Na nossa coluna semanal de Sexta-Feira, hoje falaremos da Ferrari 641, de 1990. Esse foi o carro que Alain Prost usou para desafiar Ayrton Senna pelo título de 1990. Foi difícil escolher entre a 641 e sua antecessora 640, porque ambas são muito parecidas. Acabei decidindo pela 641 porque lutou pelo título, enquanto a revolucionária 640 abandonou muitas corridas em 1989, apesar de ter conseguido três vitórias.

Alain Prost e sua Ferrari 641

Alain Prost e sua Ferrari 641

O projeto 640/641 era chefiado justamente por John Barnard, responsável pela vitoriosa série MP4 da rival McLaren, com uso pioneiro do monocoque de fibra de carbono. Curiosamente, a filosofia por trás do chassis 641 seria justamente o contrário das lendárias McLaren MP4/4 e MP4/5,  vencedoras em 1988-89-90. A McLaren ficou famosa por ter o centro de gravidade baixo, com todo o carro bem rente ao chão, com radiadores baixos e largos. Na Ferrari, o engenheiro John Barnard optou por uma solução diferente, que no fundo persiste até hoje: o carro é mais estreito, com  nariz mais pontudo, e radiadores mais altos e mais perto da linha central.

Esse arranjo permitia uma aerodinâmica menos turbulenta, com a traseira do chassis formando uma “garrafa de Coca-Cola” elegante e eficiente. Além disso, a Ferrari  641 usava o revolucionário câmbio semi-automático da irmã mais velha. Hoje em dia qualquer carro de rua um pouco mais metido a besta já tem câmbio com trocas de marcha por borboletas atrás do volante, mas é importante deixar claro que esse conceito foi popularizado pelas irmãs Ferrari 640/641. Nessa época, Ayrton Senna ainda trocava de marcha com pedal de embreagem e alavanca, algo completamente anacrônico perto do que Mansell e Prost usavam, já sem pedal e com alavancas atrás do volante, o chamado paddle-shift.

Com maior confiabilidade e com um piloto da classe “gênio”, a Ferrari 641 conquistou seis vitórias em 1990 (cinco delas com Prost). Perto do final da temporada, Senna ainda conseguia fazer seus malabarismos em treinos de classificação, mas em ritmo de corrida a Ferrari de Prost já conquistava vitórias incontestáveis, como a de Jerez naquele ano, que foi a última corrida antes da  célebre finalíssima de Suzuka. Essa talvez fosse uma das razões de Senna ter sido tão agressivo na negociação sobre o grid de largada: em ritmo de corrida, a Ferrari já era ameaçadora mesmo se Senna mantivesse a ponta na primeira curva, e seria uma catástrofe fenomenal perder a liderança na largada. Isso explica muita coisa…

Um abração pra todo mundo e até a próxima Ferrari da Sexta-feira!

GASOLINA STORE BANNER

Grupo do Podcast F1 Brasil – Roda com Roda no Facebook

Faça parte da nossa Liga Conjunta no Bolão do GP Predictor: Podcast F1 Brasil e Boteco F1 

Curta nossa página no Facebook

Confira nossas camisetas de F1 na Gasolina Store

Siga-nos no Twitter e no Instagram

Estamos também na TuneIn Radio e no Stitcher, além do iTunes

Música podsafe / Creative Commons: Brother Love e American Heartbreak

Feed do Podcast F1 Brasil: http://feeds.feedburner.com/PodcastF1BrasilPodcast

 


Carlos Del Valle

Podcaster. Imerso em Fórmula 1. Nada mais lógico do que um podcast sobre Fórmula 1.

3 comentários

Will Mesquita · 27 de março de 2015 às 19:45

E tem o esquema de pintura que toda Ferrari deveria ter.

Cristiano Seixas · 29 de março de 2015 às 23:10

Esse é um dos carros que mais aprecio, pena que não foi campeão.

Cristiano Seixas · 29 de março de 2015 às 23:13

A Ferrari foi muito superior a McLaren em Estoril e Jerez, some-se o fato de Senna estar com 1989 entalado na garganta e temos a mistura explosiva para o desfecho de Suzuka.

Deixe seu Comentário