

"The name is Hill. Damon Hill."

“The name is Hill. Damon Hill.”

Damon (mesmo título de OBE de seu pai) tem 22 vitórias e o título mundial de 1996, ano em que largou na primeira fila em todas as 16 corridas do campeonato. Seu filho Joshua teve uma breve carreira no automobilismo, na Fórmula Renault britânica, porém a esperança de ver a terceira geração de Hills na Fórmula 1 acabou em 2013 quando ele anunciou sua retirada das pistas.

"Esse cara tá me enrolando..."

“Esse cara tá me enrolando…”

Mas, se você é um cabeça de gasolina perspicaz, a esta altura já se perguntou: “ainda não entendi o motivo deste texto estar no Efemérides da Semana, apesar de ser maravilhosamente escrito” (se sua pergunta não foi exatamente esta, você até pode ser perspicaz, mas não é um bom crítico literário). A resposta vem agora, pois chegamos à família mais vitoriosa da F1,

Os Schumachers

136253129-michael-ralf-schumacher.9Há 14 anos, em 15 de abril de 2001 (viram? essa é a efeméride), Ralf Schumacher vencia o GP de San Marino. Essa sua primeira vitória marcou também a primeira vez que dois irmãos venciam uma corrida de Fórmula 1 na história. Em Ímola, enquanto a Ferrari de seu irmão mais velho abandonava a prova, Ralf levou a Williams à sua primeira vitória desde o GP de Luxemburgo de 1997, vencido por Jacques Villeneuve.

Ralf ainda venceria outras 5 vezes. Seu irmão contribuiu um pouco mais, com 91 das 97 vitórias dos filhos de seu Rolf. Além de sete títulos mundiais. Essa história está sendo contada em nossos especiais, o 28, o 53 e o 78.

Dificilmente alguém conseguirá ultrapassar esses dois irmãos em números. Mas esperamos que algum parente de piloto vencedor chegue logo ao pódio, para adicionarmos mais uma família nesta seleta lista.

Um de meus filhos perdeu a mão direita, e o outro é um anão. Não olhem prá mim.

Um de meus filhos perdeu a mão direita, e o outro é um anão. Não olhem prá mim.

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FORA DAS PISTAS:

mustang 1964Em 15 de abril de 1964, dois dias antes de começar a ser vendida nacionalmente, a lenda americana Ford Mustang era apresentada ao público. Filho direto do Ford Falcon, o Mustang foi o primeiro “pony car”, um automóvel relativamente compacto, de preço acessível e aparência esportiva.

2015

Fabricado até hoje (aos 51 anos acaba de chegar à sua sexta geração), o Mustang serviu de base àquele que, em minha humilde e leiga opinião, é o maior e mais lindo muscle car já produzido, o Shelby Mustang GT 500.

Carro que nasceu para ser estrela, o Mustang estreou nas telonas já no ano de seu nascimento, em Goldfinger, do 007. Entre muitos outros “papéis”, se tornou uma lenda na perseguição em Bullitt, do cabeça de gasolina Steve McQueen, e como Eleanor, o sonho impossível de Gone in Sixty Seconds.


Valesi

Velho o suficiente para reclamar com propriedade, não tenho esperanças de que alguém me leve a sério. Ferrarista e fã de Jack Daniels, não necessariamente nessa ordem. Pago no máximo 40 pratas por uma foto do Button cometendo um crime.

4 comentários

Joshué Fusinato · 15 de abril de 2015 às 8:58

E vem o terceiro Schumacher por aí! Se ele tiver o talento do tio, mas a cabeça fria do pai, pode estar nas cabeças daqui uns 8 anos.

E mais uma coisa, até certo ponto, o Scheckter tem razão de estar na foto, pq o filho dele correu na Indy… mas só fez merda…

Will · 15 de abril de 2015 às 11:37

Ah…que texto bacana.

E juntamente com o Tywin no final, eu receio que seus netos também não possam pagar essa dívida Lannister nas pistas…

Valesi · 16 de abril de 2015 às 9:55

Um potencial candidato talvez seja o Freddie Hunt, filho do mito James.

Carlos Del Valle · 16 de abril de 2015 às 10:32

Cara que texto excelente, já estava ótimo, mas finalizar com o Mustangão foi espetacular! #MustangueraRulez

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