A Efeméride da Semana tratou de um dos eventos mais celebrados entre os cabeças de gasolina, durante todos esses anos do esporte: o pega entre Villeneuve e Arnoux no GP da França de 1979.

O início de julho era marcado pela presença do GP da França. É uma pena não termos mais corridas no solo que nos proporcionou o primeiro Grande Prêmio da história… E nossa viagem de hoje vai parar na lá, mas o nosso primeiro, os prolegômenos do nosso personagem.

O jovem Helmut.

O jovem Helmut.

Helmut Marko, que hoje conhecemos como porta voz para assuntos automobilísticos da equipe Red Bull e de Dietrich Mateschitz, um dia foi piloto de corridas, dos bons, com uma carreira vitoriosa e de fim precoce.

Nascido na Áustria em 27 de abril de 1943, Helmut foi colega de escola de ninguém menos que Jochen Rindt. Mesmo com gasolina correndo nas veias, Marko só se aventurou ao volante com 25 anos, após se graduar no curso de Direito.

Disputou os campeonatos de Formula Super Vê e Formula 3 até 1970, obtendo resultados apenas medíocres, porém que demonstravam que tinha talento.

Vai tem, volta tema, e Le Mans tá sempre presente!

Vai tem, volta tema, e Le Mans tá sempre presente!

Foi recrutado pela Porsche, onde começou a disputar o Mundial de Endurance, fazendo par com o grande Gijs van Lennep (que um dia, quem sabe, em um futuro especial sobre Le Mans, vai ser homenageado).

Os Annus Mirabilis de Helmut Marko certamente foram 1971 e 1972. No primeiro, conquistou de forma incontestável as 24 Horas de Le Mans, alcançando a marca histórica de 5.335,313 quilômetros percorridos, com velocidade média de 222.304 km/h. Esse recorde perdurou por 39 anos!

Não se engane pelos poucos resultados na F1, o cara era bom!

Não se engane pelos poucos resultados na F1, o cara era bom!

Nesse mesmo ano, estreou na Formula 1 no GP da Alemanha, com um caro da equipe de Jo Bonnier. No GP seguinte foi arregimentado para as fileiras da BRM, porém, não obteve nenhum resultado digno de nota.

A carreira nos esporte protótipos ia muito bem, obrigado. Em 1972, ao volante do magnífico Porsche 911 Carrera RSR, conquistou a perigosíssima Targa Florio, em uma de suas últimas edições, com uma pilotagem soberba.

Esse fato foi celebrado pela Red Bull há pouco tempo, quando Daniel Ricciardo teve o privilégio de pilotar esse monstro nos arredores de Palermo, onde a corrida acontecia, e cidade natal de seus pais.

Voltando à F1, e a 1972. Os resultados de Helmut não eram animadores, tendo como melhor resultado um oitavo lugar em Mônaco. No dia 2 de julho, o circo chegou ao circuito de Charade, em Clermont-Ferrand, e o sexto lugar no grid de largada conquistado por Hemult era promissor.

Charade não era um circuito fácil. Oito quilômetros de extensão, com muito sobe e desce, em uma pista improvisada nas estradas vicinais da região das Ardenas – as francesas, não as belgas… mas Spa fica bem pertinho – a pista tinha como característica principal a sujeira, pois os pilotos triscavam as rodas na parte de dentro dos acostamentos para ganhar tempo.

Na oitava das 38 voltas previstas, enquanto Marko seguia de perto Emerson Fittipaldi em uma disputa pelo quinto lugar, uma pedrinha que estava no acostamento foi atirada pelo pneu da Lotus do brasileiro, tal qual a mola que acertou Felipe Massa em 2009.

O resultado foi aquilo que todas as mães dizem quando, durante a infância, aparecemos com machucados no rosto decorrentes de brincadeiras: “Ai meu Deus, se pega no olho!”. Helmut Marko não teve a sorte que tivemos.

A pedra trespassou a viseira do capacete do austríaco, acertando diretamente o olho esquerdo, acabando de forma melancólica uma carreira que poderia ter ido muito longe. Talevz não a ponto de se tornar Campeão Mundial de F1, mas com o carro certo poderia conquistar vitórias e dar trabalho para o conterrâneo Niki Lauda.

Acho que não teria como ser pior.

Acho que não teria como ser pior.

Ao mesmo tempo, acidentes como esse ajudaram e muito a melhorar a segurança do esporte a motor, que apesar de perigoso, não é o moedor de carne que costumava ser.

Até a próxima senhores!

P.S.: Esse post marca o meu vigésimo texto publicado pelo Podcast F1 Brasil! \o/
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4 comentários

Valesi · 2 de julho de 2015 às 8:24

Parabéns pelo texto e pela efeméride.
E, se a carreira como piloto de Marko acabou naquela pedra no meio do caminho, pelo menos ele está autorizado a usar um tapa-olho!

    Joshué Fusinato · 2 de julho de 2015 às 9:08

    Hahahaha Valeu Valesi!

    Só falta dizer que o João do Pulo merece usar perna de pau! Não, péra!

      Jordan Bandeira · 2 de julho de 2015 às 18:02

      Muito boa efeméride Joshué. (Ainda me acostumo com essa palavra ‘efeméride’)

      Legal saber mais sobre o cara que gerenciou as carreiras de Berger, Wendlinger e que revelou o genial Vettel. Ah sim: ele também levou Montoya (!) para a F1.

      Mas a foto da viseira perfurada deu arrepios na espinha dorsal. Deve ter sido uma senhora porrada.

        Joshué Fusinato · 3 de julho de 2015 às 11:46

        Muito legal seu comentário Jordan! (e que nome de cabeça de gasolina hein?)

        Certamente a “segunda vida” do Helmut Marko ainda vai ser pauta de posts aqui no site!

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