Todas as sextas-feiras, nós falaremos sobre alguma Ferrari aqui no PF1BR. Como hoje é o primeiro dia, falaremos da primeira Ferrari que disputou o Campeonato Mundial de Fórmula 1: a Ferrari 125 F1.

Já começamos com uma efeméride bombástica: a Ferrari não participou da primeira corrida da história da Fórmula 1, o lendário GP da Inglaterra de 1950, em Silverstone. A famosa Scuderia só fez sua estreia na segunda etapa, numa corrida um tanto famosa chamada Grande Prêmio de Mônaco.

Na época, a regra de motores da Fórmula 1 permitia que os motores aspirados tivessem até 4,5 litros, enquanto os motores com turbo ou outro tipo de superalimentação só poderiam ter 1,5 litros. Tanto a dominadora Alfa Romeo como a Ferrari usaram em 1950 motores superalimentados de 1,5 litro, apesar de não serem motores “turbo”: eram motores equipados com o supercharger, ou “compressor mecânico”. Diferente do turbo, que usa a energia dos gases do escapamento para empurrar mais ar para o motor, o compressor mecânico tem um sistema mais simplório, girando junto com o motor através de uma correia dentada.

O motor da rival Alfa Romeo tinha a curiosa configuração “oito-em-linha”, com um litro e meio de deslocamento e supercharger. Teve extremo sucesso, vencendo todos os Grandes Prêmios da temporada de 1950, com Nino Farina e Juan Manuel Fangio. Só não venceu as 500 Milhas de Indianápolis, que faziam parte do calendário, apesar de poucos europeus se aventurarem em solo redneck. A grande vantagem dos Alfas era justamente o compressor mecânico muito mais eficiente, que permitia potências maiores.

E a Ferrari? Presta atenção que vem coisa legal. O motor Ferrari era curiosamente um V12 de 1,5 litro, também com compressor mecânico. É muito interessante imaginar um motor tão pequeno tendo 12 cilindros. Cada cilindro deslocava apenas 125 centímetros cúbicos. Aliás, o nome do carro é derivado dessa conta. Ferrari 125 F1, ou seja, 125 cc por cilindro. Até mesmo aquele Celtinha 1.5 do seu vizinho tem cilindros maiores, dividindo seu deslocamento por quatro e deixando cada cilindro com 375  cc.

MOTOR COLOMBO

E agora chega o momento que você vai aprender uma parada que vai impressionar os seus camaradas cabeças-de-gasolina. Não vai servir para pegar mulher, mas de qualquer forma é sempre bom ser respeitado entre os comparsas. O lance é o seguinte: esse pequeno V12 é conhecido como “motor Colombo”. Que diabo é isso? Botaram as Grandes Navegações na jogada? Não. Esse micro-V12 foi projetado e desenvolvido pelo engenheiro  Gioacchino Colombo, um dos nomes mais lendários da mitologia de Maranello. Quando você fala em V12 antigo da Ferrari, você separa os motores entre V12 “Colombo” e motores V12 “Lampredi”. O engenheiro Aurelio Lampredi é o cara que ficou encarregado de projetar os V12 grandes e aspirados, quando o Comendador concluiu que era melhor embarcar nos motores sem sobrealimentação.

Apesar de lendária, a Ferrari 125 F1 nunca venceu uma corrida oficial na Fórmula 1. Seus melhores resultados foram justamente na estreia, com um segundo lugar de Ascari em Mônaco, e depois um terceiro lugar de Peter Whitehead no GP da França nos retões de Reims-Gueux. O resultado do GP de Mônaco de 1950 foi curioso: Fangio venceu com a vantagem de uma volta para a Ferrari de Ascari, que por sua vez chegou uma volta à frente da Maserati de Louis Chiron.

a ferrari 125

PARENTESCO COM O FIAT 147

A Ferrari 125 F1 tinha motor dianteiro e freios a tambor, como mandava a tradição, e a suspensão dianteira era com um feixe de molas em lâmina colocado transversalmente. Sim, eu sei. Suspensão do Fiat 147. Não vou fazer piadas. Para o próximo capítulo, preparem-se, porque a “Ferrari da Sexta-Feira” não será a de 1951. Nosso padrão de viagem no espaço-tempo será mais complexo que isso. Até lá!

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Carlos Del Valle

Podcaster. Imerso em Fórmula 1. Nada mais lógico do que um podcast sobre Fórmula 1.

5 comentários

Valesi · 13 de março de 2015 às 10:39

Excelente. Essa do Joaquim Colombo eu não conhecia.

Joshué Fusinato · 13 de março de 2015 às 10:41

O início de uma lenda… A lenda do Fiat 147!

Não, brincadeira… Esses charutos dos anos 50 são muito charmosos… E os pilotos então? Verdadeiros heróis!

Muito bom Delvas, ~torcedor da McLata~… hehehehehe

Sérgio Siverly (@SergioSiverly) · 13 de março de 2015 às 14:48

Desconfio que o Del Valle ganha comissão da Chevy ao falar do Celta.

Sr.Roberto Deniro · 13 de março de 2015 às 16:15

Boa!

Terça Metal #1: Sinfonia de Destruição - Podcast F1 Brasil · 17 de março de 2015 às 16:05

[…] da nossa coluna sobre a “Ferrari de Sexta-Feira“, que estreou semana passada, teremos outra série semanal aqui no PF1BR. Toda terça-feira […]

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