O estouro do motor de Lewis Hamilton no GP da Malásia pode ser decisivo para o campeonato. Numa era em que quebras de motor são raras, quando um motor explode ele pode ser decisivo. Vamos lembrar algumas “chaleiras” que abalaram as retas finais de alguns campeonatos:

1. SENNA, MONZA, 1989

A temporada de 1989 foi cruel com Ayrton Senna. Pane elétrica em Phoenix, quebra de câmbio em Paul Riccard e Silverstone, e uma cruel explosão de motor em Montreal, a fatídicas 3 voltas do fim: somado aos acidentes e outras desventuras, isso fez com que Senna tivesse praticamente apenas vitórias e abandonos em 1989. Foram seis vitórias e sete abandonos, sendo quatro deles por quebras mecânicas. Ou seja, nessas treze corridas, foi “bang or bust”. “Win or wall”. Nada mais Senna que isso. Nas três  outras corridas, um décimo-primeiro lugar no Brasil (acidente), um raro segundo lugar e a famosa vitória/desclassificação em Suzuka.

E Prost? Apenas um abandono por quebra mecânica em todo o ano, uma falha de suspensão em Montreal. Ironicamente, Prost não teve quebras de motor nesse ano, justamente ele que alimentava teorias de conspiração sobre Senna receber da Honda motores melhores do que ele. Seja lá como a Honda envenenasse o motor de Senna, deveria ser algo meio kamikaze, já que provavelmente custou o campeonato a Senna. Outro possível fator é a suavidade de Prost com o carro, comparada ao castigo insano a que Senna submetia o seu.

Segue o doloroso abandono de Senna em Monza, com o motor estourado a 8 voltas do final:

2. SCHUMACHER, SUZUKA, 2006

O GP do Japão foi a penúltima corrida de 2006. Alonso e Schumacher chegaram a Suzuka empatados em 116 pontos. O heptacampeão alemão vinha num impulso irresistível, tendo tirado em cinco corridas uma vantagem de 17 pontos que Alonso tinha após o GP da França, quando a FIA proibiu o sistema de amortecedores de massa que a Renault usava. No sistema de pontuação atual, isso equivaleria a 41 pontos, uma vantagem e tanto.

As Ferraris de Massa e Scumacher ocuparam a primeira fila no Japão. No início da corrida, Schumacher ultrapassou Massa e disparou na ponta, enquanto Alonso tinha largado em quinto e vinha remando com dificuldade pelas Toyotas e por Massa. Quando Alonso finalmente chegou ao segundo lugar, Schumacher estava com a vitória na mão, podendo chegar à decisão no Brasil crucialmente à frente de Alonso.

A crueldade com Schumacher foi que um motor de sua Ferrari não estourava desde o GP da França de 2000, mais de seis anos de resistência a toda prova.

Segue o doloroso abandono de Schumacher, com o motor estourado a 17 voltas do final:

3. MASSA, HUNGARORING, 2008

Três voltas para o fim. A cruel sorte de Senna no Canadá em 1989 veio a se repetir com outro brasileiro. Na batalha de foice contra Lewis Hamilton em 2008, Felipe Massa foi levado às lágrimas pelo estouro de seu motor em plena liderança no GP da Hungria.

Massa ocupou o terceiro lugar do grid, com o inglês na pole. Na largada, o brasileiro freou muito além da putaquepariu e conquistou a liderança, numa manobra digna de campeão. Parecia que a sorte estava ao lado do brasileiro, com Hamilton sofrendo um furo no pneu dianteiro esquerdo e caindo para o décimo lugar. No fim, o inglês chegaria em quinto, com vitória de seu companheiro de equipe Heikki Kovalainen, e a liderança no campeonato estaria assegurada.

Segue o doloroso abandono de Massa, com o motor estourado a três voltas do final:

4. VETTEL, COREIA, 2010

Esta não chegou a custar o campeonato, mas foi por pouco. Vettel seria campeão em 2010 após a batalha em Yas Marina, quando venceu e Alonso ficou preso atrás de Petrov. Mas o espanhol havia chegado à ultima etapa com a título nas mãos, muito graças a esse infortúnio de Vettel na antepenúltima etapa, na Coreia.

Alonso e Vettel chegaram à Coreia empatados em pontos, porém com ambos 14 pontos atrás do líder Mark Webber. O alemão vinha de vitória, mas só tinha três corridas para tirar a diferença para Webber. Tudo começou bem para Vettel, com a pole, apesar de Webber e Alonso estarem em segundo e terceiro.

No dia da corrida, um dilúvio, que vitimou Webber logo no começo. O australiano perdeu o controle de sua Red Bull na pista molhada e bateu forte, sendo eliminado no ato e levando consigo o incauto Rosberg. Parecia o cenário ideal para Vettel, com o líder do campeonato abandonando e ele vencendo.

Mas o cruel Sobrenatural de Almeida atacou novamente, e o motor de Vettel explodiu de maneira espetacular a dez voltas do final, em plena liderança. Para desespero rubrotaurino, era justamente o sempre sólido Alonso que vinha em segundo. O espanhol venceu a prova e saiu da Coreia totalmente líder do campeonato, nada menos que 25 pontos à frente de Vettel e onze à frente de Webber. Não admira sua risada insana pelo rádio após cruzar a linha de chegada…

Segue o doloroso abandono de Vettel, a dez voltas do final:

5. HAMILTON, SEPANG, 2016

E então? Vocês acham que o título de Hamilton foi de vez pras cucuias com o estouro de motor em Sepang? Comentem aí! Qual outro estouro de motor foi doloroso na história da Fórmula 1, pra vocês? E qual desses deixou vocês mais abalados? Digam lá! Um abração a todos!

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Carlos Del Valle

Podcaster. Imerso em Fórmula 1. Nada mais lógico do que um podcast sobre Fórmula 1.

4 comentários

João Vitor Esteves · 2 de outubro de 2016 às 17:57

Jump start

João Vitor Esteves · 2 de outubro de 2016 às 18:07

Barrichello no Brasil em 1998 se não me engano , ele vinha liderando a corrida quando seu motor Ford de sua Stewart resolve abrir o bico no meio da subida da junção, aquilo foi doloroso de mais

    Jordan Bandeira · 2 de outubro de 2016 às 23:25

    Opa, JVE. Esse abandono de Rubinho foi em 99 quando ele estava com o terceiro lugar quase garantido em casa. Lembro de quase desabar em prantos quando vi a fumacinha branca saindo do motor. 🙂

Rui Neves · 2 de outubro de 2016 às 18:08

Não acredito que o título esteja entregue ao Rosberg!!!
Ainda há muitos pontos para disputar.

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