Sabe quando você quase passa no vestibular, mas fica ali pela boa, e acaba sendo chamado depois, quando as aulas já começaram? Temos dois pilotos estreantes que vivem sensação parecida nesta Temporada 2015 da Fórmula 1. O anúncio foi tão tardio que nem sequer puderam ter o privilégio de figurar no nosso Especial Estreantes 2015, que só falou sobre Nasr, Verstappen e Sainz.

MANOR

A Manor, tal qual Fênix, ressurgiu da cinzas da nanica Marussia. Se uma nanica quase vai à falência e depois ressurge na última hora, não é preciso ser nenhum cientista da NASA para concluir que esta nova encarnação será mais nanica do que nunca. Luta contra a degola dos 107%, dinheiro curto, instalações espartanas, e claro, pilotos pagantes. Pay drivers. Ninguém com um carro dois segundos mais lento que a penúltima colocada vai ter a ilusão de que adianta trazer um piloto talentoso, um Ayrton Senna ressurecto que milagrosamente caminhará sobre a água e fará a equipe ultrapassar a Sauber McLaren Toro Rosso no Mundial de Construtores. O lance é arranjar alguém que pague bem e não destrua muita fibra de carbono. É aí que entram nossos dois novos heróis da Fórmula 1.

WILL STEVENS

O inglês William “Will” Stevens fez três anos na categoria júnior da Fórmula Renault, que no caso é a Fórmula Renault 2.0. Conseguiu ficar em quarto no campeonato britânico, com uma vitória, em 2010, e também em quarto no campeonato europeu, também com uma vitória, em 2011.

Nos três anos seguintes (2012-14), Will Stevens batalhou na hoje badalada WSR / World Series by Renault / Fórmula Renault 3.5 / mais algum outro nome que você quiser dar à categoria com nome mais confuso do planeta. Em 2012, conseguiu um pódio e ficou em décimo-segundo no campeonato, e em 2013 melhorou para cinco pódios e quarto lugar no campeonato.

Ano passado (2014), Stevens conseguiu suas duas primeiras vitórias na WSR, na clássicas Monza e Jerez, sendo que nesta última ele largou da pole (sua única pole), mas terminou em sexto no campeonato. Também em 2014 ele pilotou para a Caterham em Abu Dhabi, ficou a meio segundo de Kobayashi no treino de classificação e terminou na mesma volta que das Saubers e da Lotus do Groselha, Díficil julgar seu desempenho só por essa corrida.

Assim, é possível afirmar que Will Stevens tende a não conseguir fazer chover. Se não passar grandes vexames, já será lucro, e nossa grande diversão será monitorar sua luta contra o companheiro de equipe, de quem falaremos a seguir.

ROBERTO MERHI

O espanhol Merhi faz parte da longa lista de esportistas gerenciados pelo ex-piloto de Fórmula 1, Le Mans e CART Mark Blundell. Se me lembro bem do programa da Motor Sport Magazine com ele, Blundell agencia 22 jogadores de futebol, nove pilotos de corrida e mais alguns do golfe (o esporte, não o carro). Sim, golfe é considerado esporte (para minha surpresa).

a roberto mehri wsr

Merhi é mais jovem que Stevens (21 anos contra 23 do inglês), e parece ter uma carreira mais sólida. Fez três anos na Fórmula 3 Europeia (2009-11), sendo campeão em 2011 com 11 vitórias. O vice-campeão foi Marco Wittmann, hoje campeão da DTM, e o terceiro colocado foi Daniel Juncadella, também da DTM e piloto reserva da Force India ano passado.

Merhi passou dois anos na DTM, sob tutela oficial da Mercedes, mas foram anos de purgatório, sem resultados dignos de nota. Para 2014, encarou a WSR, com boa participação: três vitórias e terceiro no campeonato.

VEREDITO

Na batalha interna da Manor, tudo leva a crer que Roberto Merhi prevalesça, assim como aconteceu com Bianchi sobre o constante Chilton. Vai ser interessante de acompanhar a batalha treino a treino, corrida a corrida.

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Carlos Del Valle

Podcaster. Imerso em Fórmula 1. Nada mais lógico do que um podcast sobre Fórmula 1.

11 comentários

rubens.pdf (@rubensGPnetto) · 10 de março de 2015 às 16:18

Que esses dois “meninos” consigam classificar bem (dentro dos 107%) os carros da Manor já no GP da Austrália, pq caso contrário, digam adeus a Manor!!!

    Carlos Del Valle · 10 de março de 2015 às 17:11

    Vai dar certo, estou torcendo!

Marcio Neves · 10 de março de 2015 às 16:19

só um adendo: é MERHI, não MEHRI, tal como o “Bot” lá no Twitter fica sacaneando ao nos corrigir 😀

    Carlos Del Valle · 10 de março de 2015 às 17:11

    Hahaha agora entendi qual é a do Bot… Também o cara tem o nome com o H errado, não é culpa minha 😛

Eduardo Casola Filho · 10 de março de 2015 às 16:36

Outra correção: o Will Stevens teve um companheiro no ano passado na Caterham, que foi o japonês Kamui Kobayashi.

    Marcio Neves · 10 de março de 2015 às 16:43

    Verdade, o Kamui correu. 42 das 55 voltas, mas correu

      Carlos Del Valle · 10 de março de 2015 às 17:20

      Bem lembrado! Era um Easter egg para detectar se a galera tá lendo tudo kkkk obrigado e um abraço

    Carlos Del Valle · 10 de março de 2015 às 17:12

    Pensei que o Kobayashi era turco

Mateus Ferreira · 11 de março de 2015 às 7:13

Imagino que será um fiasco, como foi a Forti-Corsi em 95 e 96. É muito ruim ver a F1 com poucos carros no grid, os que ficam como nanicas, estão terrivelmente com a situação complicada. É necessária uma mudança na gestão do esporte.

    Carlos Del Valle · 11 de março de 2015 às 13:42

    Por outro lado mesmo as equipes pequenas de hoje são bem mais profissionais e menos mambembes do que as de antigamente…

rafael - king of analogies · 29 de janeiro de 2017 às 22:19

foram bons pilotos em 2015,mas tive a leve impressão que em 2015 o Alexander Rossi conseguiu ser um pouco melhor que estes 2.

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