Procurando efemérides para o post de hoje, me deparei com a falta de assuntos que me instigariam a escrever. O único fato que achei minimamente relevante foi o aniversário de Vitantonio Liuzzi, nascido há 34 anos… mas Liuzzi, por melhor kartista que seja, não é algo que dá pra chamar de material para um post inteiro, né?

Vitantonio-Liuzzi-fashion-mulletLiuzzi, assim como seu patrício Jarno Truli tiveram suas últimas temporadas em 2011, foram os últimos pilotos italianos a sentarem as suas bundas italianas em carros de F1 para uma corrida oficial. Atualmente, as fichas do Belpaese recaem em Raffaele Marciello, piloto da academia da Ferrari e piloto da Trident na GP2.

O que aconteceu com os pilotos italianos? Foi a pergunta que me fiz, e agora que vocês leram isso, devem estar se inquirindo o mesmo. Na clássica temporada de 1989, nada menos que 13 italianos alinharam em pelo menos uma corrida! Até o Paolo Barilla teve uma chance!

Minardi-F1Equipes italianas também minguaram. Desde a dominante Alfa Romeo dos anos 50, passando pela campeã dos anos 90 Benetton, as sofríveis Forti Corse, Coloni, Eurobun (que tinha um pé na Suíca), a folclórica Osella, o desastre Life… e a eterna Minardi, que virou Toro Rosso recentemente. Pra onde foram todos esses carrozieri?

Essa condição em que o país da bota se colocou é extremamente complexa, e eu achei que não iria conseguir dissecar sozinho todas as variáveis. Por isso eu chamei alguns amigos queridos para me ajudar! Vejam o que eles têm a dizer abaixo:

Carlos del Valle, o Lord Commander of the night’s watch do Podcast F1 Brasil

12_58_41_943_fileEconomia estagnada? Taxa de natalidade baixa? Scuderia Ferrari ocupando parcela excessiva dos corações dos torcedores? Todas as acima? Nenhuma? A causa para o desaparecimento dos pilotos italianos da Fórmula 1 permanece um mistério. A nossa amada Bota não produzia um campeão há décadas, mas pelo menos o grid era bem povoado de italianos. Mas atualmente, desde a aposentadoria de Trulli e Luizzi, não temos nenhum representante da Itália na F1, o que desperta curiosidade e preocupação nos cabeças de gasolina.

Vejam que a dúvida dele é a mesma que a minha. Logo, vamos em frente e vejamos o pitado do juvenil Fernando Campos:

Em certos aspectos o cenário italiano na categoria se assemelha ao brasileiro, ambos tiveram seus anos áureos no passado e hoje seus torcedores fanáticos vibram com o esporte, mesmo esperando pela revelação do novo campeão mundial, no entanto, o Brasil teve oportunidades mais claras, além de depositar uma certa esperança em Felipe Nasr.

57176[1]Graças a falta de pilotos italianos no grid e a má fase da Ferrari em 2014, o público italiano passou a ser uma bomba relógio esperando qualquer motivo para vibrar com a Fórmula 1 novamente. Com a chegada de Sebastian Vettel, os tiffosi tiveram que aguardar apenas duas corridas em 2015 para explodir de alegria. Após a vitória épica no GP da Malásia essa euforia ficou evidente, inclusive na resposta da mídia, como a capa eufórica do Corriere dello Sport, o que nos mostrou como a Itália está carente de pilotos. Em um país que praticamente tem gasolina nas veias, a ausência dos carismáticos Jarno Trulli, Giancarlo Fisichella e Andrea de Cesaris ou até mesmo do tragicômico Luca Badoer é fortemente sentida. Ao menos a atual boa fase da Ferrari pode ser uma luz no fim do túnel e um motivo de alegria até que um novo italiano aparece virando o paddock de cabeça pra baixo.

Sei não hein… não via o Trulli como um poço de carisma.

O prolífico Valesi, representante tão italiano quanto o Clay Regazoni do nosso amado site, não poderia ficar de fora:

Ascari, Bandini, Farina. Você não consegue pronunciar estes nomes em voz alta sem colocar uma inflexão italiana ao seu sotaque – essa mesma que você faz quando diz padrino, nona ou polenta. Estes três italianos souberam o que é correr pela mais italiana de todas as marcas, a Ferrari. E justamente estes dois fatores – os italianos e a Ferrari – são os responsáveis pelo atual hiato de pilotos da Bota na Fórmula 1.

Explico: a crise econômica mundial bate mais forte na Itália do que no resto da Europa. Não sobra dinheiro às empresas. E, hoje em dia, sem dinheiro não há assento na F1. Não há como competir com uma PDVSA, por exemplo. E a Ferrari, com toda sua grandeza e sua legião de tiffosi, como uma boa mamma italiana escolhendo uma nora, mais atrapalha que ajuda. Afinal, a Scuderia frequenta a mídia mesmo quando não frequenta os pódios. Então, se você tem uma gelateria na Piazza Navona, sobraram umas liras no final do mês e você é um “testa di benzina”, vai investir em uma promessa da GP2 ou na equipe do Comendatore?

ferrari_racing_days_5bO torcedor italiano, aliás, é muito mais fiel à Ferrari do que a seus pilotos; Phil Hill, Niki Lauda, Schumacher e até Raikkonen tiveram a preferência da torcida. Catzo, até mesmo Gilles, Mansell, Alonso e agora Vettel seriam mais festejados em Milão ou Firenze do que Trulli ou Liuzzi. A própria Academia de Pilotos tem hoje os patrícios Fuoco e Marciello – mas sua maior promessa recente era o já saudoso francês Jules Bianchi.

A mídia também sempre deu a primeira página para os resultados da rossa, ao contrário dos britânicos, por exemplo – vá ouvir o podcast da BBC e você verá que 20% do programa é sobre a corrida, 30% sobre Button e 50% sobre Hamilton.

Ou seja: se você acha que é difícil para um brasileiro chegar à F1, saiba que talvez seja ainda mais para alguém nascido no quintal do tio Enzo.

Poderia parar por aqui, já que o Valesi foi preciso no seu comentário, e especialmente nas piadas e referências geográficas. Mas o comentário dele me fez lembrar do caso do GP de San Marino de 1983, quando Riccardo Patrese de Brabham estava com uma mão na taça e quebrou, deixando a vitória para a Ferrari do francês Patrick Tambay e as arquibancadas vieram abaixo!

Mas ainda temos dois convidados mais que especiais para a macarronada de hoje, Debora Almeida e Rubens Gomes dos Passos Netto, as lendas e comandantes do Boletim do Paddock e metade do twitter brasileiro. Vejamos:

Rubens – Equipes, acredito que a resposta encontra-se na porta 03 – Questões Financeiras. A F1 ficou mais profissional, técnica e cara, bem cara mesmo, tipo cara, carerríma, depois da década de 80. Não que antes não fosse, porém, o final da década de 80 uma peneira separou os meninos dos homens, salvo engano apenas a saudosa Minardi, hoje Toro Rosso sobreviveu. Já o caso dos pilotos, o buraco é bem mais embaixo: pelo que eu já li, pelo que eu me lembro, pelo que eu sei, grande parcela da culpa estaria na falta de interesse por parte das Confederações, Federações e da Máfia (brincadeira) de incentivar a formação de pilotos, o que atrapalha um “bambino” de escalar à F1. Vimos inúmeros pilotos italianos passar pela F1, porém poucos se destacaram, ou quando poderiam se destacar, estes estavam no lugar errado e na hora errada. Isso justifica o fato de não haver um programa para formação de jovens pilotos, bom, que seja do nosso conhecimento não há, esqueça o programa da Ferrari, esqueça, porque santo de casa, não faz milagres.

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Débora – Vejam, mesmo que a Ferrari tenha a sua academia de pilotos, da qual vem trabalhando na busca de novas promessas para a F1, ela não foca a sua busca somente em seu país. Assim, eu acredito que um dos motivos de não haver novos pilotos italianos é a crise que a Europa enfrentou. Mesmo a Itália tendo pilotos nas categorias de base que poderiam, em tese, ser explorados naquele momento, faltava o auxílio ou uma estrutura para o treinamento dessas ”possíveis promessas”. Isso que torna um cenário nada propenso para o futuro de novos pilotos italianos participarem da F1. Mesmo com o carro vermelho em destaque, o sonho não pode ser alcançado sem o mínimo de preparo, dadas as condições que não foram oferecidas, o país não consegue lançar um novo nome e mesmo a Ferrari não quer só um piloto Italiano por ter. Eles precisam de alguém que possa demostrar o seu potencial e aproveitam pilotos de outros países, que tiveram condições melhores na sua formação. Na questão de falta de novas equipes é meio complicado, uma nova equipe ser construída do zero, uma por não existir a intenção de fazer esse investimento, por ser um risco muito elevado, que pode dar tudo muito certo, claro. Contudo, é um esporte caro e que pode causar os dois extremos e talvez o medo de não ser igual a uma Ferrari da vida que carrega vitórias para casa, faz com que os investidores migrem os seus desejos para outras áreas.

Agora quero a participação de vocês: qual é o motivo de não termos mais pilotos ou equipes italianas no Grid? Deixe o seu comentário!

Até a próxima senhores!

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21 comentários

Gabriel Narukami · 6 de agosto de 2015 às 0:28

Eu estava me perguntando essa semana sobre os pilotos italianos, pelo menos os vitoriosos. Não vemos um piloto italiano ganhar um título de Formula 1 há muito tempo. Espero que em breve apareça um bom piloto italiano na Formula 1 para que a força italiana de pilotos seja mais uma vez demonstrada 🙂

    Joshué Fusinato · 7 de agosto de 2015 às 9:14

    Realmente seria legal um italiano na F1. Hoje, de cabeça, só consigo pensar em dois piltoos italianos de destaque: Valentino Rossi e Gianmaria Bruni. Tá faltando mesmo!

Phil ن ¯\_(ツ)_/¯ (@philsantos13) · 6 de agosto de 2015 às 1:06

Eu tava hoje ouvindo o podcast sobre a Ferrari e comecei a perceber o quanto a Itália foi importante pro automobilismo. Não só pela Ferrari em si (que aliás tem uma grande parte nessa conta), mas por tantos nomes conhecidos de equipes, fabricantes de peças e de carros, pilotos, circuitos.

Não acho que os números são tudo, mas certamente são alguma coisa. O último campeão italiano foi Alberto Ascari, lá em 1953 (!) e o país tem 3 títulos de pilotos. Mas nas equipes são 21 títulos de pilotos em equipes italianas, o que certamente me fez pensar que o ufanismo é por conta das construtoras, principalmente com a Ferrari e seus 15 campeonatos de pilotos. A imagem do carro cruzando a pista e a relação do carro com o país é, pelo visto, historicamente mais forte do que esperar um piloto nacional subir ao pódio.

É literalmente igual torcer por um time: não importa que seja o brazuca Kaká, o holandês Seedorf, o alemão Lehmann, o ucraniano Shevchenko, o inglês Beckham… não, é o Milan, meu timão, minha paixão. Então não interessa se é Schumi, Massa, Rubinho, Kimi, Alonso, Mansell, Prost… é Ferrari, é Itália, é meu país na F1, sacam?

Fazendo um paralelo com os brazucas: a gente ama nossos times, mas na real o que a gente quer é desbancar os estrangeiros. Como não tivemos equipes realmente expressivas e brasileiras (eu não acho a Copersucar-Fitipaldi expressiva), o que interessava era jogar nossos pilotos lá na casa deles (Inglaterra, França, Espanha, etc) e vencer LÁ, nas pistas deles, nas categorias deles, no meio das feras.

Esses brasileiros são tudo um bando de alma sebosa, hein. 😛

    Phil ن ¯\_(ツ)_/¯ (@philsantos13) · 6 de agosto de 2015 às 1:10

    Explicando melhor o paralelo (ficou meio confuso): a gente ama nossos times de futebol (quem torce, claro), mas a gente quer é ir lá fora e ganhar deles. Por isso nego fica doido pra ganhar Libertadores e principalmente Mundial de Clubes. O paralelo é como se fosse pegar nossos times amados e botar no circuito europeu que a sorte esteja lançada (por favor, sem Falhas Catastróficas™)

      Joshué Fusinato · 7 de agosto de 2015 às 9:18

      De fato a paixão pela “Macchina” é maior do que pelos pilotos… Entendi seu paralelo e, particularmente, por não ter predileção por nenhum piloto em específico (gosto de uns, não gosto de outros, mas não sou torcedor fanático de ninguém), sua analogia se encaixa perfeitamente pra mim, Phil!

rubens.exe (@rubensGPnetto) · 6 de agosto de 2015 às 1:10

Excelente!!!

Primeiramente, obrigado Fusinato e demais amigos do PodcastF1Brasil pelo convite!!!

Quando o Trulli foi demitido da Cartheram o Luca di Montezemolo disse era um erro não ter um italiano no grid e se fosse necessário ele mesmo pilotaria um carro para este erro não vingasse!!!

Imagino o post do Joshué caindo em um lapso temporal e brotando na mão do Comendador em 1984 quando Michele Alboreto fechou com a Ferrari, imagino ele pensando “Catzo, como isso poderia ocorrer”.

Os textos de todos estão supimpa, porém o do Valesi eu li ouvindo a voz dele com um leve sotaque italiano, ele gesticulando com os dedos juntos!!!

Um efusivo abraço e volto depois

    Joshué Fusinato · 7 de agosto de 2015 às 9:21

    … Mas o “Avvocato” não contratou um italiano pra pilotar a Ferrari né? Se achou tão ruim a saída do Trulli, pq não fez como a Honda, que montou a Super Aguri só pro Takuma Sato não ficar sem lugar na F1?!?!

    hehehehehehehehe

      Rubens Gomes Passos Netto · 7 de agosto de 2015 às 12:11

      Siiimmmmm… nunca entendi pq a Ferrari não faz isso: ” tá aqui o meu motor e o meu piloto sobrinho da minha nona!!!” inté hehehehe

Valesi · 6 de agosto de 2015 às 6:39

Joshué, excelente ideia essa de reunir os maiores especialistas em pitaco num único post. Realmente foi muito bom ver tanta opinião junta, e diria que isso acabaria dando uma bela pauta pra um programa, hein?
Parabéns pela iniciativa e pela sua “costura”, que ficou perfeita. Parabéns aos meus colegas, todos brilhantes.
E, coincidência (?), o doodle de hoje me informou que este texto foi publicado no aniversário de nascimento de Adoniran Barbosa, o mais italiano dos paulistanos.

    rubens.exe (@rubensGPnetto) · 6 de agosto de 2015 às 22:49

    “diria que isso acabaria dando uma bela pauta pra um programa, hein?” Sim Sim SIm Sim

      Joshué Fusinato · 7 de agosto de 2015 às 9:30

      Reunir os ~pitaqueiros~ em um programa especial? É isso que eu li? 😛

    Joshué Fusinato · 7 de agosto de 2015 às 9:25

    Valeu Valesi!

Jordan Bandeira · 6 de agosto de 2015 às 9:22

Congratulações pelo texto, Joshué. Legal ver a galera reunida falando de F1.

Acho que o automobilismo italiano já virou pizza faz tempo, infelizmente. Vamos ver o que acontece em alguns anos. Quem sabe não veremos um piloto do país favorito de Sergião ser campeão do mundo…

Sra. Flowers (@DehFlowers) · 6 de agosto de 2015 às 15:25

Primeiramente gostaria de agradecer a oportunidade de ajudar com os meus pitacos sobre o assunto e a todos os amigos do PodcastF1Brasil pelo convite. Depois lendo o comentário de cada um eu fiquei pensando nessa questão da natalidade que o Carlos citou e realmente isso também é uma influência já que a população vai envelhecendo e algumas pessoas deixam de ter filhos por conta dos custos e as consequências todos nós já sabemos.

Todos os comentários que ajudaram a formar o texto estão excelentes e o tema abordado é bem interessante, parabéns a todos os envolvidos e Obrigada. 🙂

    Joshué Fusinato · 7 de agosto de 2015 às 9:33

    Débora, vc é demais! Mandou muito bem!!!! Eu é que tenho que te agradecer por aceitar o convite.

Carlos Del Valle · 6 de agosto de 2015 às 19:31

Muito bom mesmo, parabéns Sr. Fusinato!

Um aspecto importante é a falta de vagas na F1 de maneira geral. Carreiras longas e poucas equipes, essa é a receita para a falta de oportunidade a novos talentos. Um aspecto que eu ainda quero avaliar é a representação dos países europeus em categorias como o WEC, que acaba sendo a alternativa para muitos pilotos bons. Estamos com 3 brasileiros lá, e no caso dos britânicos esse número é bem expressivo. Fico curioso quanto a franceses e italianos no mar alemão…

    rubens.exe (@rubensGPnetto) · 6 de agosto de 2015 às 22:48

    Delvas, isso me passou pela cabeça, a GP2 e outras categorias de base não tem sido um firewall da F1 para os pilotos italianos?

    Joshué Fusinato · 7 de agosto de 2015 às 9:37

    De fato, o gargalo da F1 é muito apertado. Na Temporada de 1989, que eu citei no post, 39 pilotos tomaram parte. Um terço italianos…

    Assim, de cabeça, me lembro de vários italianos nas categorias GT do WEC, especialmente pilotando Ferraris, mas além do Bruni e do Fisichela, não lembro de nenhum de destaque.

    Fica a dica pra mim mesmo, de um levantamento pra um post futuro!

William FerreiraW · 7 de agosto de 2015 às 0:00

Já rolou sobre pilotos japoneses?

    Joshué Fusinato · 7 de agosto de 2015 às 9:38

    Ainda não William. Mas é uma excelente ideia! O título poderia ser “Virou Croissant?” ahuhuahuahuahuahua

    Valeu!

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