Vamos tentar ajudar o amigo cabeça-de-gasolina a entender algumas coisas sobre esse “chocante” incidente com Fernando Alonso e seu afastamento. Concussão significa “chacoalhar”, “agitar”. Significa que a pessoa tomou uma pancada na cabeça. Ela pode ter desmaiado ou não, ela pode ter ficado tonta ou não. A concussão tem uma característica importante: os exames estão normais. Não há sangramento, hematomas, fraturas ou contusões cerebrais.

normal ct

Tenho uma notícia mais bombástica ainda: a hoje famosa lesão axonal difusa, que supostamente vitimou Jules Bianchi, é prima-irmã da concussão. Você muda o nome de concussão para lesão axonal difusa quando a pessoa permanece inconsciente por mais tempo. Sendo assim, uma concussão mais grave começa a entrar no território da lesão axonal difusa leve. Claro que a lesão axonal difusa que Jules Bianchi teve é do tipo grave, que muitas vezes chega a ter alterações nas imagens.

Resta pouca dúvida que Alonso tenha sofrido uma concussão no seu acidente em Barcelona, já que ficou inconsciente, confuso e até mesmo falou italiano no Centro Médico quando voltou a si.

21 DIAS 

Onde quero chegar? Basicamente, concussão é uma coisa comum. Existem rotinas para concussão. Vou deixar este link e este outro, para mostrar como são os protocolos para concussão em esportes como o rúgbi, por exemplo. O básico é que a pessoa deve ficar em repouso por 14 dias. Repouso significa inclusive ficar sem exercício aeróbico. Uma segunda agressão ao cérebro que foi chacoalhado pode resultar numa reação mais extensa, com edema cerebral, o que já é bastante grave. É a chamada Síndrome do Segundo Impacto.

rugby

O acidente de Alonso foi no dia 22 de fevereiro, ou seja, ele deve ficar até o dia 8 de março longe até mesmo das bicicletas e dos tênis de corrida. A fase seguinte é o “retorno gradual”, que deve demorar em média 7 dias, chegando-se ao número mágico que a maioria dos esportes utiliza: 21 dias. Com essa conta, Alonso só poderia voltar no dia 14 de março, dia do treino de classificação, e um dia depois dos primeiros treinos livres para o GP da Austrália. Seria muito em cima da hora.

MISTÉRIO

A falta de transparência gera boatos. O fato da McLaren ter feito um certo mistério, e ter ficado minimizando a condição clínica de Alonso, ajudar a criar teorias de conspiração. Usando o princípio da Navalha de Occam, o mais provável é que tenha sido realmente um ângulo infeliz de colisão. Existem estruturas de impacto feitas para absorver a energia da colisão tanto no bico e traseira como nas carenagens laterais do carro. Já os braços da suspensão são feitos visando puramente a força bruta, para resistir aos ataques contra zebras e contra rodas de adversários. Ainda por cima, a colisão foi contra um muro de concreto desprotegido, coisa rara hoje em dia, com tantas barreiras de pneus, “Safer barriers” e áreas de escape enormes. Não é à toa que a FIA disse que ia investigar o acidente, visando prevenir a repetição de colisões com essa repercussão.

raio negro

Para piorar, ainda aparecem relatos sobre um suposto “choque de 600 W”, vindos do ex-piloto de F1 Fabrizio Barbazza. Normalmente ninguém daria bola para esse tipo de boato, mas a perda de controle do carro a uma velocidade que Vettel classificou como “lenta” sempre inspiraria suspeitas.

Nem a Honda nem a McLaren admitiriam isso. A Honda tem tradição de esconder algumas falhas de motor nos tempos de Senna. Se a história do choque for verdade, há dois pilotos que merecem ganhar um troféu. Nome dos pilotos: Button e Magnussen. Nome do troféu: Culhões de Titânio. Sentar num carro que quase eletrocutou um colega horas antes é coisa para deixar qualquer um com medo.

PARALELOS COM SERGIO PÉREZ

No treino de classificação para o GP de Mônaco de 2011, Sergio Pérez teve um acidente forte, justamente uma colisão lateral contra a barreira que fica na área de escape na Chicane do Porto. Como atenuante, a barreira era deformável, e não o frio muro de concreto como na curva 3 de Barcelona.

perez monaco crash

Mesmo sem nenhum impacto adicional, Perez tentou guiar um carro de Fórmula 1 doze dias depois do acidente em Mônaco. Acabou tendo que abandonar os treinos livres para o GP do Canadá, por sentir tontura e náuseas no treino. O que nos leva a pensar que faltou aplicar os critérios corretamente no caso de Perez, e que no caso da concussão de Alonso, a equipe médica fez tudo conforme manda o figurino. Só fica essa “eletrizante” teoria da conspiração sobre a causa da batida que gerou a concussão…

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Carlos Del Valle

Podcaster. Imerso em Fórmula 1. Nada mais lógico do que um podcast sobre Fórmula 1.

7 comentários

Fabiano Forte · 4 de março de 2015 às 20:59

Sei não… ainda estou cismado com essa história. Mais pelo comentário do Vettel do que pela atitude da McLaren!
Agora, deve ter sido engraçado ver o Alonso acordando e falando em italiano…

Samuka Amorim · 5 de março de 2015 às 10:00

Acho que o grande ponto dessa história toda é descobrir o que fez o Espanhol bater de fato.
Existe uma informação, que não sei se confere, de que o Alonso teria perdido a consciência cerca de 3 segs antes do impacto…
Sendo assim… o que fez ele perder a consciência????
Este é o ponto.. pode ter sido a tal descarga elétrica como também pode ter sido um mal estar ou outra condição qualquer que ocorreu com o piloto naquele instante… mas iiisto sim é algo que deve ser descoberto/revelado…
Não acham?

    Carlos Del Valle · 5 de março de 2015 às 10:12

    Oi Samuca! 🙂 Hoje de manhã saiu na BBC que Alonso estava vindo se sua volta mais rápida, e estava mais rápido ainda, então contradiz o Vettel. E ele freou bastante o carro, parecia uma frenagem igual à da curva 4.

Samuka Amorim · 11 de março de 2015 às 11:10

Pois é, tinha visto esta notícia também..
O complicado é que a cada dia saem informações novas e contraditórias.
Fato é que como o Rubens comentou.. ‘Nunca saberemos o que de fato ocorreu’…
O jeito vai ser observar o desenrolar da temporada, tanto o carro da Mc Laren quanto o Alonso…
Tomara que esteja tudo bem com ambos.. a pesar de que essa jabiraca da honda……….. rsrsrsrs

    Carlos Del Valle · 11 de março de 2015 às 15:33

    Essa nem o Barrichello em seu futuro livro sobre a máfia italiana vai poder contar

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