A mais bela. Se eu tivesse que escolher entre todas as lindas Ferrari que já foram fabricadas, eu pegaria para mim um exemplar da Ferrari 330 P4. A maioria já sabe que tenho uma queda por protótipos, e esta aqui é a Ferrari feita para disputar as provas de Endurance dos anos 60.

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Sempre que você visse a letra “P” no nome de uma Ferrari nos anos 60, isso significava “protótipo”, ou no caso, “carro com motor central-traseiro”. Após muito sucesso com motores dianteiros, a Ferrari sofreu na Fórmula 1 com os carros de John Cooper e seus motores em posição central-traseira e você viu semana passada o “nariz de tubarão”, que foi a primeira Ferrari F1 nessa configuração. Nos protótipos de Le Mans, a Ferrari abraçou o motor central-traseiro com a 250 P em 1963, com sucesso imediato: vitórias em Le Mans, Nürburgring e Sebring. A Scuderia ainda venceria Le Mans nos dois anos seguintes, mas infelizmente 1965 seria o ano da última vitória de Maranello na classificação geral em Le Mans.

Gran Turismo 5

Em 1966 a Ferrari  teve que engolir um dos mais famosos “photo finishes” da história. A Ford simplesmente conseguiu um 1-2-3 em Le Mans,  com o GT40 número 2 de Bruce McLaren / Chris Amon em primeiro. Nesse ano de 1966, todas as Ferrari 330 P3 abriram o bico em algum momento. Para 1967, a Ferrari 330 P4 tinha um dos melhores V12 que já foram fabricados em Maranello. Um monstro de 4 litros, ainda por cima com injeção de combustível no lugar dos tradicionais carburadores, entregando 450 cavalos. Um número de arrepiar os petrolheads da época. O ponto alto da curta carreira da 330 P4 foi o 1-2-3 nas 24h de Daytona de 1967, uma doce vingança na terra natal da Ford, devolvendo aos norte-americanos o gosto amargo de ver três carros cruzando a linha de chegada em comboio:

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A Ford usava o bizarro motor “big-block” de 7 litros no GT40, e acabou vencendo as 24 horas de Le Mans de 1967, com duas Ferrari 330 P4 completando o pódio, em segundo e terceiro. Para 1968, os organizadores de Le Mans resolveram baixar o tamanho do motor dos protótipos para 3 litros, tirando a 330 P4 da jogada. A Ford se safou pela regra da homologação, que previa que carros com motor de até 5 litros poderiam participar, desde que existissem 50 exemplares fabricados. Assim, a Ford carimbou o tricampeonato em Le Mans em 1968, com um GT40 de 4,9 litros, enquanto a Ferrari boicotava o campeonato, com o Comendador espumando por ter que enviar as lindas 330 P4 para o museu.

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Além de bela, a 330 P4 é raríssima: apenas três chassis foram construídos, e um quarto exemplar foi feito a partir de uma conversão de uma 330 P3. Esse modelo convertido se chamou Ferrari 330 P3/4, e é literalmente filha única de mãe solteira. Só um exemplar existiu em toda a história da humanidade. A lendária “Ferrari 3/4” foi danificada em Le Mans em 1967, foi parar no ferro-velho, meio queimada, mas acabou sendo restaurada na surdina. A história só veio à tona nos anos 2000, num misto de “Darth Vader” com “Cálice Sagrado”. Esse mítico chassis 0846 pertece hoje ao magnata James Glickenhaus, mas há quem não acredite que seja “ela”. Parece coisa de mito lendário mesmo. O carro em questão é esse aí (por favor, que ninguém o chame de Messias):

A história oficial é que Chris Amon teve um pneu furado em 1967 durante as 24 horas de Le Mans, tentou trocar e não conseguiu, porque o martelo quebrou. Ao voltar para os boxes, o pneu destruído danificou o chassis e iniciou um incêndio. O resto é lenda… Um abração para todo mundo e até a próxima Ferrari da Sexta-Feira!

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Carlos Del Valle

Podcaster. Imerso em Fórmula 1. Nada mais lógico do que um podcast sobre Fórmula 1.

1 comentário

bruno silva pistelli · 1 de maio de 2015 às 10:07

Realmente bela

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