Um dos personagens mais folclóricos - e de maior nariz - do automobilismo mundial

Um dos personagens mais folclóricos – e de maior nariz – do automobilismo mundial

Olá amigos!

O episódio do Podcast dessa semana apresentou diversos casos pitorescos sobre as corridas realizadas na Terra dos Livres e Lar dos Bravos, mas uma história que escapou do crivo dos Cabeças de Gasolina Chefes vale a pena ser contada. Vamos à ela:

Bonitinhas essa rodas azuis né?

Bonitinhas essa rodas azuis né?

O ano era 1964, e a F1 vivia um período de revoluções. Poucos anos antes, por influência dos resultados das garageiras inglesas, as equipes começaram a instalar os motores dos carros na traseira, contrariando a frase icônica do Comendador Enzo Ferrari (o personagem central da nossa história de hoje), que “Os carros tem que ser puxados, e não empurrados.” Dois anos depois, teríamos mais uma mudança drástica no panorama da categoria, mais uma vez comandada pelos ingleses: a entrada dos patrocínios na categoria.

A temporada daquele ano contou com 10 etapas, e a etapa americana foi a penúltima, naquela que foi a quarta corrida realizada no circuito, e foi ganha por Graham Hill, a bordo de uma BRM, seguido por seu maior rival, John Surtees com uma Ferrari, e Jim Clark, de Lotus.

Esse resultado embolou o campeonato, pois os três primeiros dessa corrida ainda tinham chances de título, que seria definido na última etapa, a ser realizada no México, onde Surtees se consagrou campeão conquistando um segundo lugar, após o abandono de Graham Hill, enquanto este andava em um desonroso décimo primeiro posto.

Mas isso não tem nada a ver com a história de hoje, apenas serve como pano de fundo histórico da temporada. Aliás, nossa história começa fora da F1.

O causador da discórdia

O causador da discórdia

Nossa jornada começa após o Grande Prêmio da Itália, etapa imediatamente anterior à corrida dos US and A. A Ferrari sofria para conseguir que o Automobile Club d´Italia homologasse a versão para corridas do 250 GT como Gran Turismo, apenas o fazendo como Protótipo.

Na época, para um carro conseguir a homologação como GT, era necessária a produção de um número mínimo de carros para venda. Por diversas vezes, o malandro agulha do Enzo Ferrari prometia que ia produzir os modelos a apresentar uns meses depois, e fingia que esquecia a promessa que tinha feito. O ACI cansou das promessas, e tentou dar um basta na sacanagem.

Depois do GP da Itália, e com a situação não resolvida, o Cappo fez sua promessa, ao melhor estilo Scarlett Ohara: “Nunca mais a Ferrari vai alinhar seus carros pelas cores da Itália!”

Enzo Ferrari mereceia um  Oscar!

Enzo Ferrari mereceia um Oscar!

Os carros de Lorenzo Bandini e John Surtees foram inscritos nas duas últimas etapas como bólidos da equipe de Luigi Chinetti, um concessionário da marca do cavalo rampante nos Estados Unidos, conhecida como North American Racing Team, ou NART.

Eram tempos em que os carros ostentavam as cores de seus países, sendo o vermelho associado aos carros italianos, o verde aos ingleses, o azul aos franceses, o prata aos alemães, e por aí vai… Por se inscrever como equipe americana, a Ferrari carregava as laterais do carro em azul, com uma larga faixa branca no meio, além das rodas brancas.

Ué? Como assim FERRARI AZUL?!?!

Ué? Como assim FERRARI AZUL?!?!

(Mais uma EFEMÉRIDE: a cor oficial da Ferrari é o amarelo, cores da cidade de Modena, onde ficava sua primeira sede.)

E como em todo final de episódio do He Man, pergunto-lhes: o que aprendemos com a história de hoje?

Pois eu mesmo respondo!

Tudo isso demonstra o quão forte é a influência da Scuderia na política do esporte a motor desde muito antes do que podemos imaginar! Esse episódio demonstra como o vermelho Ferrari e Automobilismo são coisas quase indissociáveis.

Ah, e poucas semanas após a corrida do México, a Ferrari 250 GT ganhou a homologação que precisava, mesmo sem apresentar os modelos de rua construídos…

Abraço!

Será que um dia isso pode acontecerá outra vez?

Será que um dia isso pode acontecerá outra vez?


5 comentários

Valesi · 31 de outubro de 2014 às 17:05

Grande história. Ou seja:

A Ferrari é vermelha, suas cor oficial é amarela e, para chatear os italianos Don Enzo foi correr de azul, a cor dos Savóia, da Squadra Azzurra e cor oficial da… Itália!!

    Joshué Fusinato · 31 de outubro de 2014 às 17:10

    Que volta… E faz todo o sentido!

    Valesi · 31 de outubro de 2014 às 17:21

    *sua cor oficial. Sobrou um “s”.

rubens GP netto (@rubensGPnetto) · 31 de outubro de 2014 às 17:11

Excelente texto Joshué!!!
Nunca uma “efemeride escapada” foi tão bem aproveitada!!!
Abraço!!!

    Joshué Fusinato · 31 de outubro de 2014 às 17:23

    Valeu Rubens!

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