Êxtase. Júbilo. Choro. Acho que esses são os três sentimentos que todos os cabeças de gasolina sentiram no dia 30 de julho de 2000, no momento da bandeirada do GP da Alemanha. Sim amigos, vou comentar sobre aquela corrida.

2000 foi o ano do bug do milênio, o ano que saí da casa dos meus pais pela primeira vez, e também o ano de estreia do já experiente Rubens Barrichello na Ferrari, substituindo Eddie Irvine.

O Dream Team

O Dream Team.

A casa de Maranello tinha alcançado o ápice técnico naquele ano. Todos conseguem lembrar da trinca Schumacher – Todt – Brawn, mas além destes, Luca Marmorini nos motores, Hirohide Hamashima nos pneus, Rory Byrne na prancheta e Rubens Barrichello como escudeiro também tiveram parte fundamental no sucesso da equipe nos anos que viriam.

O carro vermelho, com o nome óbvio de F2000, pra mim é um dos mais bonitos já construídos. Com um nariz elevado e fluído, laterais de traços harmoniosos e carenagem do motor compacta, era o modelo mais equilibrado do ano: apesar de perder em velocidade de ponta para os poderosos motores Mercedes da McLaren, nas curvas o carro se sobressaía, especialmente pela relação próxima de desenvolvimentos dos pneus Bridgestone.

Ao total, o carro que encerrou o jejum da Ferrari venceu 10 das 17 corridas do ano, conquistando também 10 poles positions e 5 voltas mais rápidas.

Na comemoração do fim do jejum, em Suzuka.

Na comemoração do fim do jejum, em Suzuka.

Dessas vitórias, a mais lembrada é a primeira das 11 vitórias de Rubens Barrichello, que está debutando hoje.

Nos treinos livres de sexta a Ferrari já tinha percebido que poderia ter problemas em Hockenheim, ficando atrás das McLaren de Hakkinen e Coulthard, com ambos os pilotos do cavalinho rampante na segunda fila. No sábado, a Floresta Negra amanheceu molhada, com chuvas intermitentes, e tudo virou uma loteria. Coulthard foi o pole position, com Schumi em segundo e um surpreendente Giancarlo Fisichela em terceiro.

Rubens? Não poderia estar pior… décimo oitavo. Alguns dizem que o seu carro tinha um vazamento de óleo, outros problemas elétricos, mas o que importa é que Barrichello treinou com o carro remendado de Schumacher, e o alemão estava com o carro reserva, devido a uma batida nos treinos livres, e não teve condições de fazer nada além. As perspectivas para o domingo eram tão escuras quanto as retas de Hockenheim, em dia de chuva.

Nosso herói tinha apenas uma alternativa: largar muito bem, deixando os mais lentos para trás o mais rápido possível, e apostar na ousadia de uma estratégia de duas paradas, o que o faria andar em ritmo alucinante a prova toda. E foi exatamente isso que Rubens fez.

Tá vendo o vermelho lááááá atrás? Então...

Tá vendo o vermelho lááááá atrás? Então…

Na primeira volta, ganhou 8 (oito!) posições. Mais duas na segunda volta. Outras duas no quinto giro. A estratégia de andar rápido e leve estava funcionando tão bem, que Rubens era o terceiro na décima quinta volta!

O problema é que as McLaren estavam uma vida na frente do brasileiro, e mesmo empilhando voltas mais rápidas, o gap não diminuía a contento. Eis que, na volta 26, a divina providência atua.

Um funcionário revoltoso da Mercedes se embrenhou pela mata da Floresta Negra, conseguiu driblar a segurança da pista e começa a correr por ela, tresloucado (e muito provavelmente bêbado… estamos na Alemanha, oras!), protestando contra a marca das três pontas. Safety Car acionado, distâncias neutralizadas.

Volta 29. Relargada. Um entrevero entre Jean Alesi e Pedro Paulo Diniz força a nova entrada do carro de segurança. Barrichello permanece em terceiro.

Volta 31. Nova relargada, nada se altera…

Volta 32, chuva.

A grande maioria dos pilotos, receosos com aguaceiro especialmente no trecho do Estádio, o mais complicado da pista, correm para os boxes. Inclusive as duas McLaren que pareciam imbatíveis.

Barrichello, um piloto reconhecidamente veloz na chuva, usa essas primeiras voltas para medir o quão molhada a pista estava, e convenceu Ross Brawn de que a melhor estratégia seria ficar na pista.

Com três voltas para o fim e mais ou menos 10 segundos de vantagem, a chuva começa a apertar. Muitos já jogavam a toalha, mas na penúltima volta, em vez de o gap reduzir, aumentou. Rubens estava em um momento mágico, nada tiraria aquela vitória dele.

Êxtase. Júbilo. Choro.

Eu comecei a assistir corridas em uma época que o tema da vitória era tocado com frequência. Também assistia corridas quando este ficou sete anos sem tocar. E confesso: em nenhuma prova ganha por brasileiros, o tema da vitória foi tão bonito.

Até a próxima senhores!

 

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24 comentários

rubens.exe (@rubensGPnetto) · 30 de julho de 2015 às 0:15

“E confesso: em nenhuma prova ganha por brasileiros, o tema da vitória foi tão bonito.²”

Sem mais!!!

    Joshué Fusinato · 30 de julho de 2015 às 8:33

    Tava engasgado, né? Essa vitória foi muito bonita…

Gabriel Narukami · 30 de julho de 2015 às 3:35

Barrichello foi um piloto injusticado na Ferrari. É um piloto excelente, experiente, veloz. Se a Ferrari não fosse tão injustica com ele, certamente o Barricha teria sido campeão na Ferrari

    Joshué Fusinato · 30 de julho de 2015 às 8:35

    Olha… É posssível… Mas o Schumi era simplesmente espetacular. Ganhar dele não seria tão fácil assim.

    Se o Rubens estivesse na equipe em 1999, quem sabe!

Valesi · 30 de julho de 2015 às 7:57

Lembro perfeitamente desta manhã. Estava casado há um ano, e quando faltavam duas voltas comecei a gritar para minha esposa: “venha ver, vai tocar a música!!”
E, quando tocou, assim como aconteceu após Interlagos/91, eu chorei.
Seu texto me transportou novamente àquele dia, Fusinato.

    Joshué Fusinato · 30 de julho de 2015 às 8:36

    É o tipo de evento que todo cabeça de gasolina se lembra onde estava e o que estava fazendo no momento… Como Interlagos 2008 e Imola 1994…

    Valeu Valesi!

Cristiano Seixas · 30 de julho de 2015 às 8:42

Vou me arriscar a cometer uma heresia : esta performance do Rubens está no top de todos os tempos , digna de comparação com classicos como Suzuka 88, Interlagos 91 e 93 , Donington 93 (Senna), Spa 95 (Schumacher)e Interlagos 2012 (Vettel).
Eu estava completando 1 mês de namoro, e claro que o assunto do dia foi a fantastica vitoria do Barrichello no GP da Alemanha !!!

    Carlos Del Valle · 30 de julho de 2015 às 18:16

    Hahaha Mestre Seixas puxou assunto com gata “e o Rubens hoje hein”

João Victor · 30 de julho de 2015 às 8:44

Ótimo texto, mas, o que é gap?

    Joshué Fusinato · 30 de julho de 2015 às 9:26

    É uma marca de roupa… 😛

    “Gap é uma palavra inglesa que significa lacuna, vão ou brecha. A palavra é também utilizada com o significado de diferença.”

André Silva · 30 de julho de 2015 às 8:56

Muito bom o texto, foi emocionante mesmo!

    Joshué Fusinato · 30 de julho de 2015 às 9:19

    Valeu!!!!!!! Vindo de ti, sei que é mentira, mas valeu mesmo assim!!!!

    Abraço amigo!

Francisco Oliveira · 30 de julho de 2015 às 9:57

Excelente lembrança e justiça com o Barrica. Essa corrida foi sensacional. Fico emocionado em ouvir o tema da vitória, que tantas e tantas vezes acompanhou as corridas do Senna. Estamos carentes, amigos cabeças de gasolina. Que essa música toque muitas vezes mais!

    Joshué Fusinato · 30 de julho de 2015 às 10:23

    Amen Brother! Amen to that!!!! Hehehehehe

Valdo Raya (@cravoley) · 30 de julho de 2015 às 11:26

Texto fantástico, vitória fantástica…

Sei que vou ser crucificado por isso, mas a emoção que o Galvão transmite ao narrar a última volta aumenta a comoção sentida ao ver/ouvir a vitória.

    Joshué Fusinato · 31 de julho de 2015 às 14:11

    Quando o Galvão acerta, ele acerta em cheio! Valeu Valdo!

Jordan Bandeira · 30 de julho de 2015 às 11:39

Uma daquelas corridas inesquecíveis para os fãs de automobilismo. Chovia muito aqui em Recife. Eu estava na cozinha assistindo a corrida (Sim, na cozinha) em polvorosa quando Rubinho assumiu a liderança. Fiquei de pé em frente a TV, nervoso (Ou pendurado no lustre, como diria Del Valle) e falando: “A música vai tocar” Minha mãe e uma amiga dela vieram ver o que estava acontecendo e eu falei: “Vai tocar a música”. E aí, quando Rubinho cruzou a linha de chegada, todos choramos. Foi a última vez em que chorei com o Tema da Vitória.

Valeu pela lembrança, Joshué. Faz quinze anos, mas parece que foi ontem.

    Carlos Del Valle · 30 de julho de 2015 às 18:14

    Poxa cara, se eu vir o vídeo com o Galvão agora, hoje, narrando “QUE HÁ 7 ANOS NÃO TOCÁVAMOS”, dá pra ver que o cara tá emocionado, e todas as vezes eu me emociono

      Joshué Fusinato · 31 de julho de 2015 às 14:10

      É realmente emocionante. E Jordan, eu também assisti a prova na cozinha, curiosamente!

Rafael Amico · 30 de julho de 2015 às 15:09

Ótimo texto, Fusinato! E sinceramente, me emocionei mais hoje do que naquele dia!

    Joshué Fusinato · 31 de julho de 2015 às 14:08

    Amico, valeu! Eu fiquei particularmente feliz com o texto também. Mas durante a pesquisa, alguns ninjas cortadores de cebola apareceram!

André Saraiva de Queiroz · 31 de julho de 2015 às 11:55

Realmente uma corrida épica e um relato emocionante! Parabéns Fusinato.

    Joshué Fusinato · 31 de julho de 2015 às 14:06

    Valeu André! ^^

Fabiano Forte · 2 de agosto de 2015 às 12:19

Deixei para ler/ver o post no fim de semana, para poder fazê-lo com calma, saboreando palavras e vídeos, e não me arrependi! Parabéns, uma bela homenagem a um belo momento!

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