Há exatos 25 anos, num 11 de março em Phoenix, no Arizona, começava a temporada de 1990 da Fórmula 1.

O carro de trás é uma McLaren, óbvio.

O carro de trás é uma McLaren, óbvio.

 

"Isso vai ter troco, francês!"

“Isso vai ter troco, francês!”

Não que o campeonato de 1989 tivesse realmente terminado: após aquele clássico e infame GP do Japão, que deu o campeonato a Prost, e do chuvoso e anticlimático GP da Austrália (o francês deu uma volta e parou, Senna encheu a traseira da Brabham do Martin Brundle e a Williams de Boutsen herdou a vitória), as peças do tabuleiro tinham se rearranjado para uma nova jogada.

A McLaren sabia que não podia continuar com os dois gênios dividindo os boxes, e resolveu o problema numa troca simples: Prost foi correr ao lado de Mansell na Ferrari (viram? Só falei da Scuderia no terceiro parágrafo!!!), enquanto Berger vinha se tornar o melhor escudeiro que Ayrton já teve. A Wiliiams manteve Patrese e Boutsen no FW13B, e Piquet trocou a Lotus pela Benetton, supostamente com um contrato que lhe garantia 100.000 George Bushes por ponto conquistado.

O 32º GP dos Estados Unidos foi um completo samba do Alice Cooper doido em se tratando de coerência climática: uma corrida de rua numa cidade no meio do deserto, com o nome oficial de Iceberg (!) United States Grand Prix, teve chuva no sábado e temperatura de 18º C no domingo.

Com o toró no qualifying, o grid ficou embaralhado, levando vantagem para a turma dos pneus Pirelli. Berger, na pole, era o único calçado com pneus Goodyear entre os primeiros. Pierluigi Martini pôs a Minardi em segundo, numa histórica e única primeira fila da equipe. A segunda fila tinha Andrea de Cesaris com a Dallara e Jean Alesi na sua Tyrrell. A terceira fila era brazuca, com Senna e Piquet.

Na largada, Alesi não botou fé em nenhum dos caras da frente e, da quarta posição, terminou a primeira volta na liderança. Senna aproveitou a Champs-Élysées aberta e logo estava na terceira colocação, na cola de Berger. Na 9ª volta o austríaco sentiu o bafo quente na nuca e resolveu encostar (no muro) pro chefe passar. Ayrton estava agora a 8 segundos do francês (“mais um!”, deve ter pensado), e com medo de ficar sem pneus foi ganhando espaço aos poucos.

imagesEntão, na volta 34, aconteceu um daqueles momentos mágicos da fórmula 1; o campeão do mundo colocou por dentro (ui!) e passou Alesi, mas o piloto da Tyrrell manteve o traçado por fora e retomou a liderança na próxima curva! Manobra espetacular, que lhe rendeu mais uma volta na liderança. No mesmo ponto, logo depois, o brasileiro passou e manteve a ponta. Ensaiou-se uma bela perseguição nas voltas seguintes, com Alesi dando um belo suador na McLaren, mas as posições ficaram assim mesmo. Completando o pódio, Boutsen.

Jean Alesi ganhou merecidos elogios de Ayrton após a corrida, além do vaticínio de que o francês ainda seria um campeão na categoria. Pois é. Senna era craque, mas realmente prever o futuro não era a sua praia…

Falamos sobre essa corrida no nosso episódio 90 do Podcast F1 Brasil.

Foi de uma vitória na estreia, há 25 anos, que Senna largou para o bicampeonato. Neste domingo começa a temporada de 2015. Acompanhe conosco mais essa briga, cabeça de gasolina.

Até a próxima, galera!

Fora do autódromo: em 11 de março de 1952 nasceu Douglas Noel Adams. O britânico escreveu, além do clássico Guia do Mochileiro das Galáxias, esquetes do Monty Python e episódios de Doctor Who, além de tocar guitarra num show do Pink Floyd. Se você ainda não conhece esse cara, não entre em pânico. Pegue sua toalha e vá ler um pouco enquanto o GP da Austrália não começa.

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Categorias: Artigos

Valesi

Velho o suficiente para reclamar com propriedade, não tenho esperanças de que alguém me leve a sério. Ferrarista e fã de Jack Daniels, não necessariamente nessa ordem. Pago no máximo 40 pratas por uma foto do Button cometendo um crime.

9 comentários

Joshué Fusinato · 11 de março de 2015 às 14:37

Quem diria, depois dessa corrida, que o Alesi terminaria a carreira só com uma vitória…

Outra efeméride é que ele foi o último piloto a segurar o volante no estilo “dez pras duas”, em vez o “quinze pras três” de todos os outros. Era bizarro!

E obrigado pelos peixes!

Joshué Fusinato · 11 de março de 2015 às 14:38

Ah… Esqueci de uma coisa:

Seu gordo!

😛

    Valesi · 12 de março de 2015 às 13:01

    Não sou gordo, só sou baixo pro meu peso!

Samuka Amorim · 11 de março de 2015 às 15:02

42, a resposta para a vida o universo e tudo mais….
Até o Google sabe…
https://www.google.com.br/#q=resposta+para+a+vida%2C+o+universo+e+tudo+mais

    Valesi · 12 de março de 2015 às 13:02

    O google sabe tudo! Menos a idade real do Butto.

Walescko Chimendes · 11 de março de 2015 às 15:04

Essa briga pela primeira posição é um épico da F-1, eu assisti essa corrida e até hoje quando vejo ainda vibro com as manobras.

    Valesi · 12 de março de 2015 às 13:03

    Também me lembro bem dessa, Walescko. E acompanhei bastante a carreira do Alesi, até porquê ele só está a uma letra de ser meu parente.

Cristiano Seixas · 13 de março de 2015 às 22:22

O Alesi chegou chegando em 90, mas nos anos seguintes nao vingou.
E o Senna disse que correu bem desmotivado em Phoenix devido as confusoes de 89

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