Motores polêmicos, acusações de favorecimento da Ferrari pela FIA. Coisa de hoje em dia? Não exatamente. No final de 1960, os motores da Fórmula tiveram seu regulamento mudado para algo similar à antiga Fórmula 2. Seu deslocamento máximo foi severamente diminuído, passando de 2,5 litros para apenas 1,5 litro, sem turbo. Isso mesmo: um litro e meio, aspirado. No início, esses motores davam entre 150 e 200 cavalos de potência, e depois de alguns anos conseguiram chegar perto dos 225 cv. Não era exatamente a usina de um caça X-Wing.

A regra de motores só foi mudar para o ano de 1966, por um motivo óbvio: até os Gran Turismo de Le Mans estavam ficando mais rápidos que os carros da Fórmula 1, simplesmente porque tinham motores grandes e potentes.

ferrari 156 shark

Por uma interessante coincidência, a Ferrari era a única equipe que tinha um motor de 1,5 litro prontinho para a temporada de 1961. No ano anterior, a Ferrari ainda tinha usado seu carro com motor dianteiro, e tinha ido mal contra os Lotus e Coopers de motor central-traseiro. Para 1961, a Ferrari 156 teria o motor no lugar certo, e esse motor seria melhor que os outros. Receita garantida para o sucesso. A relutante Ferrari adotaria o motor central-traseiro e já conquistaria o título naquele ano mesmo.

ferrari shark grid

O carro era bonito, rápido e confiável, e a Ferrari “nariz de tubarão” venceu cinco das sete corridas que disputou. A temporada tinha oito etapas, mas a Ferrari não foi à última etapa, o GP dos EUA, porque já era campeã antecipada de pilotos e construtores. Dessas cinco vitórias, três foram de dobradinha. O título de Construtores foi tranquilo, ganhando da Lotus por 52 a 32, sem contar os descartes.

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Tanto o campeão como o vice de pilotos eram da Ferrari, mas a disputa do título envolveu drama e tragédia. O nobre alemão Wolfgang von Trips era o líder do campeonato por quatro pontos após o GP da Alemanha em Nürburgring, e teria chances de ser campeão em Monza. Mas o título acabou sendo do norte-americano Phil Hill, após uma das maiores perdas humanas da história do automobilismo. Na chegada para a curva Parabólica, o líder do campeonato von Trips estava num entrevero com Jim Clark, acabou perdendo o controle de sua Ferrari e colidiu violentamente contra a barreira lateral, perdendo a vida e causando a morte de 14 espectadores. Mesmo não pontuando nas duas últimas corridas, von Trips ainda foi postumamente vice-campeão.

Para o ano seguinte, os britânicos teriam sua vingança contra a Ferrari. Tanto a Coventry-Climax como a BRM apareceram com seus motores V8 de 1,5 litro, e a Ferrari não venceu uma corrida sequer em 1962. Mas isso é história para alguma outra Ferrari de Sexta-Feira. Um abração para todo mundo e até lá!

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Carlos Del Valle

Podcaster. Imerso em Fórmula 1. Nada mais lógico do que um podcast sobre Fórmula 1.

2 comentários

Joshué Fusinato · 24 de abril de 2015 às 9:36

Impressiona o (quase inexistente) santantonio no carro… Ver essas imagens demonstra o quanto os carros era perigosos nessa época. A “Squalo” é linda demais!

joão Vítor · 24 de abril de 2015 às 12:11

tão bonito,mas tão perigosa!

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