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Entra temporada e sai temporada e sempre temos uma certa expectativa sobre os famosos liveries de algumas equipes. Em 2015 não é diferente e o mistério da vez é o que a McLaren Honda decidirá usar.

Nas últimas semanas, a internet foi inundada com vários conceitos desenvolvidos por designers em busca de portfólios e visualizações em seus sites.

O que causa essa ansiedade pelo carro da equipe britânica é que depois de anos, a Honda volta para Woking e imediatamente os cabeças de gasolina pelo mundo afora lembram do belo MP4-4. Um carro que tem miniaturas, pôsteres, camisetas, lancheiras, quadros, marmitas vendidas até hoje e que está intimamente conectado na cabeça de muita gente com o nome F1.

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É sobre isso que quero comentar: em marketing existe essa abordagem diferenciada entre preço e valor. Algo bem simples de entender. A ideia é que preço é algo equivalente a lucro e mão-de-obra e valor é algo absorvido pelo cliente.

Vamos pegar o exemplo de uma simples pipa.

Para fabricar uma daquelas belezuras que enfeitam os céus nas férias escolares, precisamos de papel de seda, barbante, cola e essas coisas. Vamos supor que o material ao todo custe R$ 3,00 (chutei alto porque tudo é caro no Brasil Hu3). Claro que se você vender a pipa pelo mesmo preço não terá lucro, portanto, vai colocar um preço estimado com uma boa pesquisa de mercado e o que você considera justo em relação a sua mão-de-obra.

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Até esse momento, a McLaren parece ter pensado exatamente dessa forma. Eu até notava uma certa preguiça do marketing esportivo da empresa, algo como o SBT (algo que funcionou bem para a TV Silvio) que sempre se posicionou como uma segunda força em relação a Rede Globo. Era como se Whitmarsh (foi tarde) e cia pensassem limitadamente e isso influenciou, claro, nos resultados na pista.

É curioso, mas essa forma de tratar o marketing parecia ser um sintoma do comportamento da empresa em relação ao universo na qual estava posicionada.

Quando a volta da parceria com a Honda é anunciada, vemos a oportunidade que não poderia ser perdida por Woking, ou seja, o valor estava de volta.

Martin Whitmarsh

A pipa estava pronta, mas como tornar o valor desse material mais rentável? Imagine que você montou a pipa com qualquer papel de seda, não pensou nas cores etc. É justamente assim que a McLaren aparentava trabalhar. Basta ver o carro de 2014 que parecia estar pelado em relação ao grid. Totalmente descaracterizado (talvez de propósito).

O valor é o quanto as pessoas estariam dispostas a pagar pela sua pipa, o quanto ela seria diferente e única no mercado. E valor é algo difícil de se criar. Então, por que Woking jogaria essa oportunidade no lixo?

É notável o quão seria prudente e rentável voltar a pintura vermelha e branca. Vendas de produtos aumentaria, as miniaturas seriam vendidas e os carros seriam reconhecidos dentro e fora da pista como peças da famosa McLaren e não apenas as de um carro cromado qualquer.

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É o bendito valor: como conectar a marca com o coração dos fãs é exatamente o que o marketing britânico deve pensar.

Muitos falam que o tio Bernie impediria os carros vermelho e branco por causa da relação com a Philip Morris. Eu já digo que isso é uma opinião limitada e explico: Por que tio Bernie não proibiu a Lotus de ser preta e dourada? É uma alusão ao John Player Special, não?

E não existe, em nenhum lugar na internet, nem no paddock, a real conversa de que essa pintura seria proibida. Além de que o vermelho e branco são as cores oficiais do logo da equipe e da Honda. E ainda existe o exemplo da Williams que trouxe o clássico livery da Martini para 2014 trazendo um valor interessante de volta. Nota: independente do desempenho na pista, uma boa jogada de marketing já foi desenvolvida e, como tudo no mundo é feito por pessoas, esse novo livery pode ter dado um reset na psiquê da organização tornando tudo mais leve, como se o triste passado de maus resultados tivesse ficado para trás. É marketing e psicologia organizacional em sua raiz.

Williams Martini Racing Team Launch

A McLaren laranja também aparece em vários conceitos. A pintura foi usada no começo da equipe pelo tio Bruce, mas perdeu rapidamente espaço para o vermelho e branco que marcou quase todos os campeonatos ganhos por Woking.

Para finalizar, não usar a pintura branca e vermelha seria um erro terrível do marketing da McLaren. Independente do desempenho da equipe na pista, já faria sucesso com as cores. Por mais lento que seja o carro, eu iria querer bater várias fotos ao lado das máquinas em Interlagos, além de babar vendo a clássica pintura apontar na curva do café e, tenho a impressão que vários cabeças de gasolina fariam o mesmo.

A McLaren tem dois pilotos extremamente vendáveis que com a pintura vermelha e branca, seria um sucesso de marketing em 2015. Pelas internete, vemos que os fãs querem ver os carros nessas cores novamente e nas redes sociais, a McLaren só posta fotos do clássico livery, o que dá a impressão que dessa vez, a organização vai começar esse projeto com bom senso e um excelente pensamento empresarial-publicitário que quem sabe, pode gerar sim, a sensação de novo começo para o time de Woking.

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Sérgio Siverly

O menino que ficava em frente da tv com um prato fingindo ser um piloto nos anos 1990 e o diabo necessário por trás do Boteco F1 no YouTube. ;)

6 comentários

Mateus Gomes · 14 de janeiro de 2015 às 17:42

A McLaren postou uma foto no Facebook com o possível bico do carro de 2015. Uma foto bem misteriosa com o logo da Honda e o resto escuro, mas não me parecia algo que lembrasse muito a MP4/4.

Se eles não usarem essa alusão ao lendário carro, devem estar receosos de os fãs criarem uma expectativa muito grande para uma parceria que ainda é uma incógnita, talvez um medo de manchar a história do carro e de uma gloriosa época caso não der certo. Mesmo tendo no seu line-up Button e Alonso.

Mas seria muito loco se voltasse.

Mateus Ferreira · 14 de janeiro de 2015 às 20:25

Quando a McLaren fez sua parceria com a Mercedes foi o mesmo mistério e enfim apresentaram o layout belíssimo em 97 e imagino que seja vermelho e branco ou seja em outra cor, teremos um lindo visual para os carros.
Muitos pedem o vermelho e branco, embora eu queira ver esta pintura novamente, imagino que não será nessas cores. Até porque creio que muitos irão querer associar a pintura com um certo capacete amarelo com detalhes em verde e azul.
Por fim, vi um layout predominantemente branco, com detalhes em vermelho muito bonito. Bem que o pessoal da pintura deveriam dar uma olhada nessas artes dos fãs antes de fazerem a pintura definitiva.
Dia 12 de março saberemos como será a McLaren.

Matheus Rovani · 15 de janeiro de 2015 às 2:37

Seria lindo ,ter a oportunidade de ver pela primeira vez ao vivo uma McLaren vermelha e branca, ainda mais pilotada por Fernando Alonso!!! ,so para saber, alguém sabe se ira vir mais algum patrocinador pra McLaren esse ano?

Rafael Matos (@Rafaelbfmatos) · 25 de janeiro de 2015 às 9:44

O vermelho e branco marcou a história dessa parceria. Não precisam repetir o formato do carro de Senna, mas só de manter essas cores com certeza será reconhecida como umas das melhores equipes de 2015. Tomara que seja red White.

Alex Oliveira · 28 de janeiro de 2015 às 8:00

Será um erro muito grande não vir com a tradicional pintura, mesmo que a equipe não dispute vitorias esse ano, vai ter aquele sentimento de que a mclaren esta de volta, para nós sera lindo ver novamente esse carro na pista e creio que o patrocinador principal sera mesmo a honda, e por isso nao teria problema usar as cores vermelha e branca na tradicional pintura, agora imagina o cara olhar no retrovisor e ver aquele carro vermelho e branco chegando, acho que o cara vai tremer um pouco rs.

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