Saudações, amigos petrolheads e headbangers! Hoje é dia de Terça Metal, sua coluna semanal sobre heavy metal. Neste último capítulo da minissérie sobre Metal Progressivo, teremos ninguém menos que Dream Theater, uma das grandes lendas do gênero.

Tudo bem que os três caras do Rush tocam muito. Mas o Dream Theater elevou a capacidade de esmerilhação a um nível técnico nunca dantes visto. Isso não chega a ser surpresa, já que a banda foi formada numa faculdade de música, justamente a prestigiada Berklee, de Boston. Você pode até procurar, mas nunca vai achar alguém que toque mais do que Petrucci, Myung, Rudess e Portnoy. É a típica banda que tem que ser retirada daqueles concursos de revistas de guitarristas ou bateristas ou baixistas ou tecladistas, para evitar que sejam eleitos todos os anos. É o chamado Dream “hors concours” Theater. “Pô Delvas, mas técnica não é tudo”. Claro, não seja tatu. Senão a gente botava um computador para tocar. Mas bote fé no tio: os caras são grandes compositores.

O caso do vocalista é mais controverso. James La Brie parece ser gente boa e canta super afinado. Mas é difícil negar que sua voz soe um pouco anônima, mesmo sendo agradável. Eu pessoalmente prefiro o criticado LaBrie do que os vocalistas muito agudos, com voz de sirene à la Dickinson, como nas duas últimas semanas desta minissérie.

O baterista Mike Portnoy é um caso à parte. Além de ser um prodígio técnico, Portnoy é incrivelmente criativo, expansivo, exuberante e talentoso. De tão criativo e exuberante, acabou fazendo merda: deixou a banda em 2010, com uma série de desculpas esfarrapadas, entre elas “cansaço”, “quero tocar com o Avenged Sevenfold”, “só quero dar um tempo”, “vou tirar férias por cinco anos”, entre outras. Portnoy até chegou a mudar de ideia e tentar voltar, mas seu substituto já tinha sido escolhido. Pior: seu substituto, Mike Mangini, já tinha se desligado de seu emprego (professor da Berklee) para se juntar ao Dream Theater. Sinto muito, meu amigo Mike Portnoy, mas você foi muito flamboyant e agora deu com a cara na porta.

Assim como Ulrich no Metallica, Portnoy não era só baterista, ele era realmente um dos líderes fundadores da banda. Cuidava das artes das capas e dos pôsteres, respondia emails, escrevia os setlists dos shows. Sua saída foi um baque e tanto para todos. Ainda por cima, Portnoy fazia umas letras maneiras. É aí que chegamos à obra que é o título do post de hoje: “The Twelve-Step Suite”, singelamente traduzida por muitos fãs brasileiros como a “Suíte da Cachaça”. Como bom brasileiro, adotei esse nome zoado no ato. Os “Doze Passos” a que a obra se refere são o método dos Alcoólicos Anônimos para ajudar na luta contra a dependência do álcool. Portnoy havia sofrido por um bom tempo com o alcoolismo, e a obra foi um jeito de lembrar e honrar esse desafio.

Por que estou falando sobre a “obra”, e não a “canção” da cachaça? Porque a tal “suíte” está presente em nada menos do que cinco discos do Dream Theater. São cinco complexas canções, a saber:

1. “The Glass Prison”
I. “Reflection”
II. “Restoration”
III. “Revelation”
(Álbum: Six Degrees of Inner Turbulence)

2. “This Dying Soul”
IV. “Reflections of Reality (Revisited)”
V. “Release”
(Álbum: Train of Thought)

3. “The Root of All Evil”
VI. “Ready”
VII. “Remove”
(Álbum: Octavarium)

4. “Repentance”
VIII. “Regret”
IX. “Restitution”
(Álbum: Systematic Chaos)

5. “The Shattered Fortress”
X. “Restraint”
XI. “Receive”
XII. “Responsible”
(Álbum: Black Clouds & Silver Linings)

Essa é uma ótima notícia: tem música à vontade para degustar por um bom tempo. Para facilitar, essas cinco canções são as cinco primeiras da Playlist de Dream Theather do tio Delvas no Spotify. Para você que quer ouvir no YouTube, prepare-se, aqui vamos nós.

“The Glass Prison”

Talvez minha preferida de todas. Começa lenta, limpa, com um belo riff dedilhado, vai ficando pesada, depois acelera e sai espancando tudo. “Rastejando para minha prisão de vidro”, diz a letra, se referindo à bebida.

“This Dying Soul”

Ao contrário da anterior, já começa com uma pancadaria generalizada, com bumbo duplo, guitarra de sete cordas e tudo mais. Provavelmente a mais esmerilhante da série, do primeiro ao último minuto. Há um verso da música anterior da série: “não consigo sair desta prisão sozinho”.

“The Root of All Evil”

Esta é a “menos longa” da série, com “apenas” oito minutos. Também é a mais homogênea, com o peso metálico distribuído ao longo de toda a faixa. Um verso do refrão da música anterior é citado: “posso sentir meu corpo se partindo”.

“Repentance”

A quarta música da série é a mais diferente das outras. Depois de tanta agressão e peso, “Repentance” é mais lenta, reflexiva, viajante, o famoso “Lado Floydão” que o Dream Theater às vezes cultiva. Cheia de falas e participações especiais de gente famosa, traz novamente o verso “olá espelho, que bom te ver meu amigo, já fazia um tempo”, que marcava o início de “This Dying Soul”.

“The Shattered Fortress”

Como manda tradição do rock progressivo, esta música continua citando as anteriores. Mais legal ainda, ela foi inteiramente concebida para resumir tudo e fechar a obra toda com chave de ouro. Começa com o riff de “This Dying Soul”, porém mais pesado e com tempo 6/8, passando no meio da canção por uma fase calma que remete a “Repentance”. Mas a cereja do bolo é o minuto final, onde a banda executa o minuto inicial de “The Glass Prison”, completando o círculo que havia iniciado cinco álbuns e 56 minutos antes:

SAIDEIRA

Só a Suíte da Cachaça já bastaria para preencher esta Terça Metal, mas vou deixar mais uma, para quem quiser. Quando tiver que preencher uns relatórios ou organizar suas coisas no computador, clica nessa aí embaixo. A longa “Octavarium” não chega nem perto da Suíte da Cachaça em termos de peso, mas é lindíssima, com sua longa viagem de 24 minutos. Justamente por ser mais leve e Floydiana (os minutos iniciais chegam a ser descarados), ela serve perfeitamente como trilha sonora para eventos mais calmos e concentrados do seu dia:

E assim chega ao fim mais uma longa Terça Metal. Semana que vem começa uma nova minissérie, totalmente distinta desta de Metal Progressivo que está terminando. Um abração pra todo mundo e até lá!

Link para: Todos os artigos da série Terça Metal

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Carlos Del Valle

Podcaster. Imerso em Fórmula 1. Nada mais lógico do que um podcast sobre Fórmula 1.

5 comentários

Jordan Bandeira · 22 de setembro de 2015 às 8:28

Acertei qual seria a banda desta semana, hahahaha. Da Playlist de Dream Theater do Tio Delvas no Spotify, minha favorita é a Octavarium com certeza. Embora eu curta pra caramba o Six Degrees e outros discos da banda, ainda fico com os dois primeiros: Image and Words e Awake.

Valeu pela série, Delvas! Curti pacas! Pena que acabou…

Rafael Amico · 23 de setembro de 2015 às 13:13

Tá ai uma banda a qual não sou fã, mas vou ouvir seguindo o conselho de Mr. Delvas. Carlos Del Valle, mudando opiniões desde 2014!

Diego Ricarte · 25 de setembro de 2015 às 22:15

Essa banda eu curto muito. Com certeza está no meu top 10 de favoritas.
Meus álbuns favoritos são Images and Words, Metropolis Scenes From a Memory e o massacrado Falling Into Infinity.
Quem ouviu e viu algumas apresentações dos primeiros anos de James Labrie no DT, sabe que ele tinha uma voz com alcance vocal de inúmeras oitavas para uma voz masculina. (O ao vivo Live At The Marquee pode comprovar isso).
Diz a lenda, que durante a turnê do Awake, James pegou uma intoxicação alimentar, vomitando até machucar suas pregas vocais, Os médicos, recomendaram que ele tirasse algumas semanas de folga, mas como ele estava se sentindo bem, decidiu continuar a turnê, mas nunca mais sua voz foi a mesma.
Mesmo perdendo alcance vocal, LaBrie é um vocalista muito técnico, e não imagino o DT sem ele.
Vida longa ao DREAM THEATER!

    Carlos Del Valle · 27 de setembro de 2015 às 3:48

    Bem lembrada essa da garganta do LaBrie, já ouvi essa história! Realmente eu poderia ter botado “Scene Two” do Scenes, que é um baita disco, o primeiro com o Jordan 🙂

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