Nada mais clássico que uma temporada disputada entre Ferrari e McLaren. Em 1985, a Brabham estava sem pneu, a Renault estava sem piloto, a Lotus estava tentando se achar e a Williams ainda estava pegando a manha de fazer carros de fibra de carbono. Sobraram McLaren e Ferrari, com o título sendo disputado entre Alain Prost e Michelle Alboreto. O ídolo-mestre Niki Lauda até participou da temporada de 1985 pela McLaren, mas só estava dando aquela última capitalizada antes de se aposentar aos 36 anos.

A Ferrari 156/85 de hoje ficou encarregada de substituir a Ferrari 126, que tinha sido usada desde 1981 até 1984. A 126 tinha sido concebida nos tempos do efeito-solo, e foi adaptada em 1983 para usar o assoalho plano quando o carro-asa foi proibido. Já esta Ferrari de hoje foi desenhada desde o início para ter assoalho plano e motor V6 turbo. Além disso, foi a primeira Ferrari projetada desde o início para usar um monocoque de fibra de carbono, item essencial para competir com a pioneira McLaren nesse aspecto.

Aliás, como de costume, a designação desta Ferrari vem do motor: 156 porque tem 1,5L e seis cilindros. Capisci? O modelo conseguiu duas vitórias com Alboreto, e ainda mais sete pódios, sendo cinco com o italiano e dois com seu companheiro Stefan Johansson.

Isso foi suficiente para conseguir o vice-campeonato de Construtores, com 82 pontos, a apenas oito pontos da campeã McLaren-TAG. Isso nos permite dizer que o carro era muito bom, porque a dupla de pilotos ferraristas Alboreto/Johansson não se comparava à esmagadora combinação Prost/Lauda. O italiano chegou a liderar o campeonato após sua vitória na quinta etapa, em Montreal, e manteve a ponta até Hockenheim, que foi a nona corrida do ano. Mas Prost empatou com Alboreto no GP da Áustria, e foi lentamente ampliando a vantagem.

A Ferrari 156/85 teve uma confiabilidade péssima na segunda metade do campeonato. Alboreto abandonou as cinco últimas corridas, todas as vezes por falha mecânica. Assim, Prost ficou sossegado para ser campeão com duas provas de antecipação. A maneira que Alboreto protestou contra a fragilidade mecânica da Ferrari foi simplesmente espetacular. Em Brands Hatch, o italiano sofreu uma falha catastrófica no turbo ainda na volta 13. Com a traseira do carro em chamas, Alboreto fez questão de dirigir sua 156/85 até os boxes, e fez ainda mais: entrou na garagem com o carro pegando fogo, para desespero de todos que estavam por perto…

Até a próxima Ferrari da sexta-feira!

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Carlos Del Valle

Podcaster. Imerso em Fórmula 1. Nada mais lógico do que um podcast sobre Fórmula 1.

4 comentários

Eduardo Casola Filho · 10 de abril de 2015 às 16:28

Até soa um pouco injusto colocar a derrota ferrarista naquele ano apenas na dupla de pilotos, especialmente o Alboreto, que teve em 1985 o auge de sua carreira na F1.

O italiano teve atuações muito boas naquele ano, inclusive uma genial nas ruas de Mônaco, que ajudaram na sua credencial. O problema, como dito no texto, foi justamente mais na parte mecânica, que deixou o Alboreto a pé muitas vezes.

Outra efeméride foi a troca prematura do segundo piloto de 1985, já que no GP do Brasil, Renê Arnoux correu no 28, mas como ele já estava em desgraça com a cúpula de Maranello desde o ano anterior, foi demitido após a primeira corrida, sem um justificativa oficial, o que levantou teorias bem peculiares.

    Carlos Del Valle · 10 de abril de 2015 às 16:54

    Concordo, o Alboreto é um cara um pouco injustiçado, e a morte dele tem alguns aspectos bastante obscuros… Mas é que Prost é Prost

      Eduardo Casola Filho · 10 de abril de 2015 às 19:14

      Obviamente, não há como compará-los. Esse caso lembra um pouco o do Massa em 2008, embora tenha sido uma perda bem menos cruel que a do brasileiro.

Vitor · 19 de janeiro de 2016 às 23:28

Belo texto,concordo que não podemos atribuir somente ao Alboreto a perda do título,pois a confiabilidade do bólido infelizmente deixou a desejar,mas que a Ferrari careceu de um medalhão em seus cockpits após a morte de Gilles,isso não se discute,e impactou diretamente no jejum de títulos,atrelado claro,a política conturbada por mais que dinheiro jamais tenha sido problema. A falta de garantias de um carro competitivo,de grandes nomes no staff técnico e o ambiente conturbado,afastou o jovem Ayrton Senna da Ferrari por diversos anos,podemos citar 86,87,90,91,93 e 94. Quem sabe ele guiando uma dessas vermelhinhas o título não poderia ter vindo? Nelson Piquet também teve tantas ou mais propostas de Enzo Ferrari mas como ele mesmo disse:”Eu tinha medo de ir pra Ferrari. No jornal o piloto da Ferrari vencia e estava escrito: ”Ferrari vence”,se eu vencia com a Brabham aparecia: ”Piquet vence o GP” Eu prefiro ficar na Brabham” .
Ter um carro de ponta é preciso,mas também ter um piloto de ponta é fundamental para qualquer equipe na disputa de um campeonato,e a Ferrari nos 80 teve um mas não tinha outro.

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